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The A-Team (2010)

Trintões, vocês que eram putos cheios de piada e energia nos anos 80. Imaginativos, divertidos, um potencial praticamente infinito. Magros, bem parecidos, atléticos, uma saúde de ferro, namoradas novas a cada 15 dias, os maiores do liceu. Entretanto envelheceram, ganharam peso, a vossa energia parece ser diariamente drenada ao ponto da exaustão total no final do tarde, o tempo parece voar, a vossa vida sexual deixa de ser o vosso motor motivacional e o futuro de infinitas possibilidades transformou-se num corredor negro que atravessam diariamente, para lá de manhã, para cá à noite. Em 2010 uma entidade celestial genérica acha que vocês se encontram obsoletos e decide criar uma nova versão actualizada: bem parecida, energética, musculada e metrossexual (ligeiramente apaneleirada). Mas no processo de adaptação à nova realidade houve um efeito secundário que por força do mundo em que vivemos ninguém reparou: o vosso clone sofre de forte atraso mental, dificuldade de concentração, profunda falta de imaginação e a capacidade de raciocínio de uma alpaca moribunda. A isto chama-se um remake.

Ver o remake de A-Team é um estado de permanente deja-vu. A origem desse deja-vu não é o A-Team original, nada disso. A sensação de deja-vu vem de todos os remakes que têm vindo a aparecer nos últimos anos, que ressoam cacofonicamente em uníssono como um encontro dos ex-elementos larinjectomizados do coro de Santo Amaro de Oeiras.  Estes remake são todos iguais na sua essência e estrutura. Criados por pessoas que pensam conhecer os jovens da actualidade, são sempre aplanados para idiotas. O que significa que para os decisores de Hollywood um jovem é um idiota. Tivesse eu menos de 25 anos e ia já para a cave fabricar uns cocktails molotof, just in case

Ao adaptar séries e filmes dos anos 80 existe uma necessidade obscura de os estupidificar, simplificar para além das leis do admissível. Eu compreendo quem ache que se trata apenas de diversão, brainless fun. Compreendo a sensação, mas já não me identifico com ela. Quando começamos a ver um filme com planos tão rápidos capaz de criar crises de epilepsia para que os teenagers não se aborreçam com cenas longas, com som tão alto e despropositado que pensamos sentir sangue a descer pelo canal auditivo e em situações em que até as leis da metafísica e do paranormal são quebradas, temos que parar para pensar. Que merda é esta?

Não me consegui sequer concentrar. Estava ali um filme a rodar à minha frente e tudo me parecia nonsense acidental. Ainda por cima a minha quota mensal de filmes puramente idiotas foi largamente ultrapassada com o 100volta. Estava perante uma obra saca-euros no seu estado mais puro, um filme feito por contabilistas para rentabilizar acções de capitalização e menos preocupados em gerar entretenimento. Eu até duvido sinceramente que estas pessoas vejam os próprios filmes que criam…

Como um filho da geração de 80 venho pedir encarecidamente a quem de direito que parem de nos chacinar as recordações e os momentos nostálgicos que nos foram tão preciosos até ter aparecido esta moda de “Garimpeiros do Tempo”, que esfaqueia diariamente os nossos bens mais preciosos: as memórias ligeiramente alteradas para dar a sensação de felicidade.

9 Comments

  1. sinnercitizen

    July 30, 2010 at 2:39 pm

    é merdoso, sem dúvida… mas é o mais divertido dos remakes dos ultimos anos

  2. Puxa… será assim tão mau. Pelo que se vê no trailer e pelo elenco, a coisa não parecia assim tão má. Nem a Jessica Biel safa a coisa então…

  3. É como tu dizes, “nem com um pau de 5 mts”. E felizmente estou a ver que fiz bem em não ter ido ver isso.

    Mudando de assunto, estás a pensar em escrever sobre o Inception? O filme mais sobrestimado do ano…Queria ver a tua opinião. 😛

  4. tens que ver forçosamente o Inception.
    Um grande filme!

  5. Sim senhora este verão está a render umas excelentes reviews! Eu não vi o filme mas essa review podia ter sido aplicada a quase todos os blockbusters “geek orientados” dos últimos 5 anos. Jovem = Idiota ao qual acrescentaria Jovem = Idiota e tarado sexual (embora isto é daquelas cenas que costumam incomodar menos o cinemaxunga né ;P). Ainda assim acho que essas readaptações não prejudicam o original mas participam ao contrário à popularização do original que parece uma obra-prima em comparação com o seu remake. Para além do mais depois de ver um remake ficamos sempre com vontade de rever o original ou descobrir para quem não teve a oportunidade de nascer nessas alturas.

    Já agora aproveito para dizer que seria bom se uma pessoa conseguisse falar de um filme sem o Inception voltar todos os 5 minutos até quando não é chamado… O problema do Inception não é a sua qualidade (que é boa) mas dos seus fanboys e profetas que andam a pregar aquilo como testemunhas de Jeová. Eu sei que a malta jovem quer utilizar o filme para tipificar a sua personalidade gostando ou odiando aquilo de forma ostentadora mas por amor de Deus esperem ao menos por uma review antes de fazer qualquer comentário sobre o raio do filme.

  6. Já vi o filme (um belissimo R5) e gostei muito do filme. No fundo funciona como uma prequela, o ponto do antes de serem quem são e que tanto se falava na série mas que não recordo ter sido passado a episódio durante a série. Chega agora como filme em jeito remake. Não faz muita honra á série original, da mesma maneira que o remake de “Miami Vice” (por ex) também não fazia. O B.A. não tem o carisma que tinha o Mr.T mas o restante elenco da equipa-A foram certeiros nas escolhas. Apesar de tantas peripécias e reviravoltas (no fundo, a produção pegou em “templates” de Hollywood e fez este filme) é um filme muito divertido, cheio de graça e que me fez rir com vontade montes de vezes. A Jessica Biel foi muito mal aproveitada no filme. No lugar dela, poderia ter sido uma gaja qualquer que não faria diferença…
    Portanto, não concordo muito com a critica mas é uma entre muitas.

  7. Eu assim que vi o “traila” com um gajo a disparar morteiradas de um tanque em pura queda do céu pensei cá pra mim… vou mas é comprar uma grade de minis com o dinheiro do filme que assim ao menos sempre acabo a hora e meia com um sorriso…

  8. O problema…e para simplificar é que nos habituámos (sim, eu pertenço à tal geração) a ‘ver’ determinadas personagens e dificilmente, passados anos, se consegue visualizá-las de outra forma. Recordas-te da ‘Praia da China’, por exemplo…? Para mim, foi uma das melhores séries de sempre. E dentro da comédia…o ‘Alf’…belas gargalhadas… Enfim, agora, ‘reviver’ as histórias, as personagens, já não faz sentido, porque a nossa ‘memória’ é outra. Além disso, este tipo de filmes não cativam os jovens de agora, porque o universo deles (a nível de valores, do que pensam) é completamente diferente do nosso.

  9. Desilusão forte, este esquadrão…

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