CinemaXunga

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Legion (2010)

Sempre tive bastante dificuldade em compreender o fascínio do imaginário norte-americano por ver nas armas a solução para todos os problemas. É grande a quantidade de filmes que assentam o seu clímax numa cena em que uma pessoa (ou mais) acedem a um arsenal de proporções militares para resolver determinado problema de uma vez por todas, mesmo que esse problema seja um exército de anjos imortais enviados pelo criador com o intuito de provocar o Apocalipse e por fim de uma vez por todas a “estes irritantes humanos”.

Legion é exemplo desse paradigma militarista, apesar de nada da sua premissa o indicar: Deus está farto dos humanos e envia os seus anjos massacrarem os habitantes do planeta. Um anjo acredita na humanidade e ajuda a salvar a continuidade da nossa civilização numas bombas de gasolina no meio de um ermo tão longínquo onde as botas de Judas foram encontradas por um arqueólogo. Ao que parece a chave do futuro reside num bebé que ainda não nasceu. Confusos? Eu também… Daí a inserção de poder de fogo suficiente para conquistar uma pequena república sul-americana.

Mais do que esta necessidade quase vital de matar pessoas a tiro, o que me irrita é uma narrativa que parece à primeira vista ser herege e maléfica, mas que na realidade serve perfeitamente para atingir os objectivos de um povo demasiado ocupado a discutir se os anjos são bons e os querubins são maus, ou se no céu há facções mais ou menos misericordiosas, mas sem nunca colocar em questão os princípios básicos onde essa religião assenta ou sequer ponderar a possibilidade de estarem a ser enganados por escória da humanidade preocupada em escravizar e controlar ao mesmo tempo que acumula fortunas e poder capaz de manipular países inteiros e, de vez em quando, aviar um rabinho de menino antes da janta.

Sim, o filme é muito mau. Demasiado preocupado em nos mostrar acção e explosões ou cenas estilizadas e aleatórias de terror desconexo, roubadas do imaginário Aphex Twin ou Tool, mas secas no seu âmago. Sempre com medo de acrescentar uns diálogos a explicar coisas interessantes ou a adensar a trama, como se o seu público alvo o achasse “parado” ou “secante”. A ideia “Deus está farto de humanos e decide acabar com a nossa raça” parece-me bem interessante para fazer um sem número de filmes, mas deste modo é apenas perda de tempo e criação de um fase negra na vida dos profissionais que tentam a todo o custo negar o seu envolvimento nesta porcaria, um pedaço de idiotice de tal densidade nem a própria luz escapa ao seu impetuoso vórtice de enfado.

2 Comments

  1. Não devemos invocar o nome de Tool em vão!

  2. Tens toda a razão amigo Ricardo!

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