Knight and Day (2010)

A crise chega a todos e quando as familias deixam de ter dinheiro para ir ao cinema, Hollywood faz promoções, packs, leve 2 pague 1. Quando a Maria quer um filme de gaja e o Tony Macho Dominante um filme de porrada a situação agudiza-se porque é preciso desembolsar 2x(2×5.95), mais taxa de tanso 3D se for o caso. A solução? Criar um filme de gaja com porrada e explosões à fartasana para que possam desfrutar os dois o mesmo filme e ainda lhes sobra dinheiro para comprar umas t-shirts de marca para que possam ser confundidos por pessoas bem sucedidas. Aí Knight and Day vai além da sua premissa, torna-se uma sinergia de horribilidade, pega em dois filmes potencialmente ignóbeis e transforma-os no epitomo de todo o xunga, o ponto onde todos os monstros dos filmes japoneses convivem amigavelmente com cães falantes, a Bridget Jones vai às compras com o Jason Vorhees e os 7 ninjas e o Chuck Norris faz amor apaixonadamente com o fantasma de Patrick Swayze.
October 11, 2010 2 Comments
Tideland (2005)

Nós, cinéfilos com experiência, já percebemos por várias ocasiões que ver um filme que gostamos nem sempre é sinónimo de entretenimento e tempo bem passado. Há filmes que se tornam inesquecíveis, que crescem dentro de nós pelo seu hiperealismo ou desconforto de determinada temática. “Idiotern” de LarsVon Trier ou “Martyrs” de Pascal Laugier são exemplos disso mesmo que falei por aqui recentemente. Mas abordar miséria humana, terrorismo, toxicodependência, abusos infantis, pedofilia, necrofilia e crueldade num tom de esperança e optimismo, só mesmo Terry Gilliam.
October 6, 2010 8 Comments
Resident Evil: Afterlife 3D (2010)

É de estranhar que um duvidoso franchise de zombies receba o 4º filme sem que se adivinhe um abrandamento. Mas os números não mentem e os três primeiros Resident Evil são os filmes de zombies mais lucrativos do cinema. Ditam os números que se repita a dose enquanto houver lucro. Este quarto tomo deve ser analisado em três frentes: a sua qualidade enquanto filme de zombies, na sua qualidade de franchise inspirado num video game e em que é que o 3D vem contribuir para a nossa felicidade. É certo que tem gajas num arraial de bofetada que parece não ter fim e a Milla está no seu pico do sex appeal, mas Resident Evil continua tão infantil, simplório e desinteressante como no primeiro dia.
October 4, 2010 5 Comments
Le code a changé (2009)

Hoje falamos de cinema francês. Não daqueles antigos filmes francófonos, das gajas de mamas pequenas em tronco nu, no Louvre de cigarro na mão, a recitar Baudelaire e a fazer mamadas. Hoje falamos num daqueles filmes franceses que são um misto de comédia de situação com drama existencial, que vive de uma aparente promiscuidade e no final parece acabar em lição de moral, mas uma cena extra transforma a mensagem na mais aterradora badalhoquice. Estão a perceber? Claro que não. Afinal quem é que lê críticas de filmes franceses?
October 1, 2010 1 Comment
Iron Man 2 (2010)

No final de Iron Man 2 mijei-me de pânico pelas pernas abaixo por ter tido uma pequena amostra daquele que é o meu maior pesadelo. Uma ameaça que há anos paira sobre nós, qual piano de cauda, que vai e volta consoante as marés. Um evento que poderá por si só por fim à humanidade tal como a conhecemos, nem que seja por breves segundos. Estou a falar, como é óbvio, do ameaçado remake de Robocop, essa incerteza que nos retira força de vida a cada dia que passa.
September 27, 2010 3 Comments
Inception (2010)

Já dizia Freud “Ama a tua mãe como a ti mesmo”, ao criar a associação entre os sonhos e a masturbação. Os sonhos, esse mistério da mente humana, tão banais quanto complexos. Todos os temos e, convenhamos, todos os analisamos. Desde as fantasias eróticas às premonições apocalípticas, os sonhos são o terreno mais fértil da mente. Nem é preciso nenhuma aptidão intelectual nem esforço, pelo contrário, basta adormecer. Inception é uma visita guiada a este maravilhoso mundo, aos seus níveis e sub-niveis, à negação das leis da física e do vale tudo. Christopher Nolan, o ilusionista de Hollywood, é o homem indicado para nos demonstrar a dinâmica dos devaneios da mente humana e como piratear as nossas memórias mais preciosas. Spoilers em barda, ficam já avisados.
August 23, 2010 13 Comments
Rambo III (1988)

No final dos anos 80 esperava-se ardentemente o tomo 3 da saga Rambo. Era uma ideia que nos dissolvia o cérebro por dentro, não nos deixava raciocinar para além da expectativa da matança anunciada que se aproximava, qual profecia divina. O Escolhido iria mais uma vez salvar os oprimidos naquele que seria, indubitavelmente, o maior banho de sangue da História. Eu e o Zé fizemos uma jura de sangue que iríamos ver o filme juntos, mal estreasse. Para nós não havia muita coisa sagrada. Trocava-mos os livros do Patinhas, os discos de vinil (excepto o Master of Puppets e o Number of the Beast) e até as namoradas podiam ser emprestadas se tal fosse necessário. Mas as promessas de sangue eram para cumprir e se envolvessem o Rambo pior ainda. Mas nesse malfadado Verão, consumido por uma desejo incontrolável, fui ver o filme na primeira oportunidade que tive, sozinho, sem o Zé. A sombra da traição ainda hoje me persegue, como um nuvem do Apocalipse que ainda hoje me provoca um ligeiro desconforto a cada vez que vejo o Rambo 3.
July 15, 2010 18 Comments
Idioterne (1998)

Quando um cinéfilo inexperiente cataloga uma obra como sendo um “filme marado” é porque não conseguiu encontrar no seu saco de clichés americanos algo com que o comparar. “Marado” é adjectivo que realça a não convencionalidade da obra, sendo que esta característica poderá ser uma coisa boa ou má. Há o “marado” saudável e imaginativo de Terry Gilliam, o “marado” deliciosamente pérfido, herege e debochado de John Waters e Cronenberg, o “marado” que escreve nonsense surreal e depois diz que há um significado que só ele conhece de David Lynch. Temos ainda os japoneses encabeçados pelo sociopata Takashi Miike ou mesmo o centenário alucinogénico supertuga Manoel de Oliveira. E depois há Idiotern de Lars Von Trier, um filme que desafia qualquer catalogação, o marado dos marados, uma delicia de filme que amamos odiar.
June 25, 2010 4 Comments
Over Her Dead Body (2008)
Fez-me lembrar uma vez em que estava em casa e comecei a ouvir uma acesa zaragata na rua. Fui à janela. Lá estavam dois pinguins a fazer aquilo que me pareceu ser uma encenação de “À espera de Godot”, usando sinais de trânsito para simular diálogos. Passados uns momentos apareceu um rabino irado com o facto de um dos pinguins o ter enganado. Parece que lhe serviu uma dose de nariz de porco com coentros e o terá enganado dizendo que era peixe. O rabino, confiante, comeu com deleite. Quando lhe disseram que aquela estranha barbatana parecia uma ficha eléctrica, percebeu que estava a roer um focinho de porco. Má onda… Acompanhado de uns capangas da sinagoga foi tentar apanhar o pinguim. Quando apareceu, o pinguim 1 empunhava uma placa de fim de prioridade que seria a marca do final do 1º acto. O rabino atirou-lhe então o que restava do nariz de porco. Enquanto acendia um cigarro, o pinguim foi atingido no estômago pelo nariz e deixou cair o isqueiro em cima de uma lata de gasolina que servia para queimar uns figurantes no 2º acto. A lata virou-se, espalhando o pânico. Por incrível coincidência, passava o pelotão da volta a Portugal em bicicleta, ladeado por 2 urologistas de mota. Um dos ciclistas incendiou-se, espalhando o fogo pela audiência. Infelizmente, na altura, tinham-me faltado a bateria da máquina fotográfica.
June 13, 2010 5 Comments
V for Vendetta (2005)

Todos nós temos uma listinha de falhas cinematográficas graves, filmes que ficaram para trás. São perfeitamente normais, o tempo não é um recurso infinito de que possamos desfrutar. V for Vendetta é um filme que vejo com cinco anos de atraso por puro preconceito. Na altura em que estreou não estava ainda refeito do pastelão que foram as sequelas de Matrix e não conhecia ainda a Graphic Novel do adorável lunático Alan Moore. É sempre um prazer ver Natalie Portman toda rapadinha…
June 10, 2010 16 Comments
The Book of Eli (2010)

O género pós-apocalíptico foi em tempos um oásis para o cinema alternativo, fora da mira do mainstream podia abordar-se qualquer assunto sem tabus ou censuras. Empurrar uma freira para debaixo de um comboio em movimento, decapitações em massa ou incendiar um infantário sem antes proceder à sua evacuação. Mas Hollywood atravessa uma época de massacre a este género onde sodomiza constantemente um tipo de cinema que nunca foi muito grande, mas já foi próspero e amado. Desta vez temos um filme que mais parece uma imensa publicidade à religião e aos evangelistas lunáticos, onde o product placement é protagonizado por uma bíblia e ao qual só falta mesmo o slogan “Com as bíblias do Sr. Joaquim não há demónio que entre em mim“.
June 8, 2010 10 Comments
The Skeleton Key (2005)

Quando olhamos para um cartaz que diz algo como “do realizador de…” ou “dos produtores de…” somos apoderados por um poderoso calafrio na espinha. Estas expressões têm um significado conhecido por todos nós, um segredo que toda a gente conhece mas ninguém se atreve a dizê-lo em voz alta. Essas palavras significam: Do realizador (ou produtor) que uma vez teve um paio do carago e o filme onde estiveram envolvidos, por extraordinária reviravolta do destino, foi relativamente famoso ou teve bom marketing. Infelizmente este filme é um sucedâneo pobre, nos mesmos moldes, sem imaginação e provavelmente uma bela merda. Tenham em mente que este filme é mau e que o pessoal envolvido teve em tempos um laivo de sorte ou talento, mas agora são uma cambada de falhados a viver de glórias do passado, viciados em cocaína, putanheiros consumidores de tailandesas baratas e provavelmente nem sequer sabem que têm o nome associado ao filme, porque assinaram completamente bêbedos… Mais ou menos como os últimos álbuns dos U2.
May 29, 2010 3 Comments
Lock Up (1989)

Stallone Prisioneiro é o título português deste Lock Up, uma das mais gananciosas e ignorantes manobras de marketing da distribuição filmes em Portugal, criando uma fusão entre o universo real e ficcional ao meter o próprio actor, o senhor Sylvester Stallone, dentro da trama e capitalizar quantidades imensas à custa desta associação. Se ainda hoje somos um povo iletrado, imaginem à 21 anos atrás, quando comprávamos pulseiras magnéticas extremamente caras porque curavam todas as doenças, desde a unha encravada ao tumor cerebral, passando pela dermatite seborreica e pela caganeira assassina.
May 9, 2010 5 Comments
Kick-Ass (2010)

Chegou finalmente aos cinemas a tão aguardada adaptação de Kick-Ass. Os leitores assíduos deste blog e aqueles que não sendo assíduos sabem usar um formulário de pesquisa perceberão que há muito que se fala por aqui em Kick-Ass. E o resultado é o que se esperava: um hino à ultraviolência feelgood com um agradável dose de humor negro bem equilibrada fazendo jus à velha máxima “I have come here to chew bubblegum and kick ass…and I’m all out of bubblegum.”
April 23, 2010 13 Comments
Twilight (2008)

Os filmes da minha adolescência foram maioritariamente slasher movies de extrema violência. Ainda assim já vou com 36 anos e ainda não matei ninguém. Não havia necessidade de proteger as criancinhas das influências satânicas da violência televisiva. A malta sabia que eram apenas filmes. Nos dias de hoje protegemos as nossas crias da nefasta influência da violência mostrando-lhes filmes de vampiros que brilham ao sol, mortos-vivos deprimidos crónicos com paralisia facial e cuja única carne humana que comem é pénis, normalmente de empurrão…
April 6, 2010 21 Comments
The SpongeBob SquarePants Movie (2004)

Já antes ouvira falar de Spongebob, mas confesso que nunca vi nada desta famosa série de TV. Tive a oportunidade de pegar no DVD da versão “big screen movie” e li o argumento. Mas quem consegue resistir a um filme onde o vilão maléfico é um pedaço de plancton que quer conquistar o mundo (à laia de mr. Ernst Stavro Blofeld)? E onde se promete surrealismo que faria Dali enrolar os bigodes de vergonha? E que ainda por cima tem David Hasselhoff a dar uma perninha que faz lembrar aquele reclame do Ice Tea com o José Cid? Eu concerteza que não… Alguma vez viram alguém conduzir uma sandwich? Eu já…
March 27, 2010 No Comments
O Código Da Vinci – Ausência de Chewbacca à Sexta

Apesar do teu lugar garantido na imortalidade dos tempos, apesar de continuares junto de nós pela tua obra, a tua falta será sentida. Mas se por acaso voltares, trás 2 kilos de laranjas, meia dúzia de ovos e 250 gramas de chourição Ibérico da mercearia do senhor Amilcar. O chourição é Gran Doblon, sem picante e pede à senhora para tirar a gordura.
March 26, 2010 1 Comment
The Road (2009)

Tu, leitor genérico, és uma pessoa equilibrada, relativamente satisfeito com a tua qualidade de vida. Um bocadinho de ansiedade de status, o que é perfeitamente normal numa pessoa com alguma ambição. Vida sentimental e familiar agradável, uma amante ninfomaníaca nalguns casos. Uma vida que não sendo de êxtase permanente, está num nível aceitável daquilo a que convencionamos chamar “felicidade”. Mas um dia vira-se à porta de tua casa um camião de anti-depressivos, beta bloqueadores e ansiolíticos. Como podes dar uso a este valioso tesouro se o teu cérebro está bem equilibrado? Se ao menos fosses uma pessoa deprimida não vias esta oferta como uma inutilidade. O que pode provocar uma depressão instantânea tão imensamente poderosa que necessite de um camião de fármacos? Na minha opinião, este filme…
March 17, 2010 3 Comments
Ninja Assassin (2009)

O “Grande Manual do Marketing Desonesto do Cinema Americano” fala-nos de dois tipos de filmes que não precisam de argumento. Mais ainda, são dois géneros cinematográficos em que o argumento só vem empatar. Um deles é o filme mainstream com uma (ou mais) cenas de sexo explícito. Brown Bunny, Shortbus, Idiotern, Baise Moi, Ken Park, só para citar alguns exemplos. O que nos fica destes filmes? Berlaitada! O outro género cujo assombro é tal que dispensa completamente argumento: Ninjas!
March 8, 2010 6 Comments
Frequently Asked Questions About Time Travel (2009)

Os britânicos encaram a ficção científica de um modo diferente do resto do mundo. Mais leve, airosa, frequentemente bem humorada mas sem com isso tirar a devida profundidade aos temas. Aliás, comparando com a ficção científica americana que é sisuda, cinzenta e monocórdica, a britânica é frequentemente mais complexa e apoiada em factos científicos, por mais estratosféricos e improváveis que possam ser. FAQ About Time Travel conta-nos a história de três amigos (dois nerds de scifi e um anti-nerd sci-fi) que se vêem numa embrulhada épica quando uma anomalia do fluxo temporal na casa de banho do pub que frequentam os envia aleatoriamente para várias épocas.
March 4, 2010 1 Comment







