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Bewitched (2005)

bewitched2005

Puritanos, tonhós que estão contentes logo de manhã e romanticos incuráveis não me levem a mal, mas agradecia que não lessem esta crítica toda. Aliás, queria mesmo que se retirassem, pois o que vão aqui ver nos próximos parágrafos não será uma vista linda de se contemplar. É que nem aqueles insuportáveis tipos que não precisam de café para andarem radiantes pela manhã poderiam suportar tal tortura. Mesmo os  pacóvios que têm um poster do Titanic e outro da Cidade dos Anjos eram capazes de matar, enraivados de ódio, só por terem sido enganados pelo cartaz.

Para começar devo dizer que nunca fui grande fã da série de TV de Bewitched. Quer dizer, não sou grande tele-espectador, mas parece-me que essa série passa sempre em horários mortos da RTP2 e que me lembre nunca ninguém cancelou nenhum compromisso para ver aquilo. Além disso nunca me tinha apercebido que a gaja torcia o nariz. Para falar verdade, dos parcos episódios que assisti, sempre achei aquele humor um bocado merdoso, polidamente evangélico e ingénuo. Mas isso eram outros tempos, no reinado da subúrbia em que esposas dedicadas serviam de porcas de criação enquanto os maridos trabalhavam para pagar a hipoteca, comprar jornais, comida de cão e aqueles carros com madeira.

A adaptação desta série ao cinema tentou outra via. No filme, existe um produtor que pretende fazer um remake deste filme e a história centra-se numa actriz acidental que, por acaso, é também bruxa. O casting foi apenas baseado no torcer do nariz. Claro que esta coisa da auto-crítica ao sistema de produção cinematográfico americano (penso que terá sido acidental) acaba por ser um pau de dois bicos. O primeiro bico é que o filme em si é uma merda e o segundo é que se percebe que aqueles cabrões andam para onde lhes dá o vento, com o cú cheio de dólares a fazer de leme.

Nicole Kidman, aquele anjo de mulher, mete-se assim em mais uma alhada, depois do monumental erro que foi “Stepford Wives”. Neste Bewitched tudo é mau. A história é completamente descabida, a representação é idiótica, os malabarismos narrativos são tão artificiais como as mamas da Pamela Anderson. Existe lá uma sequência em que a dita bruxa faz um feitiço para o tempo andar para trás. Como num VHS de 1987, a imagem retrocede com o símbolo de rewind e o filme recomeça do ponto que ela quer. Quer dizer, provavelmente o melhor seria volta ao início da cassete e gravar por cima com porno ou outra coisa mais interessante.

Sempre pensei que ver Kidman a cavalgar um pau durante um filme me fosse causar um ligeira erecção, mas na realidade o único espasmo que tive foi o esparguete à bolonhesa a tentar escapar do meu estômago. Quanto ao Will Ferrel, deu-me vontade de lhe esmagar a cabeça com uma pedra. E a historieta de amor é mais uma aplicação directa de uma fórmula gasta (à exaustão) que qualquer filme de gaja. A sequência da redenção e “love will conquer all” é de meter os dedos à boca (ou no cú, para alguns telespectadores).

1 Comment

  1. Fosga-se, melhor crítica de sempre. Ponto.

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