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GOZU aka Gokudô kyôfu dai-gekijô (2003)

Para quem conhece Takashi Miike, as palavras “bizarria” e “demência” são bastante familiares. A estrutura deste filme acaba por se assemelhar bastante ao filme Spirited Away (A Viagem de Chihiro), mas em vez de ser para crianças é para alucinados e cinéfilos com tomates. Há um tipo que desaparece e o seu amigo faz uma fantástica viagem em busca do seu corpo. Nessa viagem conhece uma mulher que comercializa o leite dos seus próprios seios, um homem com uma estranha doença de pele que parte o pescoço ciclicamente, um medium poderoso que só funciona quando lhe açoitam o rabo com um chicote, um tipo com cabeça de vaca, um parto fora do comum ou mesmo um senhor que quando acorda é uma senhora… E isto é apenas a parte convencional do filme.

A cinematografia é de constante claustrofobia e pânico, colocando o cinéfilo desprotegido no meio de um desconfortável ambiente que nem o final vem aliviar. Tal como em todos os seus filmes, Miike não filma em cenários, usa sempre locais em que é só levar a câmara e disparar, com pouco material. É assim que faz uns 5 ou 6 filmes por anos. O homem caga filmes…

É um filme não convencional, algo que faz parecer o cinema da David Lynch filmecos para larilas. Mais do que um murro no estômago é uma sucessão de duas horas de murros na cabeça, um espectáculo de surrealismo violento, uma partitura de sangue e horror. A meu ver, é uma obra prima.

Quando se fartarem de lamber o cu ao cinema de Hollywood e ficarem com aquela sensação de vazio e refluxo ácido, vejam este…

ARQUIVO: Publicado no cinemaxunga antigo a 18/12 de 2005

1 Comment

  1. O que acho incrível é o modo como este senhor consegue passar do filme mais bizarro à obra mais inócua. É preciso ter talento, independentemente de ele fazer imensos filmes ou não.

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