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Friends with Benefits (2011) – Ciclo “Mete-se Agosto”

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Friends with Benefits é um filme com elevado nível de indução de caganeira e nunca nada me faria escrever sobre dele aqui. Nem o facto de o ter visto ao abrigo do Ciclo Mete-se Agosto. É certo que não devemos dizer mal de um filme sem o ver, mesmo logo à partida com a certeza de que é merdoso. Eu já o fiz, mas eu sou um profissional. Não façam isso em casa, crianças. Se querem falar mal de um filme, vejam pelo menos metade e mesmo assim não podem falar da narrativa nem da existência de clichés, só da estética.

O que aqui me traz é um pequeno episódio de baixo valor humorístico que me fez repensar em toda a existência e mais concretamente naquele tópico de que falo aos meus leitores numa cadência bianual: os filmes gémeos. Ora, vi este filme em duas partes. Não digo porquê, porque vocês não são a minha mãe. O certo é que ao segundo dia, retomei a visualização com a minha amada para proceder à triste conclusão desta aventesma de filme que nem os cães merecem.

O título nacional, pelo qual é identificado no Netflix, é “Amigos coloridos”. O trama roda em volta de um casal que numa crise vintona, naquela altura em que confundimos o coração partido com alguém que nos pisou os sentimentos e passou a foder em exclusívo com um aluno italiano de Erasmus chamada Bartolomeo. Por exemplo. Neste filme duas dessas almas feridas e únicas como flocos de neve decidem que não estão preparados para assumir um relacionamento amoroso. E, como é óbvio, passam apenas a foder que nem coelhos. Mantendo a amizade. Depois apaixonam-se, há um evento separador, correria no aeroporto, “I was cryin’ when I met you. Now I’m tryin to forget you. Your love is sweet miseryyyyyy.” , blá blá, amor eterno, fim.

Como ia dizendo ali atrás, no dia seguinte retomei o filme. Encontrei-o, carreguei no play. Começou do início. Pensei “Caralhos fodam o Netflix. Esta merda não deveria começar onde fiquei? Quem é que mexeu nesta merda? Foste tu?“. De veias inchadas na testa apontei furiosamente para a minha esposa que me meteu na linha, com um daqueles olhares assassinos que apenas as esposas sabem fazer. Meti mais ou menos lá para os 55 minutos, onde tinha ficado, e era outro filme. Mas, mas… Como é possível? Voltei ao início e vi que era mesmo outro filme. Estão ali dois filmes encostadinhos com a mesma trama e estreados na mesma altura. Lá está, o tal fenómeno dos filmes gémeos que desde sempre nos vêm atormentando a cinefilia desde o início dos tempos.


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Em jeito de conclusão, devo advertir os meus leitores para este tipo de narrativa. A sua única intenção é voltar a enganar homens que já foram enganadas. As gajas não se importam de ver sempre este esquema em filmes de comédia romântica. Não me perguntem porquê, mas é certo que são capazes de os ver a todos e não as incomoda ser sempre o mesmo. Os homens fartam-se depressa e estão sempre a arranjar desculpas para saltar fora destas experiências agonizantes. Nestes dois filmes gémeos a estratégia consiste em convencer os homens de que é diferente. Isto não é amor, nada disso! É só sexo. Sexo sem compromisso. Não há emoções, é uma espécie de porno mainstream. Só truca truca sem amarros emocionais. E pimba, lá foram mais uns patos enganados. Eu incluído.

É, têm razão. Já nem sei o que escrever para falar destas merdas.

 

One comment on “Friends with Benefits (2011) – Ciclo “Mete-se Agosto”

  1. Este ciclo de Agosto está fabuloso! Há quem diga que uma vida má faz boa arte: sofre o autor, mas ganhamos nós 🙂

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