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Coming to America (1988)

Numa altura em que o Ronald Reagen rotulava a União Soviética de “Evil Empire” e o planeta se precipitava ferozmente em direção ao apocalipse final, o mundo parecia mais entusiasmado com coisas realmente importantes, como a carreira de Eddie Murphy na pele do novo rei da comédia mundial ou a discutir qual dos membros dos Modern Talking era mais paneleiro.

Eddie Murphy foi rei e senhor dos blockbusters humorísticos, num registo que dominou por largos anos. O seu período de glória estendeu-se de 48Hrs. (de 1982) até Vampire in Brooklyn (de 1995). No entanto foi com este Coming to America que levou o seu estatuto num nível acima ao inovando na arte do multi personagem, característica que posteriormente iria ser a sua imagem de marca. Neste caso personificando uma galeria de secundários bastante diversificados, incluindo um caucasiano. Arsenio Hall, o Conan O’Brien da altura, também fez um bom papel de sidekick submisso, sofrido e leal.

Coming to America fala-nos de um príncipe de um reino africano imaginário que vai passar uma temporada a Nova Iorque antes do seu casamento. A sua missão é procurar o verdadeiro amor e o filme vive do conceito de “peixe fora de água” que conquista o verdadeiro amor pela sua pureza e , uma variação de Crocodile Dundee ou mesmo Dragon Ball (porque não?).

Mais do que vir para aqui vomitar umas sinopses e massajar o escroto de Eddie Murphy, o que realmente me fez escrever sobre este este filme é o arrojo perdido das comédias dos anos 80, que não se detiam às ditaduras puritanas das novas elites de Hollywood ou aos códigos de ética politicamente corretos e polidos para transmitir uma falsa sensação de moralidade. É certo que sinto falta de alguma crueza no cinema mainstream, algo que dê aquele toquezinho artesanal a uma obra que é claramente produzida em massa a partir de templates de estratégias de marketing.

Tirando os anos 80 e o Vampire in Brooklyn, não há nada que me faça ter saudades de Eddie Murphy. Mesmo o burro de Shrek, que teve piada à primeira, mas que à 17ª deixou de ter o mesmo charme original.

NOTA: Aparentemente o meu corretor (lá está ) ortográfico insiste em que adira ao novo acordo. Quem sou eu para deter a marcha galopante do progresso linguístico?  Se o corrector continuar a insistir, será assim a partir de agora. Para quem já é enrabado 3 vezes por dia pelas medidas de austeridade, mais um dedinho acaba por não incomodar.

3 Comments

  1. Este foi sem duvida um dos filmes que mais vezes vi na minha vida! Cresci a ver isto, basicamente. E ainda hoje, de vez em quando, lá mando uma referencia dos Sexual Chocolate ao pessoal e fica sempre tudo a olhar pra mim com cara de parvo. Uma tristeza quem nao conhece isto…

  2. O Coming to America, apesar de ter sido feito após os 2 primeiros Beverly Hills Cop e com 5 anos de diferença, foi um regresso à raízes de Eddie Murphy quando trabalhou com John Landis (Blues Brothers e Animal House) em Trading Places (inclusive no filme aparecem os cameos de Randolph e Mortimer Duke) onde, na minha opinião, esteve bastante melhor que no inenarrável Vampire in Brooklyn (o pior de Wes Craven).

  3. é dos filmes que mais me lembro de ver em puto. já o revi umas 20 vezes. esse e o trading places que é muito melhor filme. de qualquer forma este coming to america é uma referência que fez o eddie murphy ser dos meus actores favoritos em puto. pena que agora só faça merda.

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