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Fringe

Torci inicialmente o nariz a Fringe apenas porque a sequência inicial do episódio piloto me fez lembrar a eterna e infindável agonia que é o Lost. Isso e também porque me pareceu demasiado X-Files. Tinha muita série para ver, não me apeteceu o esforço de aturar a curva de aprendizagem inicial de qualquer série que não seja totalmente simplória. Há cerca de um mês voltei a dar-lhe uma segunda oportunidade. Glorioso HD (pois claro) e estou agora no episódio 18 da primeira série, por isso cuidadinho com os spoilers nos comentários. Não é de todo uma série perfeita, tendo provavelmente mais pontos negativos do que positivos, mas analisemos então com um pouco mais de detalhe nas linhas que se seguem.

Fringe é uma série criada por J.J. Abrams, o que só por sim assume um protagonismo fora do normal para uma nova série. Isto significa que além dos episódios temos listas infindáveis de trivia, easter eggs, referências simples ou hipercomplexas, episódios cruzados e todo o tipo de informação viral que pouco tem a ver com a narrativa da série que apesar de não contribuir para a nossa felicidade, nos mantém ocupados e informados. Há também banda desenhada para complementar o já de si completo universo da série.

É quase impossível falar ou ver Fringe sem pensar em X-Files. Sim, apesar das diferenças geracionais as semelhanças são enormes. Personagem principal é o Chosen One, os casos paranormais, os “outros“, tensão sexual entre os protagonistas, personagens do FBI que se entregam fortemente aos casos pondo em risco o seu próprio emprego, teorias de conspiração e governos sombra. Mas claro que Fringe foi modernizado para os tempos que correm, a chamada época pós nine eleven.

Há coisas fantásticas em Fringe. A apresentação 3D dos locais onde se passa a acção ainda hoje me impressiona, a mitologia que acompanha toda a série, tal como nos X-Files, exerce um fascínio sobre nós que só queremos saber o final enquanto conjecturamos as nossas próprias teorias transdimensionais, pré-apocalipticas, no hope, ciências quânticas  hawkinguianas, descartando a hipótese de ser sempre um sonho.

Nem tudo é perfeito no reino de Fringe. A personagem principal, quanto a mim, foi um erro de casting. Não envolve o suficiente, não tem profundidade dramática para aguentar a série às costas. Apesar da mitologia ser boa, os casos do dia a dia são bastante infantis, todos os problemas complexos que apoquentam os cientistas há décadas são resolvidos no prazo de 24 horas de modo pateticamente simples, as ligações entre casos são por vezes demasiado forçadas, a ajudante de laboratório é a coisa mais apática que já vi numa série e as acções policiais são também elas simplificadas a roçar o limite do anedotico. Já agora, repararam que a mão da foto de cima tem 6 dedos?

I see you baby! Shacking that ass, shacking that ass!…

16 Comments

  1. Quando comecei a ver Fringe tambem me custou um bocado, e só insisti com a serie porque n’altura nao tinha mesmo mais nada pra ver. A serie começa mal, enfadonha, desinteressante e com personagens que nao cativam. Mas tudo isso muda radicalmente com o avançar da serie e das temporadas. Quanto a mim, de serie que começou bastante má, hoje em dia (agora que ja acabei de ver a segunda season e se espera pela 3ª) é uma das minhas favoritas!
    E no inicio eu tb nao gostava da actriz q faz de Olivia, mas agora tb já a curto bastante, tal como as restantes personagens.

  2. Eu só não gosto do velho… excepto quando não faz papel de maluco… aí nota-se quão forçada é a sua personagem principal.

    Olívia rules… e é buniiiita!

  3. Sem dúvida uma série que vai crescendo, mas tem muito episódio para encher chouriços. Mas ambos os fins das temporadas são brutais.

  4. O final da primeira temporada foi mesmo brutal. E acho que no geral a segunda temporada melhorou muito, até a Olivia está mais interessante 😉

  5. De vez em quando vejo um ou outro episódio na fox, mas não me chama o interesse… histórias de animais criados em laboratórios, miúdos mudos que viveram anos em túneis escuros? se calhar só me calham os piores episódios… Mas de certeza que podiam fazer melhor

  6. Nunca vi mas tenho um amigo que me mói a cabeça e diz que eu ia gostar.

  7. Esta série sem o Walter não existe. De resto, temos uma falsa escocesa com cabelo Vidal Sassoon, um panhonha que é suposto ser um génio da vigarice e um negro com a mesma cara de indignação há 4o episódios. Ah, a vaca também tem estilo.

  8. Escrevi este post há mais de uma semana atrás e só o publiquei agora por duas razões. Em primeiro lugar é claramente matéria de fim de semana, em segundo lugar porque queria ter tempo de ver os últimos dois episódios com receio de um overflow de spoilers, uma vez que o assombro desta série vive das pequenas surpresas. Já vi o season finale (da 1ª época) e devo dizer-vos que aqueles últimos 8 minutos são simplesmente avassaladores. Tanta possibilidade, tanto há ainda para explorar. Só mais uma coisa que quem já viu vai perceber: LEONARD FUCKIN’ NIMOY!!!…. Os dois episódios da segunda época que também já vi revelaram-se no entanto um bocado decepcionantes, um passo atrás no ritmo. Voltaram a encher chouriços, como disse tão bem o joemorales. Um grande vénia para as duas homenagens aos X-Files no primeiro episódio da época 2. É uma série que tem que ser vista de ponta a ponta. Petiscar episódios aleatórios só dá azia. A Olivia ainda não me convenceu, talvez quando lhe passe esta menstruação que a anda a apoquentar há quase dois anos… A vaca é que tem realmente estilo. E, como diz o Walter, “a segunda coisa melhor que um humano é uma vaca, a não ser, claro, que queiramos leite…”

  9. PS: Para quem nunca viu a série e esteja a ler estes comentários, só quero deixar claro que a vaca é mesmo uma vaca. Não é nenhuma metáfora para a protagonista. Digo isto porque tratar-se-á talvez da primeira vez neste estabelecimento que uma vaca é mesmo uma vaca.

  10. “uma vaca é mesmo uma vaca.” O_O Mein Gott!!

  11. “Um grande vénia para as duas homenagens aos X-Files no primeiro episódio da época 2”

    Podes explicar? Não fui grande fã de x-files, só da banda sonora, talvez por isso não tenha atingido esse comentário.

  12. Referência 1: numa cena aparece uma televisão a dar X-Files. Mulder a olhar para o céu à noite e a ver pela primeira vez a base aérea onde têm estacionados os Aviões Extraterrestres. Série 1, últimos episódios, se não me engano. Referência 2: os gajos da comissão do senado dizem que os casos do departamento Fringe estão a um passo de levar a classificação X, daí o X Files. Estão a um passo de levar ou já levaram, não me lembro.

  13. Como fã, eu sou suspeito ao vir aqui dizer muito bem de Fringe…
    Vá lá que o texto até nem desanca demasiado na série.
    A segunda temporada arrefece em ciclos depois de dar grande episódios (que os tem e especialmente a recta final).

    Também na altura notei a reverência prestada a X-Files, no fundo Fringe trilha caminhos semelhantes. Isto fez-me lembrar uma outra série, a Millenium, onde a certa altura por momentos as duas séries se fundem. Salvo erro (já vi isto há muitos anos), a dupla de X-Files vislumbram-se ao fundo a descer umas escadarias em Millenium… e acho que houve mais ocasiões parecidas, que agora não me recordo.

  14. Passou-me completamente. Não reparei em nada.

  15. calhando vou ter de sacar. Vi a apresentação da série antes de estrear, ou li numa revista qq, não me recordo, pareceu-me bem. Depois não acompanhei nunca. E ando numa fase em que não “compro” nada na net faz tempo. Estarei a ficar responsável ou apenas preguiçoso?

  16. Jmn: preguiçoso. todos temos essa fase 🙂 ou então ficamos com o disco rígido cheio 😉

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