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Knowing (2009)

knowing

Se me fosse dado um tractor carregado de estrume e uma catapulta (propulsora de estrume, obviamente!) e me fosse dito “Rapaz, podes usar esta carga de estrume para metralhar um ecran de cinema durante um filme. Escolhe-o sabiamente, pois só…“. Ainda o agricultor não tinha acabado de falar e garanto-vos que já ia eu a entrar por um cinema Zon Lusomundo adentro com os olhos raiados de sangue, a espumar pela boca e uma carga de estrume prestes a forrar o fronha do Nicolas Cage numa fumegante amálgama de merda de vaca…

Há filmes maus, obviamente maus que só enganam pategos que vão ao cinema ao sábado à noite, antes da festa de Trance Psicadélico da aldeia (leia-se bazofe). Há outros filmes que prometem um intrigante história com uma dose decente e equilibrada de efeitos especiais e um improvável final que nos deixe agradados por ter deixado 6 euros (mais pipocas, sumos e entulho) a uma máfia monopolista que absorveu todos os cinemas de Portugal.

Este Knowing é um desses casos de esperança que desaguou num cemitério para filmes mortos à nascença. Mas o meu problema com este filme não é só o facto de ele ser uma luminosa homenagem ao vazio e à nulidade.

Eu gosto imenso do Dark City do Alex Proyas, mas dá-me vontade de vomitar só de pensar naquele reclame publicitário de duas horas chamado “I, Robot”. O meu problema com este filme é que não passa de uma amálgama de idealismos religiosos, embrulhados em explosões e efeitos especiais para atrair saloios, que depois vão para casa pensar que se calhar é melhor começar a acreditar numa entidade superior, que o mundo foi criado por anjos e que a ciência acaba por ser uma patetice pegada criada por Belzebu e os seus capangas.

6 Comments

  1. Gosto da subtil montagem da foto. Concordo plenamente contigo. Know1ng parecia ter uma história de jeito. Depois vê-se o filme(?), tem duas ou três cenas de jeito (o acidente no metro, a queda do avião…), que só são boas porque há muito barulho e destruição e no final tenta pregar sabe-se lá o quê. uma estupidez pegada de filme.

  2. Pois, a cena do avião é impressionante tanto pela dimensão como por ser uma sequência única, sem cortes (que se vejam). Estava a ver que ninguém reparava na montagem… 😉

  • a cena do avião realmente também me deixou impressionado, mas que me lembre… foi mesmo só isso…

  • Bem mas por um lado o final do filme ficou bem feito, acaba-se com a humanidade e pronto!!! a cena dos anjinhos e a parte religiosa do filme é que sim era escusada.

  • [este comment contem spoilers]
    Vi ontem este filme e gostei. A meu ver vai além dos idealismos religiosos… tenta até ‘explicá-los’ do ponto de vista cientifico.
    Os antigos é que associavam tudo o que não conheciam a deus, anjinhos e milagres. Se calhar foi a minha interpretação, mas o que vi foi uma ideia interessante da criação (no fim)… vi Adão e Eva (os miúdos) serem postos no paraíso (novo planeta) por ‘deus’ (os alienígenas). Sim, mete de lado a teoria da evolução, mas é uma abordagem diferente, que não deixa de ser científica.

  • A referência dos anjos é uma alusão à teoria dos antigos astronautas (há o livro e o documentário Chariots of the Gods), que no fundo basicamente diz que o Homem foi criado por civilizações extraterrestres e que as referências religiosas e civilizacionais que temos dos primeiros tempos eram a forma como esses primeiros humanos relatavam e projectavam os seus encontros com essas civilizações.

    É um assunto que me interessa, mas o filme não deixa de ser medíocre por causa disso

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