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A Boy and his Dog (1975)

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Surgia em 1975 um dos filmes mais mal compreendidos de  sempre. Um pós-apocalíptico que não era drama nem acção, um bocado aparolado nas escolhas estéticas, personagens moralmente desprezíveis e cujos protagonistas eram um cão telepata e um jovem violador. Foi arrasado pela crítica, desprezado pelo público e maltratado pela sua produtora, mas o tempo fez-lhe justiça. Por isso puxem uma cadeira e comam um pudinzão, vou contar-vos a história de um rapaz e do seu cão.

Depois da quarta guerra mundial, que teve a curta duração de 5 dias, o mundo foi transformado num árido wasteland sem capacidade de produzir sustento para as poucas almas que por cá ficaram. É mais de um século depois deste evento que vamos encontrar os nossos personagens, vagueando pelos imensos desertos à procura de algo que lhes permita sobreviver mais um dia. O inteligente cão telepata  é o mentor. Ensina-lhe um pouco de História e fala incessantemente do El Dorado, um local para lá das montanhas onde o chão é verde povoado de abundantes culturas agrícolas. O rapaz, um pueril Don Johnson, quer comer gajas, fornicar, foder, por outras palavras é violador em série. Uma vez que o excesso de pó e a larica faz com que as gajas não costumem estar viradas para o festa rija quando Don Johnson aparece a brandir violentamente o seu túrgido pirilau, o sexo consensual é pouco abundante. Além de toda a imoralidade acima descrita, o principal negócio deste futuro árido parecem ser os cinemas porno com um (única) prostituta a despachar às centenas de cavalheiros por noite.  Resumindo: um cão telepata que precisa do rapaz para subsistir, um pós-adolescente em eterna ereção que precisa do cão para lhe encontrar gajas pelo faro. Sexo everywhere.

Eram os anos 70, tudo conta. Um dos problemas deste filme é a sua componente moral, nenhum personagem tem características que o redima aos olhos do público e isso é algo que normalmente dá em flop financeiro. O cão é interesseiro e manipulativo, o rapaz viola que nem um cão, o interesse amoroso é uma adúltera trapaceira, uma sociedade subterrânea que entretanto se atravessa no caminho dos nossos heróis usa como modelo constitucional as mais cruéis distorções morais e legais alguma vez vistas em cinema e os maus muito maus continuam maus muito maus e até acabam por ser moderadamente maus em comparação com o exageradamente mau dos bons.

No entanto o humor negríssimo (melhor fim de sempre, atenção!) e as impiedosas reviravoltas do argumento fazem deste um dos meus filmes de eleição no que diz respeito ao pós apocalíptico. Tem um primeiro acto um bocado alongado, exagero no buildup, mas depois recupera bem. As escolhas de maquilhagem e design da sociedade subterrânea não é das mais felizes, mas o surrealismo fica-lhe muito bem. Apesar do fiasco comercial que foi, uma péssima carreira nas bilheteiras e um arranque conturbado para Don Johnson, um poderoso culto acabou por se instalar à sua volta e até aos anos 90 foi um herói de sessões da meia noite e drive-ins. Se não tivesse sido um flop financeiro nunca teria tido esta fenomenal carreira nem todo o buzz que o rodeia. Recentemente recebeu uma edição Bluray que prova que a seu sucesso está longe se de acabar.

De salientar que este ambiente pós-apocalíptico foi uma influência crucial de George Miller na criação do futuro estéril do Road Warrior (Mad Max 2).

Não é um filme popular entre as mulheres, por isso se querem molhar o pincel desaconselha-se a levarem a cara metade. Se soltarem um sorriso que seja na cena final, a vagina da vossa amada estanca hermeticamente como berbigão em dia de tempestade.

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Outro rapaz e o seu cão

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