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Avengers (2012)

avengers

Quando tinha 10 anos fui ao circo. No intervalo saí para ir ao WC e quando voltava enganei-me na porta. Entrei no backstage. Aquilo que vi naquela imunda salinha fez-me repensar toda a minha perspectiva sobre a existência humana. O ambiente nebuloso com um misto de cheiros que ia desde o tabaco entranhado nos tecidos até ao forte suor de quem não se lava há meses, passando pelo odor a peido permanente misturado com chulé, encerrava uma imagem que ainda hoje tenho apegada bem no meio do pódio dos traumas de infância. O mesmo palhaço que tinha acabado de fazer um adorável número musical com um serrote estava agora a praguejar como um trolha bêbedo. As palavras de um grau impensável de asneiredo só não me chocaram mais porque o impacto visual de um palhaço sem calças, sentado num sofá gasto a fumar um fino cigarro com cheiro a incenso e a acariciar o peludo testículo que lhe saía dos truces foi manifestamente superior. Olhou para mim, teceu um esgar de compaixão e proferiu uma frase que nunca mais irei esquecer “Hey caralhito, e se te pusesses nas putas? É a porta ao lado que querias, ó paneleirote!”. Ora este incidente, por muito pérfido que possa ter sido, ensinou-me uma das mais importantes lições da minha vida. Desde esse dia compreendi finalmente o segredo da felicidade. Afinal tudo passa por não ter expectativas altas em relação a nada. Este ensinamento, por muito insignificante que possa parecer, ajuda-nos a encarar todos os acontecimentos do dia a dia com júbilo acrescido. Seja numa situação profissional que afinal não é tão horrível como à primeira vista poderia parecer ou num inesperado encontro de sexo em grupo. Manter as expectativas baixas é sempre o segredo da felicidade. Quanto muito da ausência de infelicidade, que nos dias que correm já é bem bom.

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Taking Woodstock (2009)

Biografias ligeiramente modificadas para encaixarem em modelos pré-definidos de cinema ou “baseado em eventos verdadeiros” são coisas que aprecio. Eu não quero saber como foi a triste realidade, quero as coisas apimentadas para encaixarem nas minhas expectativas, nos meus preconceitos, naquilo que eu imagino ser a realidade ficcionada das regras de uma narrativa saudável. Tristezas bastam as minhas e as desgraças que tenho que aturar diariamente perante a possibilidade de mandar tudo para, e passo a citar, “o caralho que os foda”, porque depois faltam-me fundos para manter a minha habitação na minha posse, para alimentar a minha família e para comprar parvoíces de que não preciso e de que já me estou a arrepender antes de comprar, mas que mesmo assim não consigo evitar.

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