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Martyrs (2008)

O cinema francês não é apenas um conjunto de filmes existencialistas realizados por nomes acabados em “aut”, com gajas de mamas pequenas em tronco nu que acabam invariavelmente por levar com ele, sendo “ele” um latejante falo erecto e não um conceito abstracto. O cinema de terror francês atravessa uma época de especial vitalidade, afastado dos canones do “horror movie” americano, mais próximo do conceito de pesadelo colectivo, com narrativas e grafismo capaz de nos eriçar os pelos das costas…

Martyrs arranca com uma criança a correr na rua, em pânico, semi nua e com sinais de tortura. Durante os créditos iniciais somos acompanhados por uma equipa de TV ao local onde a menina estava enclausurada e uma breve reportagem da sua integração sociedade. Flashforward, a criança encontra as pessoas responsáveis pela sua tortura e transforma um idílico pequeno almoço familiar num dos mais notáveis banhos de sangue alguma vez vistos no cinema. Caso encerrado. Será? É que apesar do aparente conclusão ainda só passaram 10 minutos…

Não é a extrema violência nem a brutal constatação das trevas da mente humana que o fazem sobressair. É esta sequência imprevisível de evoluções narrativas que faz deste filme uma preciosa obra do terror contemporâneo. De 20 em 20 minutos todas as peças são reajustadas e estranhamos a nova configuração. Depois achamos que faz toda a lógica. Depois novo reajuste. São segmentos quase independentes que não fariam lógica separados. Até à sequência final, uma das mais duras e difíceis que já tive o prazer de assistir.

Num filme em que a típica fotografia facilmente identificável do mainstream americano é substituída por uma fotografia hiper-realista, cheia de texturas e cores reais, quase a sentir o cheiro a suor e sangue, as coisas mudam de figura. Aquelas pessoas estão ali à nossa frente, sem a paneleirice 3D nem CGI. Apenas arte cinematográfica e mestria óptica. E isto meus amigos, é assustador.

Assim como os ingleses agora andam com a mania do torture porn, os franceses entraram na onda da ultra-violência em situações banais, que facilmente nos sugam para o seu interior por identificação. De roer as unhas até à falange…


3 Comments

  1. um daqueles de sair da sala de cinema (porque tive o prazer de vê-lo noMOTELx) de queixo caído e ficar durante 3 dias a pensar no filme. é um filme bastante forte e o que dá tanta volta à cabeça são os tais reajustar de peças, que de facto acontecem muito durante o filme. Penso que terei ficado com um peso maior na cabeça, não só do filme, mas também porque nessa semana “comi” uns quantos filmes do MOTELx, entre eles, Macabre (Indonésia – título original Darah) com a fantástica Sigi Wimala e que me fez ter um system overload. XD podem ver info do filme no link: http://www.moviexclusive.com/review/darah/darah.html

  2. Para um gajo com uma rodagem considerável nestes meandros do sangue, este filme deu-me a volta à tripa.

    O que não quer dizer que seja mau, antes pelo contrário….

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