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The Human Centipede (First Sequence) (2009)

O sub-género do cinema de terror chamado torture porn vive tempos de expansão. Não é um estilo que goste, longe disso. Acho-o inutilmente excessivo, gratuito, exibicionista e vazio de mensagem ou narrativa. É o choque pelo choque, a tortura em lume brando, que não é nada de novo. A cada dez anos surge uma vaga desse cinema. Human Centipede é um filme que encaixa neste estilo, um filme que nasceu da especulação mediática dos sites e revistas da especialidade. E foi esta habitual desonestidade do hype que nos obrigou a vê-lo. Porque isto é mesmo assim, tínhamos que o ver. E a única conclusão a que chegamos é que Kevin Smith tinha razão em Clerks II: “You never go ass to mouth!

Mas pronto, como no mesmíssimo Clerks II Rosario Dawson respondeu a esta questão com um apaixonado “Sometimes, in the heat of the moment, it’s forgivable to go ass to mouth.“, quem somos nós para não dar uma oportunidade a Human Centipede. Obviamente que acaba por ser tempo mal gasto, porque este filme não merece a nossa atenção, não merece que tiremos tempo para conviver com as pessoas que realmente amamos para o ver. Sim, porque eu nunca me atreveria a ver tal filme com alguém que ame.

Então a narrativa é mais ou menos esta: um cientista louco rapta 3 pessoas para fazer uma centopeia humana. Ora, esta centopeia consiste em unir cirurgicamente a boca de uma pessoas ao recto da pessoa da frente, criando assim uma criatura com um sistema digestivo comum, o que significa que o segundo tem que comer o que o primeiro caga e o terceiro é um desgraçado que já nem isso apanha, mas pelo menos não lhe cozem uma boca no buraco do cu. E é isto. Depois eles tentam fugir, o cientista luta, aparecem pessoas que acham estranho, yada yada yada.

Senti-me violado por esta porcaria de filme, apesar de não esperar nada de bom. Confesso, estava a pedi-las.  Como os acidentes na estrada, quando sabemos que algo horrível está no meio daquelas ambulâncias mas não conseguimos desviar o olhar. Espera-se uma continuação para este farsa idiótica com o subtítulo de “Full Sequence”. Felizmente consegui encontrar uma imagem de pré-produção para partilhar convosco.

(clicar para ampliar)

The Human Centipede - Full Sequence

The Human Centipede - Full Sequence (pre-production shot)

Especial atenção ao cão…

6 Comments

  1. Confesso que já há uns meses que andava à espera da tua crítica a este filme. Ainda não o vi, não por saber que será uma bosta seca, mas por anhice.
    No entanto, talvez como tu, sinto uma vontade massoquista de ver isto um dia destes. Afinal, os filmes horríveis são tão ou mais tema de conversa numa esplanada com os amigos, do que os filmes bons.

  2. Só tens que ter cuidado com a expressão que fazes quando fazes o sumário do filme aos teus amigos. Hoje à hora de almoço devo ter deixado sair aquele ar que quem não ficou completamente horrorizado pelo filme e apanhei aqueles olhares de “Este rapaz não regula bem da mona… Gajas com a boca cosida no rego de outras gajas? WTF!”

  3. Epá, apesar de também não ter gostado deste filme, a sequela parece-me bem mais interessante 🙂

  4. Chiça, nunca tinha ouvido falar desta coisa. Não me lembro de premissa tão sexualmente promíscua desde aquele “Teeth” (ex-Vagina Dentata)… que já agora nunca vi porque não quero provocar pesadelos ao meu amiguinho de baixo.

  5. Ando com este no pc basicamente desde que saiu. É recorrente tema de conversa entre amigos, mesmo quando nem todos o viram. Eu confesso que nunca cheguei a ver por completo porque, lá está, sempre me cheirou mal. Sempre me pareceu ter pinta de ser muito hype que nunca se concretiza (o trailer evidencia isso, praticamente). Mas “desfolhei” o filme varias vezes, só mesmo por descarga de consciencia e pra apanhar as cenas mais “coiso”. Uma treta, basicamente.

  6. Não o achei assim tão mau como o queres pintar, Pedro. É um filme que se pode dizer simples e consegue com pouco fazer algumas coisas. Vejamos que é todo ele passado num único local (interior e exterior da casa) e sabe instalar um certo mau estar de terror psicológico (o interior labirintico). Contudo é o conceito em si que o torna potente, o horror provém de toda a situação sádica, o toque de inevitabilidade a que as vitimas são sujeitas. Já o vi há algum tempo e gostei do filme. Não o sei classificar de mau mas também não é bom. É o que é… ao menos tem ideias e um conceito perversamente interessante para impelir a vê-lo. E espero com interesse pela sequela…

    @cinemapongal: Já vi esse do “Teeth”… é um absurdo mau filme mas a ideia em si desenvolve-se interessante o suficiente para se o aturar…

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