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A Single Man (2009)

Por uma estranha e incompreensível razão, só cerca de uma hora dentro do filme me apercebi que este não era o último filme dos irmãos Coen, este é apenas um filme com um nome muito parecido. Foi nessa altura que “Senti o gume frio da navalha até ao osso, senti o cão da morte a bafejar no meu pescoço“. Respirei fundo 3 vezes e pensei que este também nem estava a ser muito mau e avancei rumo ao final de um filme que mudou a meio. Além disso, ainda está para aparecer uma performance de Julianne Moore que não me hipnotize. Bom talvez Evolution ou o remake de Psycho, o filme mais desnecessário da História da Humanidade.

A Single Man é um de um sub-género cinematográfico que não aprecio especialmente. É daqueles filmes em que o amor da vida de alguém morre no início e esse alguém tem que aprender (ou não) a viver sem a sua alma gémea, lançado ao mundo cruel da solidão e do desespero. Resumindo, um dramalhão de faca e alguidar, de fazer chorar as pedras da calçada. É provável que eu seja um calhau emocional. Talvez não aprecie muito ser conduzido ao choro de maneira completamente artificial.

Apesar deste início pouco honroso que descrevi acima, vi-me impelido a continuar a ver porque estava a estranhar esta Coen (que afina não era um Coen) e queria saber qual a punchline do filme. Mas o filme é muitíssimo bem filmado, de fotografia fenomenal e trabalho de câmara de uma estética plástica bastante apurada. É um filme bonito e tecnicamente bem conseguido. A banda sonora é muito boa.

Apesar de todas as qualidades artisticas mencionadas acima, acaba por ter aquele sabor a lamuria constante, sempre triste e desconfortado. Mas o desconforto e o segredo fazem parte do conjunto, uma vez que estamos a falar de um professor universitário homossexual que namora e vive secretamente com um rapaz muito mais novo, vendo-se mesmo impedido de assistir ao seu funeral por motivos de censura social, isto nos anos 60.

Não me fez delirar de êxtase e provavelmente se soubesse ao que ia nunca o teria visto, por todas as razões apresentadas acima. Como o Revolutionary Road, que nem lhe toco nem com um pau de 5 metros. Um ponto positivo para Colin Firth, irreconhecível e para o realizador debutante Tom Ford. Pelo que li parece-me ser um big shot da moda internacional, mas eu normalmente compro indumentária contrafeita ou de marca branca…

2 Comments

  1. Não me puxa nada ver esse filme. Mas tenho de concordar que basta ter a visão da Julianne Moore e o filme passa logo a ser suportável. Por exemplo, recentemente vi o “Marie and Bruce” (2004), que é um xunguissimo filme onde ela participa e depois há… uma festa e todas as cenas dela embriagada… e de vestido generoso muito enfeitiçante… e o palavreado badalhoco/revoltoso dela a salvar o filme.
    http://www.youtube.com/watch?v=wQjcJW3bSvk (1:07)

  2. Gostei muito deste filme. E ainda mais do Revolutionary road apesar de ter os mesmo do Titanic 😀

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