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Daybreakers (2009)

Apesar dos ataques cerrados que ultimamente têm tido como principal objectivo apaneleirar e estupidificar o “filme de vampiros”, este sub-género cinematográfico tem vindo a responder em força na direcção oposta para manter vivo o estatuto que sempre teve. Tal como as criaturas que representa, também o género cinematográfico em questão parece ter a capacidade de se regenerar e manter um aspecto permanentemente contemporâneo. Porque é na negridão e selvajaria da noite, com ultra-violência e sem falsos pudores nem postura politicamente correcta que um filme de vampiros deve ser. Depois de Thirst e Let The Right One In, é a vez de Daybreakers injectar um nova visão de desespero e falta de esperança, num futuro que é tudo menos brilhante.

Apesar de ninguém o mencionar em voz alta, há aqui um cheiro omnipresente a Matrix. Dois irmãos realizam um filme pós-apocalíptico bastante estilizado e em que os seres humanos são criados em quintas para abastecer aqueles que governam o mundo com um produto. Neste caso, sangue! Há também o herói improvável que dá provas de ser o “escolhido”.

Daybreakers apresenta uma perspectiva pouco ou nada usual no género: futuro, o mundo é governado por vampiros. Tanto vampiro que estamos a ponto de haver uma ruptura na distribuição de sangue, porque já não se consegue abastecer tanta gente. Existem complexos industriais que têm milhares de humanos em estado de permanente inconsciência para que o seu sangue possa ser “mugido” e pequenos bandos de humanos em fuga. Uma metáfora bastante interessante para a maneira como consumimos os nossos recursos. Mas o cinema de terror é assim mesmo, sempre uma metáfora para um problema real.

Apesar de todo o aparato, tanto de conceito como de design, o filme não entrega aquilo que promete. A ponto forte da narrativa é despachado sem timing e desilude um bocado. Mas compensa com outras coisas. Na secção de actores estamos bem servidos, com um Willem Dafoe imparável em oneliners, de qualidade quase tão pura como algumas pérolas dos anos 80. Ethan Hawke também não é nenhum estranho ao personagem marginalizado em filmes de ficção científica e um Sam Neill vilão com algumas dificuldades em demonstrar-se verdadeiramente maléfico, como é aliás o objectivo.

É um filme muito interessante, uma maneira agradável de passar o tempo, daqueles que até parece que dura 15 minutos de tão rápido que passa. A cena inicial é fantástica, com uma criança vampira a suicidar-se porque nunca irá experimentar o mundo na pele de uma pessoa adulta, bastante ao estilo daquela miúda esquisita em “Interview With the Vampire”. Mas não é uma obra prima. O trailer promete uma epopeia homérica pós-apocalíptica e os primeiros 20-30 minutos centram-se muito nesse conceito. Mas depois fica mais pessoal, mais humano e orgânico. Mais sofrido e também menos lógico e um bocado difuso. Lá está, errar é humano…

Mas ganhámos dois visionários que prometem vir a dar cartas no futuro. O mais provável é que os irmãos gémeos Michael Spierig e Peter Spierig comecem por mugir uma trilogia a este Daybreakers, depois logo se vê como gerem a carreira. Se continuarem a ter assim inteligência na escrita e conseguirem manter este técnica bem sucedida de misturar forte crítica social com carnificina no intuito de transmitir uma mensagem com sucesso, temos realizadores e argumentistas. Só têm que treinar melhor o timing da entrega do ponto forte da narrativa e arranjar um punchline mais efectivo, mais visceral, como este filme merecia.

Fica muita coisa por dizer e muita coisa meia dita, mas para isso servem os comentários. E se bem conheço a minha clientela, este filme já deve ter sido papado logo no dia zero, como manda a lei.

9 Comments

  1. Não gostei deste filme. O conceito que dá o mote ao filme achei brutal mas foi só mesmo isso. Era preferível terem feito uma curta. Meteram muita palha e nunca mais conseguiram encontrar o desenvolvimento sustentado do argumento. O Ethan Hawke tem uma representação sofrível e aquele som que ele faz quando tira o dardo espetado no braço foi uma comédia. Mas que foi aquilo? Um gato???

    Uma trilogia será um suplicio.

  2. Helder Oliveira

    May 12, 2010 at 6:34 pm

    A premissa era excelente.
    O filme é bom.
    A final fica a sensação que podia ter sido muito mais.

    Abraço

  3. “Mas o cinema de terror é assim mesmo, sempre uma metáfora para um problema real.”
    Isto é que é ser optimista!

  4. johny_broculos

    May 14, 2010 at 1:13 am

    é um filme que quero ver, não sei se é grande coisa ou não mas como fiquei com mto boa impressão do primeiro filme deles queor ver se se confirma o potencial, filme que aconselho a veres, se já não viste, porque pelo q leio neste blog ,e já lá vai um tempo, é um filme que merece ter uma aparição neste blog
    fica ai o trailer:

  5. Também estava à espera de mais… mas pronto, até é um filme porreiro, dá bem para passar o tempo.

  6. Queremos Twilight!!!!Fuck-fist nas mães quarentonas a pingarem suco vaginal…
    O filme tá porreiro mas não há espaço para trilogias. Agora qualquer merda dá uma trilogia. Falta fazerem a sequela da Paixão de Cristo. Tipo o retorno sangrento do filho de cristo a foder tudo o que é judeu e romano….

  7. É um daqueles razoaveizinhos que dá pena. A premissa era porreira mas depois é assim para o boff.

  8. concordo com “xiribi”. Criou-se um mito que deu em pouco.

    http://vidadosmeusfilmes.blogspot.com/

  9. Olha, um ganda filme que tá assim lado a lado com o Twilight e o Battlefield Earth é esse épico Alien vs Predator 2 – Requiem. É o magnum dos clássicos. Se tens seborreia e não consegues ver o teu próprio mangalho, então vê este filme e enfia um garfo nos olhos depois no fim…

    Isto está tudo relacionado com o daybreakers porque eu escrevi um post sobre a Bruna de Mirandela. Se ainda tiveres olhos, passa por lá…

    http://walkingincambridge.blogspot.com/

    Eu pessoalmente não ia. Prefiro uma massagem tailandesa com final feliz do que ler essa merda. Aliás, prefiro enfiar o sangue benenoso e ácido do Alien pelo cú acima…

    Já agora..podiam era fazer um Alien vs Twilight….

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