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O monstro-vagina de Verhoeven

monstro-vagina

Todos os dias são dia de deboche no Cinemaxunga, mas às quintas as coisas saem completamente fora de controle. É o efeito cientificamente reconhecido e comprovado conhecido como o pré-pré-fim de semana (pré2-fim de semana). E é dentro desse ébrio espírito festivaleiro que vos falo hoje do monstro vagina de Starship Troopers do mestre Paul Verhoeven.

Verhoeven é conhecido pelo seu acutilante sentido de humor e da permanente crítica ao american way of life, principalmente na fase de Robocop, Starship Troopers ou Total Recall. Antes de o terem topado, portanto! Normalmente apresentado um futuro federalista fortemente militarizado e a fazer a extrema direita actual parecer o partido comunista de Álvaro Cunhal. O chamado fascismo de nível 9000 para quem tem pejo em chamar-lhe “nazismo” ou democracia selectiva. O sociedade distópica a meio gás, o típico pré-Skynet ou Fahrenheit 451. Alphaville com naves espaciais e insectos gigantes do espaço, vá!

Ora, em Starship Troopers o imperador dos insectóides é um bicho cuja boca se assemelha a uma vagina, com lubrificação e funcionalidades muito similares. Será este design propositado? E se sim, porquê?

O monstro foi realmente idealizado como uma vagina, para tornar a sociedade dos bichos uma espécie de monarquia matriarca que os americanos querem terminar a todo o custo. Uma vagina gigante que pretende controlar a sociedade varonil e misógina da america actual (não da sociedade retratado no filme). Bom, e nada melhor que ganhar a guerra do que dominar o monstro-vagina, torturá-lo e submetê-lo á masculinidade do exército americano. E terminar com uma gloriosa apoteose depois do veredicto do vidente oficial da infantaria que profere um “It’s afraid!” encorpado de orgulho macho. A ruindade vaginal está assim dominada para usufruto masculino e o facto do medium ser homosexual só veio levantar sobrolhos mundialmente 15 anos depois quando o estelar playboy Barney Stinson veio revelar que, afinal, a única vagina que usa regularmente é o seu próprio ânus. E com esta piada de gosto duvidoso, vos deixo.

Quer dizer, não vos deixo já. Porque existe ainda outra interpretação de que a inteligência sucumbe à força bruta, o que nos leva ao incontornável ponto da vagina representar a inteligência, que não sendo inteiramente improvável é bastante duvidoso. Se a vagina representasse astúcia, perspicácia, subtileza, controlo mental ou culpabilização do parceiro sob a forma de sonoros “passas o dia no sofá em vez de fazer outra tarefa que te faça sentir miserável e inútil” ainda acreditava.

Fica a multimédia relacionada com o tópico em epigrafe e aos seus supracitados temas sucedâneos.

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E, claro, os banhos mistos. (clicar para ampliar)

Banhos mistos

2 Comments

  1. a minha teoria é que o Barney Stinson na altura do Starship era virgem…. disseram-lhe que as vaginas eram como aquele “insecto”, logo a seguir virou homossexual!

  2. Por falar em monstros-vagina, o seguinte trailer, para além de motivo de estrondosas gargalhadas, também tem outro que fica na memória.

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