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Excision (2012)

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Facto: a puberdade é a fase mais dolorosa do crescimento. Quando as crianças começam a ter sensações estranhas, a relação com o corpo é de amor/ódio, tufos de pêlo populam áreas de de pele outrora caracterizada pela frondosa suavidade, o apocalipse dos pessegueiros (esgalhados)… É nesta fase que se forma a nossa personalidade e é uma fase que nunca corre bem. A razão de sermos adultos disfuncionais, descompensados e de humores irregulares nasce, em parte, pela falta de equilíbrio nessa fase crucial do crescimento. Mas não se preocupem porque somos todos assim, imperfeitos, incompletos. Há, no entanto, quem não se safe e se deixe engolir pelo ciclone hormonal e emocional do fast forward evolucional pre-teen. É nestes mares da extrema disfunção e desequilíbrio em todas as frentes que navega Excision, o freakshow do ano.

 Duas razões me puxaram a ver este filme. Em primeiro lugar porque é um filme “choque” e eu não resisto a filmes “choque”. Já fui mais aficionado do género, mas desde que me tornei pai de filhos que há certas coisas que não me encaixam com a mesma naturalidade. Não vi, por exemplo, o Serbian Movie porque sabia que já era para lá da fronteira daquilo que aceito como razoável dentro da área “choque”. Mas este pareceu-me bem, bons posteres, trailer apelativo e uns minutos iniciais a condizer. PLAY. Estaria a mentir se dissesse que vi Excision apenas pelo factor choque. O factor Traci Lords também pesou imenso. Desde 1984 1986 que sou fã. Pena que as suas melhores performances tenham sido banidas do mercado por causa de um problema menor com uma falsa certidão de nascimento e rego devassado perante as câmaras de modo irregular perante grande parte das legislações mundiais.

Excision fala-nos de uma moça perturbada com graves problemas em todo o leque de patologias psico-sociais que faz a vida negra aos seus pais. A sua mãe (Traci Lords) é uma conservadora extremista puxada directamente do imaginário MILF republicana de subúrbia norte americano.O seu pai só quer masturbar-se em paz e que a sua esposa se cale. A sua irmã é uma menina débil com um doença terminal. O filme salta entre o real e a maneira especial da teen ver o mundo, com sangue e sexo. Bizarro será mais uma vez o melhor  adjectivo ao decorrer desta narrativa. Bom, depois há umas voltas e reviravoltas e acaba no maior unhappy ending dos últimos 12 meses.

Independentemente de todas as razões que me puxaram a ver este filme e não outro, fiquei bastante surpreendido pela positiva. Esperava um horror nonsense com gore de série B e acabei por ter em troca uma complexa trama pessoal e familiar com conteúdo suficiente para agradar a uma vasta gama de público, do stoner de faculdade à solteirona de 52 anos que é psicóloga lá na escola dos vossos filhos (ou qualquer relação de parentesco que possam ter com crianças que frequentem escolas suficientemente afortunadas para ter uma psicóloga, ainda que demente e sem bases morais para aconselhar quem quer que seja).

E era isto que vos queria dizer. Que na realidade é basicamente um grande bloco de nada. Fiquem com fotos e posters e merdas que para aqui meti para não se sentirem defraudados pelo vazio intelectual deste post. Ah, é verdade, só mais uma coisa: John ‘fuckin’ Waters. Ainda por cima com padre… Um padre cheio de moralismos judaico-cristãos fortemente baseados em interpretações livres e extremistas da palavra do Senhor da Bíblia Sagrada, esse best seller com tantas críticas tão irregulares que a nossa protagonista não lê por não achar um bom investimento intelectual e uma perda de tempo.

 

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3 Comments

  1. Este deve ser um dos filmes de terror com o trailer mais apelativo que vi nos últimos meses.. pena que o filme não acompanhe esse feito.

  2. “Desde 1984 1986 que sou fã”, If you know what i mean (blink blink)

    Obrigado pela crítica esclarecedora, vou fugir disto a sete pés!

  3. O pessoal é tramado: epá, é um grande filme! Não pela duração (1h20), mas pela temática, tensão e envolvência de toda a narrativa. Traci Lords em grande, e não porque recorre aos atributos do passado para se fazer notar. A ver!
    Para não variar, a semi-analise do Xunga é um hino à prosa bloguista, claro!

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