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Comédias –Top 10 [part deux]

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Tops. A velha arte de não dizer nada de verdadeiramente relevante marinado num molhinho de erudição. São escritos incontestáveis devido ao seu cunho pessoal, o último refúgio de um cobarde. Desde que Adão fez o seu Top 1 de “melhores gajas aqui da zona” (que não incluía Eva) que se tornou tradição ordenar itens relacionados entre sido por métodos manhosos numa escala de elevada subjectividade. E com este bloco de texto jeitoso passamos à fase final da nossa lista, uma promessa eleitoral que irei cumprir.

5 – Spaceballs (1987)

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Mel Brooks é um génio da comédia e o seu humor muito característico fez furor nos anos 80, pelo menos para os ratos de videoclube onde este vosso humilde escriba se inseria. De toda a sua gama de filmes, uma espécie de Stanley Kubrick do absurdo, Spaceballs destaca-se pelo mediatismo e por ainda fazer não ter caído do esquecimento devido à boleia que apanhou do franchise Star Wars. No entanto o destaque que merece nesta lista deve-se à sua obra como um denso bloco de risota. Honremos assim obras superiores neste item como Blazing Saddles, History of the World Part 1 (sem sequelas), Young Frankenstein ou mesmo Robin Hood Man In Tighs.

Verdade Absoluta: Spaceballs é o segundo melhor Star Wars de todos, superado apenas pelo Empire Strikes Back.

4 – Airplane! (1980)

airplane-1980-cockpit (Custom)

Airplane iniciou um tipo de humor conhecido pela santíssima trindade Zucker-Abrahms-Zucker. É certo que depois de anos de forte vivacidade criativa o género embateu ne frente contra um poste conhecido como a praga dos  “qualquer coisa Movie”, mas no tempo das vacas gordas (literalmente em Top Secret) foi um género de humor que reuniu a crítica mundial em volta de uma confortável fogueirinha de unanimidade. Carregado de momentos clássicos tão fortes que ninguém se esquecerá deles enquanto forem vivos, por muitos psicotrópicos que tenham consumido.

Rumack: What was it we had for dinner tonight?
Elaine Dickinson: Well, we had a choice of steak or fish.
Rumack: Yes, yes, I remember, I had lasagna.

 3 – Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964)

Peter Sellers in Stanley Kubrick's DR. STRANGELOVE (1964). Credit: Sony Pictures. Playing 5/22-5/28.

Stanley Kubrick assina aqui mais um brilhante filme, desta vez em tom de comédia. O mundo enfrenta o eminente apocalipse e as nações têm que se entender para evitar o fim dos tempos. Kubrick armou-se de uma arma de destruição maciça chamada Peter Sellers e rebentou com todos os tops cinematográficos (temáticos ou genéricos) com a mais poderosa crítica à guerra fria alguma vez feita. É a grandiosidade a múltiplos níveis daquele realizador insuportável e autista que nos habituámos a amar.

2 – Clerks. (1994)

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Kevin Smith, magro, estreou-se no mundo do cinema com um clássico instantâneo chamado Clerks. (com ponto) que conta a história de dois slackers e de dois stoners que parecem ter resposta para todas as questões metafísicas que intrigam a humanidade desde que Tales de Mileto foi lavar os tomates a um rio da Fenícia e ponderou acerca da origem de todos aqueles idiotas que partilhavam consigo o mesmo gosto por oxigénio. Um marco incontornável para qualquer fanboy do Star Wars ou Lord of the Rings hater. É, sem dúvida, o melhor guião de todos os tempos, com diálogos perfeitos e um carisma que ainda hoje ressoa em todos as conferências de cinema Low Budget e “Como na realidade não preciso de um câmara de 500.ooo dólares nem de levar no cu de três produtores de Hollywood para fazer um filme interessante“. Na realidade basta levar no cu de dois produtores. Que o diga Ben Affleck, que levou no cu de dez produtores e ainda assim não produz nada de jeito.

1 – Life of Brian (1979)

lifeofbrian

Silêncio que se vai parar o baile. Joelhos flectidos, atitude cabisbaixa, respeito. Falemos de perfeição, de atitude e de não ter medo de enfrentar o mais vil dos tabus em prol de umas boas risadas. Graham Chapman, John Cleese,Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones,Michael Palin, deuses entre os homens. Verdadeiros inovadores em comédia, responsáveis por aquilo que se convencionou chamar de “humor inglês”, especialistas no surreal, mestres dos mestres. De toda a sua carreira não há uma única nódoa que se possa apontar. Talvez The Brothers Grimm nunca devesse ter sido realizado por Terry Gilliam, mas um homem precisa de dinheiro para pagar as suas contas e sustentar os seus vícios.

Life of Brian continua ainda hoje a provocar tanto (ou mais) do que provocou quando estreou. Queiramos ou não, temos que admitir que a nossa sociedade tem vindo a estupidificar desde os anos 60. Mais radicalismo, menos cepticismo, estupidez colectiva sobrepõe-se sempre à astucia individual e um conjunto de ferramentas que foram criadas com a ilusão de nos libertar e informar (tv, internet, etc) que na realidade contribuem para nos aprisionar numa redoma de letargia hipnótica, obedecendo e temendo o nosso dono. A consumir que nem cães sem questionar o que a sagrada palavra do marketing nos diz. São filmes como este que precisamos, para agitar as águas, para perceber que o rebanho não é sempre a melhor solução, para rosnar em vez de latir, para quebrar a confortável apatia na norma, a norma que faz de nós meros autómatos, invólucros de vácuo. A Pig In a Cage On Antibiotics.

Os Monty Python moldaram-me, fizeram-me compreender que grande parte dos rituais do quotidiano são seguidismo de quem tem medo de ser individual, de quem encontra conforto em seguir ordens, de quem tem preguiça de pensar e inspirar o doce aroma da independência. Muito disto tem a ver com este filme, Life of Brian, que levanta questões tão pertinentes que nem o humor que as envolve lhes retira a gravidade e a importância. Se sentem assim tanto a necessidade de aderir a uma religião e o nível de midichlorians não vos permitir ingressar numa academia Jedi, que a vossa religião seja Monty Python.

Brian: I’m not the Messiah! Will you please listen? I am not the Messiah, do you understand? Honestly!
Girl: Only the true Messiah denies His divinity.
Brian: What? Well, what sort of chance does that give me? All right! I am the Messiah!
Followers: He is! He is the Messiah!
Brian: Now, fuck off!
[silence]
Arthur: How shall we fuck off, O Lord?

 

 

1 Comment

  1. Vou assumir que Groundhog Day, Big Lebowski, This is Spinal Tap e Office Space, são mais que comédias e como tal não entram neste top 😛

    E Naked Gun, In The Loop, Galaxy Quest, Raising Arizona, Team America, Bad Santa… E uma lista destas tem também que ter um fime qualquer do “prime” Eddie Murphy. Coming to America por exemplo. “The royal penis is clean, your Highness.”

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