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The Hurt Locker (2008)

Nunca fui apreciador de Oscars ou eventos de atribuição de prémios em geral, porque não gosto que decidam coisas para mim. Mas como não vivo numa caverna do Azerbeijão acabo sempre por levar com as avalanches de notícias relacionadas com estes eventos nos dias seguintes. É complicado tentar perceber factos concretos, porque parece ser mais importante o estilista de determinada actriz, informação de box office perfeitamente inútil ou rumores que envolvam invariavelmente Angelina Jolie e a sua atarefada vagina. Mas estranhei o OVNI vencedor deste ano, com aquela sensação que todos conhecemos, que é ver um cavalo sentado num sofá a beber chá numa reunião da Tupperware.

Obviamente não vi logo o filme a correr para dizer que, sim senhor concordava, ou não senhor porque desde Titanic que não se fazia um bibelot tão pomposo e insuflado a vácuo como Avatar. Comprei-o, como todos os que me lêem, no mercado alternativo, o famoso ficheirinho em segunda mão. E mantive-o quentinho, em arquivo morto, à espera de melhores dias.

E esse dia chegou.  Carreguei em play e detive-me, incauto, à espera da habitual ausência de conteúdo, a típica característica “agradar a gregos e troianos” transversal a todos os award winners. No entanto o escárnio preconceituoso rapidamente se evaporou e fui absorvido para uma realidade dura e pouco retratada pela máquina Hollywoodiana, como se o ínicio de uma vaga de novo cinema de “Vietname no Iraque” tivesse acabado de começar.

The Hurt Locker não é um filme fácil, não é daqueles que nos faça devorar pipocas de excitação. Retrata uma realidade distante da imagem que é projectada da guerra do Iraque. Não é ainda aquela crítica que falta, mas dá para perceber que uma geração de stress pós-traumatico provocado por feridas emocionais de guerra está a chegar aos States. O dia-a-dia de uma equipa de desmantelamento de bombas mostra soldados psicologicamente afectados e com dificuldades de integração na sociedade que os venera à distância como heróis.

A sua faceta documental afasta a narrativa do esquema típico do filme do herói que tudo ganha. Pelo contrário, erros são cometidos e o “herói” é apenas um tipo desequilibrado que precisa de se afirmar e de arriscar muito para se sentir vivo. Há incoerências, há arcos narrativos desnecessários, incompletos, supérfluos. Mas tudo contribui para caracterizar aprofundadamente este personagem, que é a finalidade deste filme.

É um filme interessante, mas choraria o meu dinheiro se tivesse que pagar mais que 0,99 cêntimos por ele. Faz-nos pensar acerca de quem lambeu e que bolas foram lambidas…

4 Comments

  1. “Faz-nos pensar acerca de quem lambeu e que bolas foram lambidas…” foi a frase só agora resgatada do meu pensamento, desde o dia em que vi o filme. E sim…a leveza de espírito da narrativa é amorosa.

  2. Olha, vi este filme antes de toda a euforia. Desde então já o revi umas 4 vezes, pois como assinante dos canais de cinema a 5€ mensais tenho estas oportunidades, assim como a de ver muitas mamas adolescentes.

    Tenho que discordar de ti Pedro, este filme é composto pode não ser totalmente original, pode pairar nele o espírito do Kubrik ou do Stone nos seus filmes sobre o vietname (sabes de quais falo), mas para mim é o melhor filme feito sobre esta guerra de quase 10 anos na qual os americanos estão envolvidos.

    Para mim vale bem o dinheiro que não paguei por ele no cinema

  3. Também discordo. Os quase 5 euros que dei (porque usei o meu cartão de estudante caducado há anos) foram muito bem empregues, até porque por tê-lo visto meses antes das nomeações, partilhei a sala apenas com uma ou duas pessoas que estavam ali para ver o filme e não para socializar com as amigas pitas ou empanturrar-se de pipocas. Além disso, a Bigelow tem tomates: faz “falecer” os únicos gajos conhecidos (o Pearce e o Fiennes) 5 minutos depois de entrarem em cena. 😉

  4. fora de contexto, eu sei, mas…O CHEWBACCA À SEXTA!?

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