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The Crazies (2010)

Havia nos anos 80 duas regras de ouro para avaliar um filme de terror nos primeiros 15 minutos. Uma fórmula que, apesar de pouco ortodoxa, nunca falhava. Regra 1: se um filme de terror mostra mamas  em abundância ou sexo relativamente explícito nos primeiros 15 minutos é porque não vamos ver muita carnificina sanguinária. Regra 2: Se nos primeiros 15 minutos um grupo de 10 pessoas fica presa num local isolado com um psicopata que os levará à lenta extinção, um a um, estamos perante mais um desinspirado e monótono clone slasher de Sexta-Feira 13.

Quase 30 anos volvidos e essa fórmula perdeu a validade porque hoje em dia os filmes de terror merdosos já nem mostram mamas nem berlaitada para que até crianças os possam ver e assim aumentar o lucro e quando 10 pessoas ficam presas num local isolado à mercê de psicopatas estamos perante um reality show. E para quem não sabe, um reality show é um jardim zoológico comportamental temático onde imbecis hiperactivos com ilusões de grandeza artística entretêm imbecis estáticos de olhar bovino cujo conceito de bem estar envolve um Saxo com suspensão rebaixada, uma cassete com 2 filmes do Steven Seagal e um fato de treino Adidas para ir ao Lidl.

The Crazies é um remake de um filme com o mesmo nome realizado por George Romero, génio cinematográfico que inventou os zombies, mas que ao 745º filme com a temática “mortos vivos comedores de cérebros humanos” começou a ficar ligeiramente repetitivo. Não vi o original, o que dá um jeitão para não me prender com comparações desnecessárias. Contudo a premissa deve ser a mesma: cai um avião carregado de um líquido radioactivo do exército americano numa lagoa que abastece a rede de água de uma pequena povoação e a certa altura os seus habitantes começam a ficar mais possessivos, irracionais e homicidas do que normal.

Não sendo um filme de puro pedigree zombie, vai beber a este sub-género que tanto amamos a maior parte dos seus elementos dramáticos  e mesmo narrativos. O aparecimento do primeiro caso, o espalhar da epidemia, a infecção que é inicialmente longa e para o fim é quase instantânea, a teoria da conspiração das omnipresentes “cover-ups”, enfim, onde é que todos já vimos isto não é? Pelo menos 400 vezes. Só o ano passado. No último trimestre.

Mas Crazies é algo mais do que um filme de Zombies. Tenta ser um disaster movie na primeira pessoa, numa pequena cidade de interior, em que o que interessa não é saber o que se passa realmente mas tentar escapar vivo com a esposa grávida através de pequenos níveis ao estilo de videojogo com o twistzinho ocasional e o final que não acalenta grande esperança para a raça humana. Seja para insuflar mais uma vez a metáfora de que somos todos uns animais que não merecemos o planeta onde vivemos e que uma extinçãozinha humana não iria prejudicar em grande a evolução do planeta Terra como um ecossistema de sucesso, seja para sacar mais uns trocos a pacóvios com umas sequelas, prequelas, spin-offs e o El Dorado do entretenimento americano da actualidade: a série de TV.

Nada disto que foi dito em cima é mau, mas também não é necessariamente bom. Cinematograficamente estou a ficar velho. Sim, claro, gosto tanto de carnificina como qualquer pessoa, acho piada quando um personagem menor é desfeito em tripas e carne ensanguentada numa cena imprevista, mas também gostava de saber mais qualquer coisa acerca da origem do todo o mal que ali anda, mesmo sabendo que a resposta será algo como “o que interessa é o comportamento humano numa situação extrema, num microcosmos de sobrevivênvia”. Mas sabem que mais? Também vivo bem com isso.

3 Comments

  1. Se gostas de carnificina e mamas em abundância, então vê a série Spartacus: Blood and Sand. Tem as duas temáticas em dose qb.

  2. Verdade o que Joemorales diz.
    Spartacus = mamas e carnificina. E tambem muita linguagem de fazer corar meninas das casas de mimosas. E tambem por lá andam penis pelo meio de vez em quando.

  3. Até gostei do The Crazies, é claro que não é nada de especial, mas no meio de tanta porcaria que anda a sair… basta um filme ser “não tão mau” para me deixar satisfeito, e um bocadito de gore também não lhe fazia mal nenhum

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