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O cinema como ferramenta de harmonia conjugal

paz-e-amor
Quem gosta do cinema até ao seu âmago cedo percebe que nem todas as pessoas servem como co-piloto em navegação cinéfila. Não há problema, bons amigos não precisam de partilhar hobbies. Com o tempo aprendemos a equilibrar a nossa paixão. Guardamos alguns filmes mais mainstream para ver com os amigos, gostamos ou fingimos gostar para não levantar problemas ou achincalhamos gratuitamente além do limite do razoável. Tudo isto é a vida, tudo isto é saudável e a saúde social da nossa existência assim o exige. O problema mais complexo, porém, jaz latente e mortífero entre as paredes da nosso próprio lar. Qual gatilho capaz de aniquilar uma relação ou terminar sumariamente as perspectivas de actividade sexual no curto prazo. Falo, obviamente, dos filmes a ver com a esposa / namorada / amante / estudante de enfermagem que não acha estranho que não queiramos ser vistos em público com ela. Causa frequente de envenenamento conjugal, escolher um filme para ver a dois na intimidade do lar é uma dolorosa empreitada que não pode ser  evitada nem adiada. Cada opção pode revelar-se um mortífero campo de letais areias movediças. E todos estamos fartos de ver filmes da Cameron Diaz em cuecas, a ser galdéria a saltitar e a dançar com aquele rasgado sorriso numa boca capaz de albergar em simultâneo dois generosos e saudáveis narços em avançado estado de intumescencia, Mas isto é mesmo assim. Lá no trabalho somos uns heróis, arrasamos nas reuniões, ordenamos obras de milhões, lideramos equipas de indomáveis patifes, domamos leões, caçamos crocodilos, marcamos golos pela selecção ou cortamos eucaliptos com uma simples machadada, mas em casa “lavas a loiça e não pias!”. Assim, ocasionalmente, há que consumir um filme de gaja pela salubridade conjugal e servirá este texto como guia de sobrevivência, porque às vezes mais vale um gajo atirar-se para baixo do comboio do que aturar um mulher furiosa durante uns dias.

E é preciso que as nossas senhoras saibam que passamos por isto porque as amamos, porque sofremos por elas. Tempos houve em que ásperos maridos de casamentos mal arranjados lhes davam duas bofetadas para irem chorar e passar uns dias a casa da mãe ou dar-lhes cento e cinquenta escudos para o taxi. Hoje em dia, nós como maridos de uma geração de excepcional qualidade, gostamos de manter o amor  alimentado em constante caldeira de paixão. Daí que uma saudável dieta cinéfila se afigura essencial para o amor fluir livremente, sem complexos nem barreiras.

Elaborei, para o efeito, uma lista com filmes que um casal possa degustar no aconchego do seu lar. Filmes que não sendo propriamente exemplos superiores de arte cinéfila são filmes que não nos fazem sangrar dos olhos. São compromissos, são filmes seguros que penso agradar áquilo que considero o casal médio. Estamos aqui a falar em termos estatísticos. Claro que haverá desvios ou excepções à norma, casais que apreciem umas trocas, a malta do hard sadomaso / dominação / esmagar os testículos com sapatos stiletto, afagar equideos e animais de médio porte, os casais que nem sequer vêem cinema e os casais que nem mesmo com cinema lá vão. E quando falo de casais falo de todas as combinações possíveis de orientação sexual que, segundo o facebook, podem ser 1296. Fora os trios, os poli-amores e degenerados em geral.

Diga-se ainda que o sexo masculino não tem o exclusivo desta perturbação conjugal. Quantas vezes uma colega cinéfila de gosto refinado se vê embeiçada por um saudável latego cujos gostos cinematográficos oscilam entre o horrível e o horrendo. Não estou a dizer que Fast and Furious seja um filme mau, mas não o associo propriamente com um futuro laureado Nobel.

Não vi os filmes todos porque convém ter stock. Há que estar sempre preparado para a pergunta “Há alguma coisa para ver?” porque um milisegundo de hesitação pode ser letal. E já vos disse que nunca tentem truques com as vossas mulheres porque nunca se deve combater um inimigo no seu próprio território. Não é que a vida conjugal seja uma guerra ou uma sequência de batalhas, mas às vezes parece.

Sem mais delongas fica a listinha com link para o Letterboxd onde podem obter detalhes dos filmes para depois os poderem adquirir sempre na legalidade do senhor. Certamente todos terão uma listinha próprio pelo que serão aceites sugestões.

Lista: Cinema para a paz conjugal


-Cinema para a paz conjugal.  a list of films by Pedro Cinemaxunga • Letterboxd

 

5 Comments

  1. O “Holocausto Canibal” é a definição de foreplay…

  2. Holocausto Canibal certamente que será o melhor conselho! ahah

  3. Olha que já vi o Cannibal Holocaust com a Maria, mas ela gostou mais do Cannibal Ferox.
    Ela sempre gostou mais de Umberto Lenzi do que Ruggero Deodato.

    Sou um dos poucos bafejados pela sorte de ter uma mulher que prefere filmes de terror a comédias românticas. Inchem…

  4. Eu tive a infeliz ideia de ver o primeiro episódio de Black Mirror acompanhado…

  5. Alguns filmes que podes adicionar ‘a tua lista: Chef (2014), Maleficent, The fault in our starts, Boyhood, about time.

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