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Rambo: First Blood Part II

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Este fim de semana revi o Rambo 2. Foi tal a dose de matança que fez de mim mais homem. Como se me tivesse crescido um quarto testículo. Uma vontade imensa de estripar apoderou-se de mim mas depressa esmoreceu quando Rambo cedeu ao romance e beijou a chinesa. Já não me lembrava dessa cena. Mas o amor é rapidamente interrompido pela execução sumária da amante oriental (uma rajada de balázio nas mamas). E a partir daqui é morte, destruição, carnificina, violência gratuita e uma eterna existência onanisma para o nosso musculado herói.

Desde a primeira vez que vi este Rambo em 1987 (mais coisa menos coisa) que os meus sentimentos em relação a ele  (Rambo filme, não Rambo homem) têm mudado. Rambo é um personagem que tem sido bastante subvalorizado, chutado para a galeria de action heroes xunga, reles musculados em permanente genocídio. Mas Rambo tem uma carga política bastante forte. Nos primeiros dois Rambo representava o soldado do Vietname marginalizado nos states devido ao fracasso da campanha americana no Vietname. Como se os soldados tivessem sido os culpados de toda a inaptidão política na gestão do conflito. Havia a ideia de que eram um vagabundos drogados que só sabiam matar. E depois era colar explosões e tiroteio sem fim a esse conceito e estava criada uma formula de sucesso. Os outros Rambos (3 e 4) foram mais “tiros e bombas e murros nas trombas” e pequenos ornamentos políticos.

O certo que é que aos 13 anos este filme tornou-se o filme da minha vida por umas semanas. Os meus pais não me deixaram ver no cinema e eu tive que esperar pelo vídeo para o ver 17 vezes seguidas. Além do filme tinha a obrigatória colecção de calendários. Mas passados uns anos comecei a ver este Rambo como uma xungaria da qual me envergonhava de gostar. Um guilty pleasure, por assim dizer! Mas mantinha sempre os VHS à mão de semear caso fosse preciso ver matança sanguinária.

Mas com o passar dos anos fui acompanhando com desânimo o evoluir do género “filmes de acção”. Ou eram merdosos, horrendos ou simplesmente intragévais. Desde os filmes B produzidos em série aos blockbusters de muita parra e pouca uva. Com o passar do tempo fui percebendo que apesar de xunga, há um conjunto de filmes de acção dos anos 80 que são perfeitos clássicos, espécimens guardados em formol do tempo em que o cinema era magia e chacinar era uma arte. Até a aproximação técnica era cuidada, não é como hoje em que qualquer coisa serve por ser uma obra menor, ou no caso dos blockbusters “mete-se depois cenas a computador”.

E com isto posso agora orgulhosamente dizer que Rambo deixou de ser um guilty pleasure para ser um clássico que consumo com redobrado respeito, sem pipocas nem sumos gaseificados, apenas cerveja, torresmos e o ocasional copo de aguardente, da mesma marca da que me fez crescer os primeiros pelos no peito aos 10 anos.

Deixo-vos com um pequeno slideshow de Rambo 2 que vos fiz com amor. Um pictograma para quem quer saber tudo acerca deste filme sem ter que passar pela chatice de o ver.

1 Comment

  1. Pena esse slide nao funcionar… mas tambem nao preciso… tenho este filme mais a sua carnificina gravada na memoria, na verdade tenho tanto filme xunga dos 80’s gravados na memoria que ponho em causa se isso não sera a razão de cada vez me lembrar menos dos filmes que ando a ver ultimamente… mmm…

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