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Crossed – Banda Desenhada

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Normalmente um filme de zombies tem um grupo de sobreviventes independente, malta muito preocupada em salvar a sua própria pele, grupos de um, sem família, sem ligações emocionais a ninguém, o que lhes permite um ângulo muito grande de acção e a matança é sempre descomprometida. Mas se houvesse mesmo uma epidemia zombie (nem acredito que disse isto) as coisas não seriam assim. Haveria famílias, casais, crianças, pessoas com vários tipos de dependências que lhes impedia a deslocalização. E muitas mortes deste pessoal. Filmar isto é impensável, porque um realizador pode ser audaz mas nunca suicida. E quem entra com o dinheiro gosta de garantir algum retorno, nem que seja para pagar os juros. Aqui entra a banda desenhada, removendo os limites da consciência humana com um disclaimer na capa.

Garth Ennis é o meu argumentista de banda desenhada preferido. Além de pérolas como The Preacher, The Pro, The Boys ou Chronicles Of Wormwood, Ennis é um exímio escritor de literatura zombie. Em Crossed somos apresentados a um mundo governado por criaturas com características zombie, mas plenamente conscientes. Como se a sua personalidade tivesse sido removido, apenas tendo ficado a maldade e sadismo. Além destes traços demoníacos possuem um libido monumental que faz com que andem sempre a violar e matar, ou vice versa.

Ao longo de 9 edições, sendo a primeira o número zero com um curto prólogo para introduzir a ambiência zombie, vamos acompanhando um grupo de sobreviventes que viajam pelos Estados Unidos em direcção à fronteira com o Canadá em busca da terra prometida zombie free. A narrativa é cruel e o grafismo muito forte, com crianças a serem assassinadas, famílias a serem dilaceradas sem piedade e a cruel destruição de alguns clichés. Eu gosto deste tipo BD, são coisas que nunca podem ser vistas em cinema, é aquele gostinho especial que sai no amaciamento das adaptações cinematográficas.

E isso não faz de mim uma má pessoa. Pelo menos ainda não senti aquele apelo do darkside de meter uma caçadeira dentro de uma gabardine de cabedal e ir para o centro comercial praticar tiro ao alvo em miúdos com penteado à Tokyo Hotel ou em professoras desempregadas disfarçadas de tias desafogadas. Por enquanto…

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7 Comments

  1. Li e adorei o Chronicles Of Wormwood. Comecei a ler o The Preacher faz pouco tempo. Acho q vou dar uma hipótese a este tb.
    Obrigado pela dica. 🙂

  2. O Preacher é fantástico. Eu vou no capítulo 45 (de 70) e já estou a ficar stressado com a eminência do fim… Restam os spinoffs para amaciar a dor.

  3. Ok, pergunta um bocado ingenua e escusada, mas…tu compras estas BDs pela net ou fazes download e lês no pc? Ja nem pergunto se estará disponivel nas fnacs tugas.
    Estas BDs todas de que tens falado suscitam-me um enorme interesse, mas eu sou daqueles gajos com o capricho de so conseguir ler um livro (BD ou o que seja) se o tiver fisicamente nas maos.

  4. Tenho de ver se ponho as mãos nisto. Zombies + Ennis…

    O Garth Ennis é brilhante. Há o Alan Moore (tão genial que até chateia), a classe do Neil Gaiman, um óptimo Frank Miller e mais alguns grandes nomes na BD actual. Mas o Garth Ennis faz mesmo “a cena dele”. Grotesco, com um humor negro sem piedade, sangue, tripas, sexo e abuso tudo junto. É proeza, sem dúvida.

  5. Ora bem Daniel, pergunta complicada a tua… Tenho 3 tipos de fontes de comics. A mais comum são as minhas próprias que compro normalmente em segunda mão no miau, leiloes.net ou no ebay. Depois tenho um amigo com uma bela colecção, muito compostinha. O problema é que os tenho que manusear quase com pinças. Depois outros “compro” na net e vejo num portatil que tenho que por acaso é superfino e é Tablet. O que significa que é o perfeito ebook reader. Há tb baratos no ebay.

    Em relação ao ter fisicamente nas mãos, esse é um conceito de que já fui mais fã. No tablet podes mudar as páginas, fazer marcações como se fosse num livro. Com a vantagem de poderes trazer 1 bilião de livros sempre contigo. As cores são melhores que no papel e não precisas de luz para ler. Também leio revistas e jornais no tablet. É a maneira ideal para aproveitar aqueles momentos mortos de salas de espera, transportes públicos ou secas em geral. E para cagar também…

  6. Obrigado pela sugestao. Qualquer coisa que possa preencher bem o tempo de sanita é um enorme aliciante e realmente ja ando ha bastante tempo ha pensar em adquirir um tabletpc…

  7. Li isto recentemente, “comprei” recentemente a obra completa do Ennis na internet para ler no Ipad, mesmo já tendo muita coisa dele em formato físico (compradas no Mundo Fantasma no Brasilia no Porto ou encomendada lá de fora) acho que dele vale a pena ler tudo e isso será o que farei nas próximas semanas. Não sei se ele é o meu preferido, o Miller (pré loucura 11 de setembro), o Alan Moore, o Neil Gaiman e o Grant Morrison têm todos coisas de nível altíssimo, é dificil dizer que prefiro um ou outro. O que posso dizer é que ler digitalmente na cagadeira é uma das minhas actividades preferidas (e ser Ipad ou tabletpc tanto dá, o que interessa é que o ecrã seja grande)

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