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Watchmen (2009)

watchmen

Se numa dimensão alternativa os Super Heróis banidos da sociedade só vestissem os seus fatos para mandar umas berlaitadas? Será que o Super Homem ao mandar uma queca na Lois Lane não lhe provoca estragos graves no aparelho reprodutor? Quer dizer, uma verga de aço não deve ser coisa fácil de aguentar! E se por acaso o Super Homem quisesse praticar um bocadinho de dickslapping? Não correria o risco de lhe arrancar a cabeça pela raíz de modo a que ficasse apenas uma massa cerebral ensanguentada a escorrer pela parede? Infelizmente estas questões não são respondidas em Watchmen que se concentra em coisas mais sérias: a ultra-violência com estilo e a negridão da condição humana!

Quando este filme saiu não sabia nada acerca da banda desenhada que o inspirou. Na altura ainda procurei online, mas parecia-me demasiado colorida e as fatiotas demasiado gay. Mas o que mais me irritou foi a quantidade de criticas lambe escroto. Toda a gente urrava aos 7 ventos que era uma obra prima celestial, digna do top10 da IMDB. Tanto me irritaram estas questões que decidi de imediato odiar o filme sem sequer o ver. Quer dizer, ainda pensei ir ao cinema, mas quem tem filhos com menos de 1 ano não tem 3 ou 4 horas que possa dispensar com tanta facilidade.

Mas eis que vi finalmente Watchmen, a versão do realizador. Não sei qual a versão que passou nas salas, mas pelo que vi esta tem 35 minutos a mais de cenas que poderiam ferir susceptibilidades. Nos specs do DVD dizia que era sobretudo cenas explicativas mais c0mpostas, cena de sexo mais longa (bela merda, diga-se de passagem!) e as partes de violência mais demorada e explícita.

Mas o certo é que Zack Snyder conseguiu fazer aquilo que o meu preconceito achava ser impossível: uma filme decente com personagens que vestem fatos de borracha e cuequinhas de licra por cima das calças. Depois de todos estes meses de preconceito posso sentir o peso das orelhas de burro na minha cabeça, porque realmente é um filme notável.

A começar pela aproximação sem medo à BD que lhe deu origem. Violento para além do comercialmente aceitável, é um filme que não deve ser visto pelos mais novos, muito menos pelos mais velhos. Negro como a noite, denso e emocional. A direcção artística é algo que se vê com raridade o que demonstra, de facto, o amor com que o projecto foi abraçado pelos seus criadores. Rorschach é um personagem fabuloso, assim como actor que o interpreta com uma capacidade fora do normal para os parâmetros Hollywoodescos. É interessante a dualidade e profundidade dos personagens, porque existem imensas zonas de cinzento neste filme ao contrário dos outros super-heróis em que a bidimensionalidade e  a fácil escolha entre o bem o e mal tornam as coisas mais fáceis e, diga-se, mais aborrecidas. The Comedian é outro personagem multidimensional que encarna a essência daquilo que são os Estados Unidos da América.

Mas nem todas as coisas são fantásticas. Decepcionei-me bastante com o Dr. Manhattan e as sequências em Marte demasiado digitech para o meu gosto. O lince geneticamente manipulado é o quê? Pelo que li nos foruns e blogs ele tem uma importância muito maior na graphic novel, mas eu não percebi. Qual a sua importância na conclusão da história? Pareceu-me apenas um animal de estimação, que podia ser facilmente substituído por um cão ou um gato. Outra coisa que me irritou ligeiramente foi o excessivo uso de slow motion. Não sei se foi para o estilo ou para esticar mais uns 20 minutos de filme, o certo é que 70% das cenas em câmara lenta não se justificam.

A cena de sexo? Muito fraquinha. Trocou-se a mecânica sexual por um lap-dance ondulante manhoso, mas se fizerem pause e sobrepuserem um modelo anatómico e com a ajuda de um transferidor e um compasso percebem que não há ali ângulo para uma penetração. A não ser que a gaja tenha a rata oblonga ou o gajo tenho uma piroca de 75 cms flácida… Hey, mas isto sou só eu a falar!

Acabei por voltar a rever algumas cenas chave no final, algo que não faço com frequência. A cena do beijo à sombra do cogumelo nuclear é fantástica, umas das melhores sequências gráficas dos últimos tempos.

Será Watchmen um blockbuster ou um filme de autor de alto orçamento? Não sei, mas não é aquele pastelão de super-heróis que nos costumam enfiar no cu no início do Verão. E estou aqui a incluir o último Batman e Iron Man, que apesar de serem bons filmes eram apenas blockbusters saca euros que saíram menos maus.

6 Comments

  1. Watchmen, a BD, é mesmo uma “obra celestial”. É um livro fantástico. O filme teve o mérito de sobreviver à BD, o que é grande elogio. Aconselho-te a lê-la. E aconselho-te uma outra BD, bem mais curta, de um gajo bizarro chamado Garth Ennis.

    É a gozar mas é muito inteligente. C hama-se A Pro e conta a história de uma prostituta que ganha super poderes. Exacto, uma prostituta que ganha super poderes.

  2. Curiosamente tenho um amigo que me falou da Pro. Até já fui duas vezes para comprar, uma edição da Devir (acho eu), mas estava sempre esgotada. Ainda estou à espera que me liguem lá da loja…

  3. prostituta com super poderes?
    eish… tenho de pesquisar sobre isso

    quanto ao filme, não posso dar a minha opinião… fui ve-lo ao cinema e infelizmente adormeci
    só acordei lá p’ro fim e já não percebi nada da história, que por acaso pareceu me que para entendê-la era preciso um pouco de concentração e nem todos os dias tenho disposição para isso

  4. Pedro, a importância da Bubastis (é assim que se chama a tal bicharoca) está relacionada com a actividade de uma das empresas do Adrian Veidt: a manipulação genética. Isso é ainda mais relevante na graphic novel, visto que o bode expiatório do plano do Veidt não é o Dr. Manhattan mas sim um gigantesco alienígena (criado através desse método) que é teletransportado para a Baixa de Nova Iorque, matando metade da população.

    Quanto ao filme em si, realmente não deixa ficar mal a graphic novel, que é fabulosa.

  5. Thanks Paulo. Emprestaram-me a graphic novel. Vou ver se lhe dou uma vista de olhos este fim de semana.

  6. É o único filme deste gênero que desperta minha euforia e disposição. Gosto pra caramba de Watchmen e a trilha sonora é ímpar e foge do lugar comum. Um filme diferenciado que investe mais em anti-heróis do que seus contrários. Realmente há uns excessos de computação gráfica, porém, isto é Hollywood.

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