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400 Days (2015)

400 days

Há filmes que são o equivalente a papel higiénico reles que se faz passar por produto de qualidade, seja pela embalagem ou pela publicidade enganosa. Aquele papel higiénico que cria confiança excessiva no utilizador que no acto de limpar o rabo, confiante na qualidade da fibra celulósica, aplica um pouco mais de força para reforçar a limpeza, furando as falsetas folhas e enfiando um dedinho na merda. 400 Days é isso, mas em filme.

Ultimamente tem-se feito moda as listas de “sites especializados em listas” ou de papalvos sortidos que as publicam por tudo quanto é bordel social. É senso comum que isto de seguir sugestões é como pedir direções a um desconhecido em Lisboa, um gajo acaba sempre num beco sem saída a apanhar pauladas no lombo porque só trazia 5 euros e umas moedas na carteira. De vez em vez, porém, num exercício de dengoso langor, a malta deixa-se levar pelo quase certo embuste que é a opinião alheia, e acaba por ver alguns filmes nessa sequencia de falácias. E foi assim que apanhei este 400 Days.

400 Days é faz parte daquela nova linha de cinema de baixo orçamento, produto Netflix, que se inspira numa ideia, num conceito, para criar um filme. Apostam num marketing boca a boca, redes sociais e image boards, criam hype com um trailerzinho genérico a parecer uma sub-empresa da Disney, curiosidade. E com isto acabam por não desenvolver a ideia, que nunca chega a uma fase madura. É um filme mal concretizado, como o são muitos destes novos scifi conceptuais lowbudget que não servem mais do que cartão de visita para catapultar uns recém licenciados destes sucedâneos de New York School of Film.

De que se trata esta exercício conceptual mal acabado? Um grupos de supostos astronautas, sem uma única característica física ou psicológica que os redima, é colocado numa simulação de viagem a marte durante 400 dias. Um estudo da psique para grandes viagens. Quando lá os metem, fecham a escotilha e adeus até para o ano. Pouco depois começam a acontecer eventos não programados. O que será isto? Será simulação? E se for simulação, será mesmo o objectivo este da viagem em isolamento? Que barulho foi aquele? Haverá mais alguém a bordo? Rapará aquela moça regularmente o sovaco ou não lhes nascem os pêlos?

E quando chega ao fim entra num vertiginosa sequência de perguntas, a aguçar curiosidade e … SPOILER… nada. A lógica é uma batata e o resultado é aquela sensação de deixar uma foda a meio. E nem sequer é daqueles que podem ser interpretados “Ah e se for assim, e se for assado?”. Não, é mesmo o esquema de mandar perguntas e “fodam-se vocês agora que já aqui tenho um email do Netflix para realizar um documentário sobre duas miúdas do Hawai que só comem sementes de Caju e por isso aos 16 anos já têm 2 metros de altura e um rabo que parece um semi-reboque”.

Vi o filme com a minha esposa que ameaçou a minha integridade testicular com um sonoro “Eu mato-te, cabrão! Podia ter visto tanta coisa boa e arrastas-me para esta merda. Aposto que foram aqueles paneleiros com quem te dás na Internet a virar-te a cabeça. Quem é aquela galdéria que te está a mandar mensagens? Já cortaste a relva?”. Além disso tive que lhe explicar que aquele actor horrível não era bem um actor, por isso era horrível. Era um cómico merdoso chamado Dane Cook que é uma espécie de Nilton americano, mas em sexista.

A razão principal pelo qual o vi até acabou por ser outra que me sinto envergonhado em contar. Que se lixe, aqui vai. O algoritmo que usei para escolher este filme nesta noite foi o cruzamento de uma lista de filme que queria ver com o tamanho que ocupam em disco, porque se tratou de um aluguer do Sr. Joaquim. Assim, tendo este ficheiro cerca de 14GB permitiu que um filme com interesse inferior subisse para número um. Tenho que mudar o algoritmo, eu sei, mas ainda assim permitiu libertar uma bela maquia de bytezinhos.

Mamas e ratunça é que nem pó…

1 Comment

  1. Ricardo Fernandes

    April 19, 2016 at 3:52 pm

    Uma vénia! Que alarvidade de texto. Lindo!

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