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Gamer (2009)

Há no mundo do cinema de ficção científica americano um obsessão constante  de forçar a analogia com as cyber-tendências e a vida real. Criam-se paralelismos entre as redes sociais, jogos e comunidades. Não é novo, já no inicio na massificação das tecnologias de informação e dos seus sucedâneos  recreativos foi feito o Tron, War Games ou o Lawnmower Man. Isto para ignorar o elefante no centro da sala, que é o Matrix… Gamer é então um desses “e se o Facebook e o Call of Duty fossem jogados por pessoas num mundo físico” em que os fundamentos tecnológicos  são cirurgicamente ignorados, fazendo com que a fronteira entre a ciência e os contos de fadas desapareça e o mundo seja finalmente controlado por feiticeiros demoníacos com riso maléfico em tons que alternam entre o génio e o tresloucado.

Os primeiros 5 minutos não enganam ninguém, quem vê mais do que isso e depois se diz desapontado é alguém com problemas de raciocínio associativo. Gamer é tiros, bombas e murros nas trombas, versão cybertech, com montagem rápida, cores brilhantes e cenas quase strob com planos a não exceder os 2 segundos… Barulho, explosões, morte, genocídio, carnificina, pedaços de carne humana a esvoaçar e o cheiro intenso a pipocas enquanto gritamos “morre cão, morre cão!” em plenos pulmões.

Mas apesar de ser um hino à violência gratuita, Gamer é um mau filme. Para começar um dos actores principais, o vilão (leia-se com sotaque zuca), é Michael C. Hall. Nada mais nada menos que o fantástico Darkly Dreaming Dexter e não menos brilhante David Fisher (Six Feet Under). É muito complicado ver este actor a rir como o Dr. Evil acompanhado por um sotaque cerrado texano (ou similar). Talvez ele não seja assim tão bom actor, mas pelos 9 anos de mega-sucessos seguidos que já acumulou em Dexter e Six Feet Under, com possibilidade de mais 3 ou 4 anos de fama, dá-me ideia que não se pode ambicionar muito mais. Não deve abusar da sorte, senão ainda acaba como outro MC Hammer ou a gaja que fazia de irmã do Michal J. Fox no Family Ties (ou “Quem Sai aos Seus” na nossa doce adolescência).

Um ponto imensamente negativo na minha escala de avaliação é a incursão de tecnologia não fundamentada. Mas neste filme isto não me afecta só a mim, afecta toda a gente. Todos têm conta de Facebook, quase todos já jogaram (ou viram jogar) first person shooters (Call of Duty, Medal of Honor, etc). Como chegámos deste ponto onde nos encontramos agora até àquela realidade? O fundamento científico parece passar por uma técnica manhosa para injectar no cérebro células manhosas que através de um processo químico manhoso vai substituir as células existentes criando a possibilidade daquela pessoa ser controlada remotamente por um protocolo de comunicação manhoso, tudo isto permitido por uma legislação manhosa e a aparente ausência total de ordem pública oficial, sendo que a segurança privada fornece um serviço de policiamento manhoso. Não sei se estão a detectar aqui um padrão.

A montagem multicolor e rápida para pessoas com dificuldades crónicas de concentração também não é propriamente algo que aprecie. A narrativa é boa para malta com caganeira, que tenha que se ausentar 10 vezes durante o filme ou os primeiros 80 minutos, porque dá sempre para perceber. Digamos que é um filme que o personagem principal de Memento iria perceber sem grandes dificuldades…

2 Comments

  1. Bolas… esse gajo esquecia-se de tudo!
    Agora “a sério”, grande merda de filme: ratatatatatatahhhhh…. kabooom… boooomh!…. ratatatahhhhhh…. booom!!
    Chatice!

  2. é uma merda de filme, não haja dúvida. Viste a cena do rick rape, com aquele tipo com cara de trombose do heroes?) é o gajo num fato roxo justo manhoso a esfregar-se em tudo, que merda era aquela?

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