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Terminator Genisys (2015) e o desastre do casting

Terminator-on-Bike

O assunto que aqui me traz é de grave transtorno. Uma negra tristeza que me percorre o sistema nervoso, suores frios nocturnos, a perda de esperança num mundo melhor. Faz semanas que vos quero falar disto, mas parece que se me forma uma bola na garganta que antecede um terrível camadão de nervos. O último Terminator não é grande coisa. É mau, uma obra que não mereceu a atenção merecida aquando da feitura. Uma facada no nosso imaginário e na nossa infância. Não é só o facto de ter trazido spoilers no trailer, é também a situação que retrata esse spoiler ser de um atraso mental que lhes valeria um taxa de IRS de 0% por invalidez total. John Connor é um Terminator, aliás, é o pior dos terminators. Mas como? Quando? Porquê? Que raios… Como é que isto foi acontecer? Não interessa. Pior que isto é o casting, que é terrível. É medonho. Andaram com uma espátula a raspar a zurrapa de Hollywood para nos matar os personagens que tanto amamos. Arnie, o nosso paizinho, é quem cola este acidente de comboio de filme. Faz o que pode, injecta-lhe amor e carinho, aquela quente sensação de um lar, e nas entrelinhas pede-nos desculpa porque gastámos dinheiro naquilo. Há que descobrir o culpado deste desastre e na minha opinião é o casting. Vamos lá analisar estas respas de bosta que encarregaram de protagonizar o nosso tão amado franchise.

Este exercício analítico não deve ser interpretado como um acto de ódio gratuito. Tem uma razão, um propósito. Todos nós, fãs de longa data da saga, temos uma ideia bem definida dos personagens centrais do universo. Seja porque já os vimos, sabemos as suas motivações, os ódios e os amores, conhecemos os seus defeitos e as suas qualidades, temos expectativas bem definidas em relação ao seu desenvolvimento. Eu, vocês, todas as pessoas que convivem com este universo de modo apaixonado. E provavelmente os que desenvolveram o filme, até terem aparecido os executivos com os seus estudos de mercado, projecções de venda, alteração cirúrgica de detalhes para maximizar o output e acelerar o break even. De modo a transformar um produto que rentabilidade futura pelo culto num produto descartável visto apenas uma vez por muito mais pessoas.

terminator-genisys-jason-clarkeJohn Connor é o líder da resistência pós apocalíptica responsável pela eminente vitória sobre as máquinas. É um guerreiro tão magnífico que a Skynet desenvolve uma unidade especializada em criar uma máquina do tempo, o projecto mais hercúleo do seu já impressionante portfólio, só para vir ao passado matar a mãe dele antes da sua concepção. É que nem sequer arriscam matá-lo com 3 ou 6 meses de idade não vá ele conseguir mesmo assim aniquilar o seu assassino antes deste ser bem sucedido. E que escolhem eles para interpretar este tão sobre humano salvador da humanidade? Este borra-piças da fotografia. Olhem para ele uns segundos. Eu espero. Um betolas da famílias decadentes em tempo endinheiradas que passa o tempo a pedir dinheiro às avós para pagar as prestações do BMW e constantemente à espera que lhe morram os progenitores para comprar finalmente aquele topo de gama que nem o deixa dormir. Este paspalho não tem sequer aspecto de quem aguenta uma bofetada sem começar a correr e a chorar como uma menina de 12 anos. Nem se arriscava a entrar numa luta para não sujar ou, deus nos livre, rasgar o pólo novo da Tommy Hilfiger e que depois pensem que é pobre for para casa. Aquele cabelinho não engana.

E isto amigos, é brincar com quem trabalha e cede algum do seu tempo de qualidade para ver o filme no cinema. Todos temos uma ideia genérica de como é o John Connor adulto em pleno pico da guerra e não é nenhum Christian Bale muito menos este bardamerda que nem barba tem.

emilia-clarke-in-terminator-genisys_120028Linda Hamilton fez uns belos Terminators. Lena Headey, que também bamboleia as mamas em Game of Thrones, foi credível como a mãe do futuro na série de TV. Em 2015 somos prendados com a mais insonsa personificação da adolescência complicada e do descontrolo comportamental, uma pirralha mimada para quem tudo é uma sequência de enfado, seja a fila do talho ou salvar o mundo. Claramente seleccionada para tentar captar algum público extra, acabou por fazer sair o tiro pela culatra porque a sua presença não se aproximava sequer de uma sombra do que poderia ser Sarah Connor. Doloroso ver a evolução da sua narrativa, com Arnie a tentar fazer o melhor que podia e esta Emilia a empalidecer a entidade superiora que representava.

vip-13465-13467Eis-nos finalmente no horror de todos os horrores, Kyle Reese interpretado pelo Humberto Bernardo americano. Um tal de Jai Courtney que vem de há uns anos a esta parte embaraçando franchise atrás de franchise. Mais uma performance insípida, sem garra, sem textura, sem nada que possa sequer fazer acreditar que aquela pessoa está comprometida em salvar o mundo. Nem que para isso tenha que copular pelo futuro da humanidade. Por ele até nos podíamos atirar já todos aos porcos para os senhores robots não terem que perder tanto tempo e recursos. Falta-lhe a paixão pela causa, a ansiedade de querer salvar o planeta, o à vontade e a experiência profissional na área do caça organismos cibernéticos compostos por tecido vivo sobre um endoesqueleto metálico.

Este é um dos motivos pelo qual este filme saiu tão mole. Este e todos os outros factores que enfraqueceram de morte este filme tiveram origem na ganância que querer juntar todos os públicos, desde o rating para crianças, passando por um imensa desfile de uma panóplia de terminators diferentes, a história colada com fita cola ou excesso de acção a interromper uma narrativa que se quereria bem explicada.

 

3 comments on “Terminator Genisys (2015) e o desastre do casting

  1. Ainda não o vi por esse medo de desilusão. E tu agora ainda baixas-te mais a fasquia…

  2. Isto era suposto ser apenas um rant acerca do casting que é, de facto, merdoso. Acho que lhe deves dar uma oportunidade porque o Arnie está muito bem e porque, para nós os fãs, é uma experiência emocional nalgumas situações.

  3. Borra-piças! hahahahaha

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