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	<title>CinemaXunga &#187; underground</title>
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		<title>Red State (2011)</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 17:25:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Todos nós odiamos os Estados Unidos da América como odiamos o nosso dealer, sentimos um revoltante repúdio mas não conseguimos deixar de consumir os seus produtos. Basta ver as notícias com regularidade para perceber que ideologicamente alguma coisa está diabolicamente distorcida do outro lado do Atlântico, seja porque houve mais um puto a dizimar duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; margin: 2px auto; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="Red-State" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2012/01/Red-State.jpg" alt="Red-State" width="425" height="237" border="0" /></p>
<p style="text-align: justify;">Todos nós odiamos os Estados Unidos da América como odiamos o nosso dealer, sentimos um revoltante repúdio mas não conseguimos deixar de consumir os seus produtos. Basta ver as notícias com regularidade para perceber que ideologicamente alguma coisa está diabolicamente distorcida do outro lado do Atlântico, seja porque houve mais um puto a dizimar duas turmas do liceu ou porque foi adoptada mais uma medida belicista de agressão externa para permitir que os preços do petróleo se mantenham constantemente em valores altíssimos. Apesar de ninguém resistir aos encantos belicistas deste belo povo que não abdica do ocasional incesto com fins reprodutivos, é na religião que aparecem as maiores barbaridades. O seu Deus é baseado num conceito muito elástico que se parece moldar perfeitamente em redor do seu modo de vida ao mesmo tempo que conjura as labaredas do sétimo patamar do Inferno para todos os que não concordem com o American Way of Life. E é este terreno pantanoso das barbaridades feitas à sombra da religião e de um Deus castigador que Kevin Smith nos apresenta, numa América profunda, ignorante e fortemente racista. Sem Silent Bob nem nenhum Clerk, apenas a frieza de uma fé punitiva e de uma guerra que põe frente a frente dois tipos de insanidade diametralmente opostos mas igualmente devastadores.</p>
<p><span id="more-4551"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Kevin Smith, realizador balofo por quem tenho muito apreço por ser o autor de um dos meus filmes preferidos, senão mesmo o meu preferido: Clerks. Autor de mais 5 filmes que, com o Clerks, formam aquilo que se convencionou designar a sextologia View Askewniverse. Homem de imenso talento que se tem vindo a enterrar em obras menores, como tarefeiro de segunda categoria para os estúdios americanos. Ultimamente só tem feito horribilidades.</p>
<p style="text-align: justify;">A cada vez que se espera um filme dele espero secretamente para que seja um bom filme, para que acabe de vez o feitiço deste badocha que tanto prezo. E este Red State foi um projecto que acompanhei de perto na fase de pré-produção. Na altura da estreia perdeu-se um bocado porque não houve apoio das <em>majors</em> e o filme foi exibido apenas em algumas salas americanas. Não fosse pelo facto de ser uma produção inteiramente digital, filmada em menos de um mês sob um apertado orçamento, teria sido um flop. Resumindo e concluindo, só o apanhei no &#8220;circuito alternativo&#8221; em glorioso HD.</p>
<p style="text-align: justify;">Red State conta-nos a história de uma família fortemente religiosa nos Estados Unidos profundos, os chamados &#8220;red states&#8221;. Vivem numa quinta, isolados do mundo, e só saem para protestar em clínicas de abortos e para manifestações homofóbicas. E um dia três amigos têm um pequeno incidente que os leva a ficar aprisionados no meio deste clã psicopata e na missa desse fim de semana vão ser usados para dar o exemplo de como Deus não perdoa. Entretanto um conjunto de situações despoleta uma abertura de um inquérito policial que vai formar uma equipa de intervenção para um rusga à tal quinta.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, inicialmente temi estar perante um torture porn simplório e cozido em lume brando. Assustei-me porque o torture porn é um área que não me agrava muito, apesar de ser um grande fã de cinema de terror. Ali a meio um conjunto de rápidas sucessões interrompe a brandura da narrativa e transforma o filme completamente, para um nível de imprevisibilidade de rara beleza. Aí senti orgulho de Smith, porque deu ali meia dúzia de voltas arrojadas que desafiam as leis do sagrado cliché.</p>
<p style="text-align: justify;">E quando tudo parecia estar a acabar numa apoteose de arco íris e êxtase puro, eis que o final entra sem se fazer anunciado trazendo consigo um sabor amargo. Não gostei deste final pelo simples facto de que Kevin Smith tentou fazer outro malabarismo narrativo dentro do mesmo filme. E se no primeiro se safou, no segundo abusou.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim foi positivo, porque Kevin Smith não foi a prostitua de serviço para nenhum estúdio nem teve que comer merda às colheres porque a crítica o acusou de <em>Sell Out</em>. Fez o processo inverso, que apesar de ter deixado este vosso escriba mais aliviado, não dever ter trazido grandes mais valias à sua carreira. Esperemos que siga esta via.</p>
<p style="text-align: justify;">Rezemos agora todos juntos:</p>
<dl>
<dd><em>There is no emotion, there is peace.</em></dd>
<dd><em>There is no ignorance, there is knowledge.</em></dd>
<dd><em>There is no passion, there is serenity.</em></dd>
<dd><em>There is no death, there is the Force.</em></dd>
</dl>
 <img src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=4551" width="1" height="1" style="display: none;" /><h2  class="related_post_title">Posts Relacionados</h2><ul class="related_post"><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/04/13/hobo-with-a-shotgun-2011/" title="Hobo with a Shotgun (2011)">Hobo with a Shotgun (2011)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/11/15/la-horde-2009/" title="La Horde (2009)">La Horde (2009)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/02/14/chronicles-of-wormwood-banda-desenhada/" title="Chronicles of Wormwood &#8211; Banda Desenhada">Chronicles of Wormwood &#8211; Banda Desenhada</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/11/10/o-trans-xunga-contrafaccao-cinematografica/" title="O Trans-Xunga &#8211; Contrafacção Cinematográfica ">O Trans-Xunga &#8211; Contrafacção Cinematográfica </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/11/06/mad-max-1979/" title="Mad Max (1979) ">Mad Max (1979) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/10/25/teenagers-from-mars-graphic-novel/" title="Teenagers From Mars &#8211; Graphic Novel">Teenagers From Mars &#8211; Graphic Novel</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/12/10/super-8-2011/" title="Super 8 (2011)">Super 8 (2011)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/07/22/escape-from-la-1996/" title="Escape From LA (1996)">Escape From LA (1996)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/07/15/escape-from-new-york-1981/" title="Escape From New York (1981)">Escape From New York (1981)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/02/28/the-human-centipede-first-sequence-2009/" title="The Human Centipede (First Sequence) (2009)">The Human Centipede (First Sequence) (2009)</a></li></ul>]]></content:encoded>
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		<title>Apollo 18 (2011)</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 15:37:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2NpbmVtYXh1bmdhLm5ldC9ibG9nL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDExLzExL2Fwb2xsbzE4LWJsb2cuanBn"><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="apollo18-blog" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/11/apollo18-blog_thumb.jpg" alt="apollo18-blog" width="425" height="344" border="0" /></a></p>
<p align="justify">Ainda há muita gente que não compreende como é que uma civilização que soube ultrapassar obstáculos de infinita complexidade para meter pessoas a passear na lua não é capaz de conseguir arranjar uma solução eficaz para acabar com a epidemia de cinema merdoso que vem contagiando o planeta. A eterna fonte da sonhos e desejos que vem transformando a nossa nobre sociedade num grupo de idiotas sociopatas egoístas e a ideia crescente nas adolescentes que a melhor maneira de manter a virgindade é levar no cu. O que nos leva ao nosso filme de hoje, Apollo 18.</p>
<p align="justify"><span id="more-4511"></span>O mockumentary, esse género tão nobre que nos tem trazido pérolas de especial preciosidade. Obras superiores como Zelig, This is Spinal Tap, Man Bites Dog, Forgotten Silver ou as incontornáveis obras de Sacha Baron Cohen. Pessoalmente sou incapaz de resistir a uma premissa de mockumentary, uma fuga à realidade mundana numa estética de documentário, uma realidade alternativa, o famoso “what if?…”</p>
<p align="justify">Apollo 18 começou a fazer a sua tímida propaganda sob a forma de um trailer que parecia ter tudo para não falhar. Uma missão secreta à Lua depois de ter sido encerrado o projecto Apollo. Imagens até agora nunca vistas guardadas nos mais secretos cofres da Nasa foram contrabandeadas para a Internet. Finalmente vai saber-se a verdade. Senti-me atraído pelo filme com um bêbado por um urinol.</p>
<p align="justify">E eis que não me contive quando o filme <span style="text-decoration: line-through;">estreou</span> deu à costa  nos locais habituais. Atirei-me a ele como cão ao bofe, ignorando de todos os meus compromissos familiares, parentais, profissionais e conjugais. A salivar com a esperança de uma criança, acreditar que seria um filme que ecoaria na eternidade como um bom exemplo de “filmezinho à maneira”.</p>
<p align="justify">Escusado será dizer que mais valia ter ficado a contemplar as minhas irregulares formas testiculares com um espelho que comprei especialmente para o efeito ou apreciar a rara beleza equídea da minha vizinha 3º frente enquanto esta apara cuidadosamente as unhas dos pés para a rua com um alicate de cortar aço de 12 polegadas, tentando acertar nas crianças que brincam no parque em frente. Para aqueles fraquinhos em raciocínio abstrato, digamos que não correspondeu à minhas expectativas.</p>
<p align="justify">Há uma enorme preocupação no build-up, na criação de um mistério que começa mesmo antes no filme, nos próprios trailers e no merchandise associado ao filme. E, claro, todos nós temos meia dúzia de teorias obscuras que envolvem a Lua que gostaríamos de ver abordadas, sejam os nazis escondidos na Lua, as estruturas alienígenas no lado negro, a simulação da aterragem lunar, o bunker ultra-secreto onde estão guardados os ADNs dos principais dirigentes do planeta ou a cassete do Tomás Taveira onde estarão as alegadas cenas com as gajas famosas.</p>
<p align="justify">Mas o que se vê é apenas uma lenta marcha para um mistério muito fraquinho, que nos faz soltar um tímido “Ah, só isto?” e apagar o ficheiro com a cabeça inclinada em sinal de vergonha.</p>
<p align="justify">Há coisas boas. O esforço em recriar a tecnologia da época, a diferente fotografia das diferentes câmaras, ainda que a alteração constante dos aspect ratios da imagem sejam bem irritantes. Também não me parece que se consiga explicar alguns daqueles ângulos ou como é que aquelas filmagens foram obtidas na Terra. A gravidade parece-me também ligeiramente manhosa, mas isso pode ser impressão minha que não sou nenhum Engenheiro Físico. Ou serei?</p>
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		<title>Christine (1983)</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Aug 2011 14:13:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Não é Xunga Não Senhor!]]></category>
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		<description><![CDATA[A verdadeira arte do realizador é criar uma realidade diferente da nossa, uma realidade que tem características que permitem que os artifícios narrativos funcionem de modo fluente, que se criem condições para que coisas que possamos achar impossíveis se desenrolem sem problemas. Mais do que criar estas características é levar o cinéfilo a acreditar nisso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2NpbmVtYXh1bmdhLm5ldC9ibG9nL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDExLzA4L2NocmlzdGluZS5qcGc="><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="christine" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/08/christine_thumb.jpg" alt="christine" width="425" height="256" border="0" /></a></p>
<p align="justify">A verdadeira arte do realizador é criar uma realidade diferente da nossa, uma realidade que tem características que permitem que os artifícios narrativos funcionem de modo fluente, que se criem condições para que coisas que possamos achar impossíveis se desenrolem sem problemas. Mais do que criar estas características é levar o cinéfilo a acreditar nisso de modo gradual, sem desconfianças, sem queixumes. Carpenter cria aqui um mundo que aparentemente não possui escadas para andares superiores, escapatórias para peões nas estradas ou a incapacidade humana de mudar de direção em campo aberto. Podia ser horrível, mas um carro com aquele estilo e personalidade absolve-o de todos os pecados e faz-nos sorrir de benevolência mesmo perante o mais impiedoso serial killer.</p>
<p><span id="more-4450"></span></p>
<p align="justify">Não quero com isto dizer que sou defensor árduo do “Suspension of Disbelief”. Longe disso. Odeio esse termo com todas as minhas forças, apenas porque é sempre usado por autores ou fãs de fúria cega em situações em que as narrativas se tornam irreais em demasia para que possam ser assimiladas de modo transparente pelo cinéfilo. Quando algo é idiota demais há sempre um marmelo a atirar com esse chavão. A verdade é que nada é idiota demais, apenas é preciso arte para vender o conceito, para nos colocar dentro do contexto, porque à partida todos queremos ser “enganados” por essa falta de realidade, todos queremos ser absorvidos para esse mundo e apreciar as diferenças com o nosso. É como as mulheres que apreciam sexo e sentem grande prazer o acto sexual, não significa por isso que queiram ser violadas.</p>
<p align="justify">Carpenter faz bem essa transição do mundo real para o mundo dos filmes dele. E nem precisa de muito tempo, às vezes bastam 3 linhas de texto antes de começar o filme.</p>
<p align="justify">Christine é um filme que lembro com alguma ansiedade da minha infância/puberdade. Quando estreou em Portugal fiz pressão no meu núcleo familiar, mas era demasiado novo e um filme chamado “O Carro Assassino” não era um conceito que os meus pais abraçavam com grande entusiasmo. Tive que esperar uns anos pelo clube de vídeo, onde o aluguei e vi (e revi). Fiquei desiludido porque não era o banho de sangue que esperava. E nessa altura era assim que avaliava os filmes, se tinha banhos de sangue (ou sexo, vá!).</p>
<p align="justify">Anos mais tarde, a semana passada, aproveitei para rever. Por algum estranho fenómeno paranormal parece que se voltou a falar imenso de Carpenter. A comunidade mundial começa a achar que é um génio não apreciado no seu tempo e os canais de cinema do cabo parecem estar pejados de filmes dele. Ora, revi então o filme e fui rapidamente transportado (novamente) para o mundo do verdadeiro cinema, aquele cinema que nos faz sonhar, que nos faz perceber porque o amamos. O cinema orgânico e analógico, frontal sem nada a esconder, com texturas, cheiros, materialização de sensações que de outra maneira nunca reconheceríamos. Enfim, a tal essência do cinema dos 80s que é impossível passar a quem não a viveu.</p>
<p align="justify">Christine é um filme marcadamente americano. Não pela sua origem mas pelas suas características. A cultura do automóvel do tempo em que Detroit (agora abandonada e queimada) era a capital mundial do automóvel. É a verdadeira humanização do automóvel, capaz de substituir humanos enquanto objecto de afecto. Christine é um automóvel possuído por um espírito maligno. Essa qualidade maléfica passa para o seu dono e juntos formarão uma dupla que não pouparão na vingança mortífera a todos os que lhe fizeram mal anteriormente. E foram muitos, uma vez que ele era o típico “Dork” do cinema teenager dos anos 80.</p>
<p align="justify">Tirando toda a envolvência que falei acima, devemos dizer que o filme não é perfeito. Não se explora suficientemente o origem maléfica do carro e do seu espírito e não tem sangue suficiente, como seria requerido num filme com estas características. Aliás, até gostamos que as pessoas morram porque se revelam todos estúpidos demais para sobreviver. Dizem os verdadeiros fanboys que o livro era melhor, que explicava tudo e que foi mal adaptado. Mas não é sempre assim? É algo com que temos que aprender a viver.</p>
<p align="justify">É mais uma verdadeira obra do cinema artesanal e bem orquestrado do mestre Carpenter, esse lingrinhas de bigode cuja herança cultural é tão forte que perdoamos os mais recentes desvarios.</p>
<p align="justify">PS: Foi adaptado de um livro de Stephen King, mas não me apeteceu alongar sobre isso…</p>
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		<title>Escape From LA (1996)</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jul 2011 15:47:59 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2NpbmVtYXh1bmdhLm5ldC9ibG9nL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDExLzA3L2VzY2FwZV9mcm9tX2xhX3Bvc3Rlcl8wMS5qcGc="><img style="background-image: none; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; padding-top: 0px; border: 0px;" title="escape_from_la_poster_01" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/07/escape_from_la_poster_01_thumb.jpg" alt="escape_from_la_poster_01" width="425" height="409" border="0" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Ver o Escape From LA logo a seguir ao Escape From New York é como enfiar a cabeça dentro de uma máquina de lavar roupa cheia de pedras da calçada (em centrifugação) depois de beber duas garrafas de Whiskey espanhol e com uma ratoeira apertada em cada testículo, calçando apenas um par de galochas e com o torso barrado em Tulicreme Avelã. E tudo isto com a TV com o som no máximo a passar Buck Rogers dobrado em alemão com dificuldades de recepção enquanto uma criatura de luz chamada <span>Chernobog </span>da Anunciação me tenta impingir uma assinatura de dois anos da revista oficial da Associação Belga de Bombardino, Melofone e Tuba que ainda inclui como suplemento a livro &#8220;Tango, que futuro?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4418"></span>As fugas de Snake são separadas por um período de 15 anos. Como todos tão bem sabemos, o futuro no cinema é sempre uma projecção dos medos do presente. Em 1981 Nova Iorque vivia uma época difícil de violência  provocada por gangs e tudo parecia não ter solução. Escape From New York é um espelho desses anseios, uma cidade isolado do planeta por falta de solução e entregue aos mais perversos gangs, ultra-violência imaginativa e a toda a lógica <em>flamboyant</em> associada ao pós-apocaliptico dos anos 80. Tudo isto com uns pozinhos de guerra fria para refrear os ânimos.</p>
<p style="text-align: justify;">Passam 15 anos, tanto na vida real como no universo paralelo onde se desenrolam os filmes. O ano é 2013 e Los Angeles está separada dos resto do país devido a um tremor de terra, o Big One. E assim é aproveitada para exilar todos os cidadãos de uns EUA distópicos que não se coadunam com os seus códigos morais e, principalmente, religiosos. Mais uma vez a crítica é forte. Uma crítica ao Neo-liberalismo que assenta toda a sua estratégia de world domination em morais religiosos e também forte crítica ao star system de Hollywood e aos seus vicios. Nada é deixado ao acaso na velha LA, tudo tem segundas interpretações e tudo são piscadelas de olho aos ódios de estimação de Carpenter. Que são também nossos, por osmose.</p>
<p style="text-align: justify;">Passar de um filme para o outro tem as suas vantagens. A piada final de NY é a piada inicial de LA, Snake aparece com a mesma fatiota de cabedal justo. Curiosamente, segundo a trivia da IMDB, trata-se do mesmo fato, o que nos leva a invejar fortemente Russel por ainda caber no mesmo fatinho justinho 15 anos depois e por não ser um barril como nós ao fim de 15 anos de abuso etílico, psicoactivo e adiposo. No entanto, Escape From LA não começa bem. A sequência inicial é praticamente fotocópia da primeiro filme, o que pode ser duplamente interpretado como preguiça ou homenagem no build-up. Os efeitos especiais (CGI primitivo) de Snake a entrar em LA são uma coisa verdadeiramente atroz e até aparecerem os primeiros habitantes da nova LA as coisas parecem correr mal para Snake.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas depois vem a ultra-violência, o exagero injustificado na matança, as hierarquias bizarras das novas tribos urbanas e toda uma parafernália de elementos tão desnecessários como deliciosos que nos fazem compreender que sim, era isto que queríamos da sequela. O filme não é perfeito, mas ninguém que o vê de modo voluntário procura um filme perfeito, apenas o pervertido sentido de humor de Carpenter a fazer vítimas. Ainda que as primeiras possamos ser nós e o nosso pobre cérebro que um dia, quando ceder à natural erosão do tempo, irá fazer de nós os freaks do lar da 3ª idade.</p>
<p style="text-align: justify;">Um achego final para a banda sonora que só por si vale o preço do bilhete. White Zombie com música feita de propósito, Deftones, Tool&#8230; TOOL, amigos, Tool. E depois alguns grupos que não saltaram de barco quando o Nu-Metal foi ao fundo.</p>
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		<title>Somewhere (2010)</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jul 2011 21:50:24 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"> <img class="alignnone size-full wp-image-4408" title="Somewhere-Sofia-Coppola" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/07/Somewhere-Sofia-Coppola-Festival-do-Rio-002.jpg" alt="" width="425" height="186" /></p>
<p align="justify">Sofia Coppola, songa-monga. Com a simpatia de um bloco de basalto e um semblante equídeo cuja estrutura rinoplástica permite pendurar confortavelmente duas gabardines e uma samarra alentejana, Sofia é a filha mimada de Francis Ford Coppola que tenta sacar gabarito à conta de créditos hereditários e que desde finais do século passado tenta fazer passar os seus filmes por clássicos intemporais com a ajuda da máquina publicitária do papá. Mas como até um relógio parado pode estar certo duas vezes por dia, havia de chegar o filme que fosse decente. Somewhere, uma bela crónica voyeristica do mundo do showbusiness visto por dentro.</p>
<p align="justify"><span id="more-4407"></span>Nunca simpatizei com Sofia Copolla. No final dos anos 90 criou-se um gigantesco hype em volta de uma primeira obra supostamente genial da enfant terrible do enfant terrible Francis Ford Copolla. Foram seis meses de pressão mediática muito devido à banda sonora entretanto lançada, a genial OST dos Air para Virgin Suicides. O falhanço em achar esta obra interessante deveu-se à elevada expectativa. Fosse visto por acaso sem nenhum precedente mercantil e até o poderia achar interessante. Mas não, a tragédia das irmãs Lisbon não me tocou minimamente e a única exclamação que proferi foi quando me apercebi de quão gorda e envelhecida estava Kathleen Turner.</p>
<p align="justify">2003 trouxe a aclamação do público com Lost in Translation, mas voltei a não achar piada nenhuma. Demasiado hypster para o meu gosto. Amores perdidos, ilusões destruídas, daddy issues e uma infindável melancolia afastou-me do núcleo emocional do filme. E o mesmo aconteceu com Maria Antoinette. Não consegui sentir a empatia necessária para poder acompanhar sem dor o filme até ao fim.</p>
<p align="justify">Mas Somewhere é um excelente filme, digamos que é um remake de Marie Antoinette com referências suficientes para que nos fazer identificar. A vida de uma estrela em ascenção vista na primeira pessoa. Imensos períodos de tédio e vazio. Uma busca constante pelo prazer, seja por sexo, drogas, álcool, velocidade ou outros produtores de endorfinas. Para perceber no final onde está a verdadeira felicidade e compreender como se pode perder tão facilmente. É uma visão fascinante, cheia de episódios curiosos e filmada de um modo bem característico que consegue fazer passar todas estas sensações sem necessidade de diálogo. Uma tarefa apenas possível para quem conhece tão bem este mundo por dentro e tem a capacidade para criar uma camada de abstração suficiente para o documentar sobriamente em película. Uma bela performance dos actores, que assentaram grande parte dos seus diálogos em exercícios de improviso, que vem dar aquele colorido extra.</p>
<p align="justify">Só espero não ter que agoniar por mais 3 filmes agoniantes para ter outro bom filme de Sofia Coppola. De notar que apesar de todo o hyper que precedeu este filme, prémios e polémicas incluídas, o filme acabou por passar bem despercebido no nosso país.</p>
<p align="justify">
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		<title>Escape From New York (1981)</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jul 2011 16:20:07 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Todos sabemos que o Apocalipse tem muito pouco interesse cinematográfico. Muito frouxo. Uns misseis nucleares, a malta a ser incinerada viva enquanto foge, os governos do planeta a colapsar em anarquia e vazio de poder, as infra-estruturas a falharem e um regresso à idade média devido à destruição da última tecnologia existente por bombas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="background-image: none; margin: 2px auto; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: block; float: none; padding-top: 0px; border-width: 0px;" title="escape-from-new-york-promotional-art1" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/07/escape-from-new-york-promotional-art1.jpg" alt="escape-from-new-york-promotional-art1" width="425" height="239" border="0" /></p>
<p align="justify">Todos sabemos que o Apocalipse tem muito pouco interesse cinematográfico. Muito frouxo. Uns misseis nucleares, a malta a ser incinerada viva enquanto foge, os governos do planeta a colapsar em anarquia e vazio de poder, as infra-estruturas a falharem e um regresso à idade média devido à destruição da última tecnologia existente por bombas de impulsos electromagnéticos. E depois, nada… Silêncio, fumo, pó, mortos, milhões de mortos nas ruas. Não há pássaros no céu nem animais nas florestas. As cidades arrasadas e os campos que ainda parecem produtivos todos contaminados por radiação e armas químicas. É depois disto, quando começam a emergir os primeiros sobreviventes, quando começam a juntar-se os primeiros grupos, quando o engenho primitivo começa a reconstruir uma nova ordem mundial é que as coisas começam a ganhar interesse. É esta reconstrução que tanto amamos, esta esperança que mesmo depois do fim as coisas podem continuar. Benvindos ao pós-apocalipse.</p>
<p align="justify"><span id="more-4394"></span>Tecnicamente Escape From New York não é bem um filme pós-apocalíptico. Trata-se de um género quase gémeo, o filme de Sociedade Distópica. Mundo colapsa, é necessário um regime totalitarista para meter o sociedade no sitio. Estamos em 1997 e o crime subiu tanto que tiveram que transformar Manhattan numa ilha prisão para albergar todos os criminosos violentos num ambiente contido, sem autoridade, vedado do mundo. Azar dos azares, um evento &#8220;Deus Ex-Machina&#8221; faz com que o Air Force One caia na ilha e o presidente fica refém dos gangs de tresloucados que habitam a ilha. Cabe a Snake Plissken, um bad ass da velha guarda, entrar à cowboy na ilha, distribuir bofetada nos &#8220;crazies&#8221; e trazer de volta o tão amado presidente.</p>
<p align="justify">Esta é uma das obras primas de Carpenter, uma referência pelo qual todos os seus outros filmes são medidos. A história é simples, entrar, salvar, sair, com alguns malabarismos narrativos pelo meio, mas o excesso dos anos 80 (ainda nos primordios) era já óbvio no espampanante modo de vida dos &#8220;Crazies&#8221;. O cinema pós-apocalíptico dos anos 80 era muito popular porque permitia exercícios de estilo nas tribos pós holocausto, fosse nas roupas alucinogénicas, nos meios de transporte onde o factor utilidade era secundário face à necessidade de futurismo ou na própria organização social das tribos, com muita poligamia, bisexualidade, pessoas &#8220;diferentes&#8221; ou o mais gratuito espalhafato multicolor próprio de quem não tinha limites para criar.</p>
<p align="justify">A palete de actores é uma invocação de todo o imaginário do final dos anos 70. Lee Van Cleef é o habitual cowboy alpha dog, Ernest Borgnine o bonacheirão side kick, Isaac Hayes o chefe dos crazies e um jovem Kurt Russel que acaba por convencer contra toda as vozes que diziam não ser papel para ele. E ainda a então esposa de Carpenter, Adrienne Barbeau, dotada de um impressionante par de marmelos que Carpenter gostava de ostentar nos seus filmes. Como quem diz &#8220;<em>Mamas, aqui</em>!&#8221;.</p>
<p align="justify">Revi este filme a semana passada, em glorioso HD, e posso dizer que gostei tanto de o ver agora como da primeira vez que o aluguei em VHS. De lá para cá as coisas mudaram. Este filme tem alma, textura, garra de artesão. É certo que Carpenter não entra quase nunca na primeira divisão dos realizadores dos últimos anos, mas provavelmente nunca foi essa a intenção. No entanto o seu nome está constantemente a vir à baila quando se fala de cinema de culto, de filmes que vimos que nunca mais nos abandonaram. Carpenter é grande, apesar do colapso na sua carreira depois dos anos 90.</p>
<p align="justify">Como nota de rodapé, deixo-vos uma fotografia do absolutamente genial carro de Isaac Hayes como lider das gangs maléficas. Eu próprio me sinto tentado em arrancar os candeeiros de casa da minha avó para os afixar no meu carro. Mas sei que a inveja dos meus pares seria lesante da minha integridade física e moral. Não se nota, mas pendurado por baixo do espelho está uma bola de espelhos à escala de 1:1.</p>
<p align="justify"><img class="alignnone size-medium wp-image-4399" title="Carro" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/07/31086062-jpeg_preview_large-425x239.jpg" alt="" width="425" height="239" /></p>
 <img src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=4394" width="1" height="1" style="display: none;" /><h2  class="related_post_title">Posts Relacionados</h2><ul class="related_post"><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/07/22/escape-from-la-1996/" title="Escape From LA (1996)">Escape From LA (1996)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/02/21/d%c3%b8d-sn%c3%b8-2009/" title="Død snø (2009) ">Død snø (2009) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/01/18/videodrome-1983/" title="Videodrome (1983)">Videodrome (1983)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/11/03/severance-2006/" title="Severance (2006)">Severance (2006)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/12/30/predator-1987/" title="Predator (1987)">Predator (1987)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/08/07/christine-1983/" title="Christine (1983)">Christine (1983)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/07/27/the-fog-1980/" title="The Fog (1980)">The Fog (1980)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/12/31/machete-2010/" title="Machete (2010)">Machete (2010)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/01/09/house-of-wax-2005/" title="House of Wax (2005)">House of Wax (2005)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/10/25/teenagers-from-mars-graphic-novel/" title="Teenagers From Mars &#8211; Graphic Novel">Teenagers From Mars &#8211; Graphic Novel</a></li></ul>]]></content:encoded>
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		<title>The Man from Earth (2007)</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jul 2011 16:03:17 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3984" title="themanfromearh" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/11/themanfromearh.jpg" alt="" width="425" height="258" /></p>
<p style="text-align: justify;">Numa altura em que o marketing corporativo dos grandes estúdios de cinema faz lobby constante para passar a ideia de que a qualidade de um filme se mede pelo orçamento e box office, já poucas são as pessoas que se aventuram por obras de orçamento reduzido temendo que a equação hollywoodiana da relação/qualidade tenha alguma veracidade. Mas o certo é que não tem. A capacidade de encantar o cinéfilo com um bela narrativa nada tem a ver com o orçamento e os meios envolvidos. E uma prova desta afirmação é o fabuloso filme The Man From Earth, um filme que ficção científica que conta a mais cativante história de sempre. É passado numa sala e consiste num amigo que conta a sua história de vida aos seus amigos. Só diálogos e imaginação para criar a &#8220;greatest story ever told&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3983"></span>Um professor universitário junta os seus colegas para se despedir. Depois de 10 anos tem que os abandonar. Fala-se do passado e alguém chama a atenção de que ele não envelheceu nada nos últimos dez anos. Depois de algumas esquivadelas e tentativas de fuga o professor acaba por confessar que tem 14000 anos, que é dos primeiros humanos (Sapiens Sapiens) que habitou o planeta. Inicialmente encarada como piada e exercício académico antropológico, pouco a pouco a história vai contando consistência e os amigos começam a ficar convertidos àquela improvável historieta.</p>
<p style="text-align: justify;">The Man From Earth é, como se disse anteriormente, um filme parco em meios. Uma cabana, actores que são claramente criaturas do teatro, iluminação suave à lareira e 90 minutos de explosão criativa. No entanto o argumento é uma coisa absolutamente viciante, tornando impossível uma pausa a meio do filme. A história que acompanha o nosso personagem desde a época Cro Magnon é uma História alternativa da civilização, rica em detalhe histórico além de injectar algumas teorias que nos fazem rever com outros olhos a nossa própria existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Religião, civilizações e segredos negros mantêm o espectador na ponta da cadeira. Tem tanto de complexo como de &#8220;como é que ninguém pensou nisto antes?&#8221;. Sabe bem de vez em quando e é bom saber que existe esperança para quem se quer aventurar no cinema. Basta perseverança, imaginação e uma boa ideia. Contrariamente ao que se diz por aí, não é preciso castings de felácio nem uma hora de sodomia com os produtores. Basta um pulso forte e resistente.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Hobo with a Shotgun (2011)</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 16:55:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de mais nada deixem-me fazer o disclaimer do costume no que diz respeito a filmes de Grindhouse ou outros que não sendo para levar demasiado a sério, são terrivelmente divertidos. Isto porque aparecem sempre umas Maria Amélias a dizer &#8220;como é possível gostar disto&#8221; ou &#8220;não gostei, esperava mais&#8221; como se de algum modo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="size-full wp-image-4312 aligncenter" title="2011_hobo_with_a_shotgun_001" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/04/2011_hobo_with_a_shotgun_001.jpg" alt="" width="425" height="181" /></p>
<p style="text-align: justify;">Antes de mais nada deixem-me fazer o <em>disclaimer </em>do costume no que diz respeito a filmes de Grindhouse ou outros que não sendo para levar demasiado a sério, são terrivelmente divertidos. Isto porque aparecem sempre umas Maria Amélias a dizer &#8220;c<em>omo é possível gostar disto</em>&#8221; ou &#8220;<em>não gostei, esperava mais</em>&#8221; como se de algum modo esperassem encontrar o sentido na vida num filme que retrata as aventuras de um sem-abrigo com uma caçadeira. Normalmente são jovens que idolatram os Oscars, fingem gostar do 8½ de Fellini para efeitos de promoção pessoal por intelectualidade, falta de sentido de humor e que devido à sua própria falta de confiança pensam que quando as pessoas se riem é deles e, mesmo os do sexo masculino, têm vagina. São os mesmos que vão ver a Hanna Montana e o Harry Potter para depois fazerem críticas onde mencionam excertos da teoria semiótica da narrativa e  escreverem que os filmes são demasiado infantis para serem levados a sério. Virgens, portanto!</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4306"></span>No continuação de adaptações ao cinema dos célebres Faux Trailers de Grindhouse, Hobo With a Shotgun é o segundo a receber adaptação oficial, depois de Machete em 2010. Quer isto dizer que não faltará muito para que estreie Don&#8217;t, Thanksgiving e o meu preferido Werewolf Women of the SS. Esperamos apenas que a crise não nos reduza a largura de banda nos próximos tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">Hobo With a Shotgun é um filme do género <em>action exploitation</em>, um género bastante familiar a todos aqueles que, como eu, se aproximam perigosamente dos 40 anos de idade. Nos final dos anos 8o os clubes de video estavam pejados de filmes de violência extrema, normalmente de origem italiana cujos elementos chave eram sempre uma história de vingança sangrenta, alto factor de &#8220;randomness&#8221; e uma especial originalidade nas mortes, sempre com o sangue na casa dos hectolitros. Sim, claro que eram mal feitos, irrealistas e por vezes para forçar uma determinada morte era preciso curvar ligeiramente a narrativa no sentido do &#8220;perfeitamente idiota&#8221;. Hey, mas era extremamente divertido, <em>who cares</em>?</p>
<p style="text-align: justify;">A história é simples, como convém. Um sem-abrigo chega a uma cidade imersa num violento caos, de polícia corrupta, violência, prostituição, a fazer Old Detroit de Robocop parecer a capital da Noruega. Controlada por gangs retro-futuristas e outras caricaturas saídas directamente dos 80s e governada pelo mais detestável vilão da História da sétima arte, um espécie de Boss Hog mutante dos Dukes of Hazzard propulsionado a meta-anfetaminas e fluido vertebral de recém-nascidos. Os seus dois filhos não se ficam atrás, dois Cristianos Ronaldos Lookalike com uma aptidão fora do normal para infanticídio em massa. O nosso sem abrigo é puxado para este mundo sem perceber como e não tem outro remédio senão começar a trespassar intestinos e rebentar cérebros à força de balázio de caçadeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Seguem-se os piores actos de violência e sadismo alguma vez visto no cinema mainstream ocidental, desde queimar um autocarro de crianças com lança-chamas até clubes de tortura onde prostitutas que rendem pouco são usadas para arte de retalho para diversão de grupos de rapaziada jovial que já não sente prazer em estropiar grávidas ou atropelar freiras. O sangue flui como água em Cabora Bassa e ninguém escapa impune aos constante fluxo de carnificina que parece  nunca abrandar nos 80 minutos úteis de duração do filme. Atenção que eu vi a versão Unrated.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim desenganem-se aqueles que pensam que lá por ser uma homenagem/paródia se caiu num nível de produção de Scary Movie ou outros subprodutos tóxicos hollywoodianos do género. Nada disso. Tecnicamente, Hobo with a Shotgun é muito bom. Um cuidado especial na fotografia, saturada e rica em detalhe, a iluminação é exuberante e competente a atingir aquilo a que se propõe. A narrativa não é especialmente meritória de um Nobel mas é servida a um ritmo competente e &#8220;just in time&#8221;. O detalhe dado às cenas é muito original, com uma densidade de boas ideias de produção rara num filme de acção. Uma estética de violência e um trabalho de câmara excepcional. Tem, no entanto, uma cortante falta de nudez e sexo que ficariam muito bem entre os 45 e os 50 minutos, antes da partida para a sequência final de mortandade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ver morrer é um prazer! Um belo serão que se passa à lareira a ver pessoas a falecer violentamente antes do seu tempo junto da nossa amada, quem sabe para comemorar um aniversário de casamento ou de namoro. Estou a gozar, obviamente. Vejam-no sozinhos ou com colegas da ganza, senão as vossas senhoras infernizar-vos-ão o juízo até ao dia do juízo final e sempre que estiverem quase a perder uma discussão irão dizer &#8220;<em>Ai é? E aquele filme que me fizeste ver no nosso primeiro aniversário? Aquela coisa horrível que me fez correr para casa dos teu melhor amigo à procura de um ombro para chorar. E por causa deste filme de merda uma coisa levou à outra e quando dei por ela já o video tinha 449.893 hits no pornotube, o dobro do video mais visitado da tua mãe!</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="425" height="269"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/ssHEAOrAdCU?fs=1&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/ssHEAOrAdCU?fs=1&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="269"></embed></object></p>
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		<title>Død snø (2009)</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 22:41:41 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4223" title="deadsnow" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/02/deadsnow.jpg" alt="" width="425" height="266" /></p>
<p style="text-align: justify;">Zombies Nazis. O que é que neste conceito pode falhar? Nada, obviamente. Um país famoso pelo arenque, bacalhau e a fabulosa qualidade de vida que aparece sempre no telejornal a cada vez que se fala que Portugal é uma desgraça de país, seria a improvável pátria de um dos melhores filmes de zombies que vi ultimamente. Mas depois pensamos nas bandas de Black Metal satânico, nas taxas de suicídio e naquela gaja dos Abba* que nunca depilava os sovacos e tudo faz sentido.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4222"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um grupo de jovens passa um fim de semana numa remota cabana das montanhas escandinavas. Sem contacto com o mundo, entregam-se aos prazeres da juventude. Por uma incrível coincidência esta zona está também infestada de nazis zombies, esquecidos da Segunda Grande Guerra. Os dados estão lançados para um belo serão de cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">A forte influencia de outros filmes do género é assumida sem complexos, desde a t-shirt de Braindead, a existência de um cinéfilo utra geek do cinema de terror, passando por algumas citações ou cenas que são reencenadas de clássicos de Hollywood. Mas ainda assim o toque exótico norueguês confere-lhe uma personalidade própria e um sentido de humor bem refinado.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o inexperiente em cinéfilia zombiana poderá parecer mais do mesmo, mas como em todos os filmes de zombies o que interessa são os detalhes, os pequenos elementos que adornam a trama habitual de &#8220;luta pela sobrevivência de um grupo cercado de mortos-vivos que vai falecendo ao ritmo lento de um a cada dez minutos até sobrarem dois ou um que se revela infectado nos últimos segundos, no caso de o realizador não ser dado a lamechices.</p>
<p style="text-align: justify;">Dead Snow é o título internacional de Død snø, e deve ser pronunciado comprimindo os lábios como que a soprar um apito inexistente e emitindo dois sons em velocidade lenta como se estivéssemos a ensinar um cavalo a dizer &#8220;pão de ló&#8221; levantando a mão ao ar como uma batuta invisível.</p>
<p style="text-align: justify;">* &#8211; E sim, eu sei que os Abba são suecos, mas para nós que moramos aqui nesta ponta da Europa, a Escandinávia é apenas um grande balde de vikings pescadores de bacalhau que ganham mais de 5000 euros por mês já depois de 50% de imposto do qual ninguém se queixa porque o estado o aproveita para possibilitar uma melhor qualidade de vida aos seus cidadãos, em vez de o foderem todo em carros topo de gama, aventuras megalomanas com o dinheiro que a nossa segurança social tira ás crianças famintas deste país e ao orçamento dos seus pais que já antes era à conta, às empresas publicas onde os seus amigos podem ganhar uma fortuna jogando Tetris e snifando cocaína o dia todo e outras características de novo riquismo reconhecido às sociedades menos evoluídas.</p>
 <img src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=4222" width="1" height="1" style="display: none;" /><h2  class="related_post_title">Posts Relacionados</h2><ul class="related_post"><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/11/03/severance-2006/" title="Severance (2006)">Severance (2006)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/07/15/escape-from-new-york-1981/" title="Escape From New York (1981)">Escape From New York (1981)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/11/26/zombieland-2009/" title="Zombieland (2009)">Zombieland (2009)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/01/18/videodrome-1983/" title="Videodrome (1983)">Videodrome (1983)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/11/15/la-horde-2009/" title="La Horde (2009)">La Horde (2009)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/06/11/mutants-2009/" title="Mutants (2009)">Mutants (2009)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/10/25/teenagers-from-mars-graphic-novel/" title="Teenagers From Mars &#8211; Graphic Novel">Teenagers From Mars &#8211; Graphic Novel</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/12/31/machete-2010/" title="Machete (2010)">Machete (2010)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/02/14/chronicles-of-wormwood-banda-desenhada/" title="Chronicles of Wormwood &#8211; Banda Desenhada">Chronicles of Wormwood &#8211; Banda Desenhada</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/02/03/carriers-2009/" title="Carriers (2009)">Carriers (2009)</a></li></ul>]]></content:encoded>
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		<title>Videodrome (1983)</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jan 2011 11:20:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não há dia que passe sem um iluminado nas ciências do comportamento vá a um noticiário da TV dizer que a Internet nos está a roubar o cérebro. Que a quantidade de entretenimento e tecnologia que nos obriga a constante multitasking nos está roubar a imaginação e capacidade de raciocínio. Se isso é verdade não sei, porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4189" title="videodrome" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2011/01/videodrome.jpg" alt="" width="425" height="238" /></p>
<p style="text-align: justify;">Não há dia que passe sem um iluminado nas ciências do comportamento vá a um noticiário da TV dizer que a Internet nos está a roubar o cérebro. Que a quantidade de entretenimento e tecnologia que nos obriga a constante multitasking nos está roubar a imaginação e capacidade de raciocínio. Se isso é verdade não sei, porque costumo estar a enviar um sms, a ler o rodapé do telejornal, a colocar &#8220;likes&#8221; nas fotos dos meus amigos, a tirar fotografias pela janela da minha vizinha em cuecas e a aprender uma língua estrangeira na PSP enquanto esses senhores falam.  Normalmente saco depois o podcast para armazenar no disco e nunca mais ouvir. Videodrome avisou-me que isto ia acontecer mas eu não quis acreditar. Hoje em dia quanto mais <em>CGI porn</em> vejo nos blockbusters actuais, mais idolatro Videodrome. Mais do que um filme visionário acerca dos malefícios da multimédia para o nosso livre arbítrio, Videodrome é uma obra prima que marca o início do reinado da &#8220;nova carne&#8221; de Cronenberg.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4163"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Videodrome é um marco importante na carreira de Cronenberg. Até este ponto era um realizador vulgar de filmes de terror. Filmes que tinham alguns pozinhos de identidade, mas nada de excepcional. Ainda assim Scanners é um bom filme e a cena da cabeça a explodir será para sempre um icon (animado) da sétima arte. Videodrome é o início da nova carne, onde Cronenberg começa a experimentar na área da fusão homem, máquina, coisa indescritível, que teve o seu pináculo em The Fly.</p>
<p style="text-align: justify;">James Woods é o gerente de um canal obscuro de TV Cabo especializado em video choque. Sexo bizarro, morte, destruição, esse tipo de coisas associadas ao lado obscuro do entretenimento.  Certo dia um dos seus técnicos descobre uma emissão pirata de satélite de um programa chamado Videodrome, que consiste em tortura e morte sempre na mesma sala. Ao tentar saber mais sobre Videodrome, Woods é aconselhado por todos a largar esta obsessão sob o risco de ver a vida a andar para trás. Mas Woods insiste e a certa altura é impossível distinguir o que é verdade do que é imaginário. Ou será que é o inverso? Ou será que é tudo verdade?</p>
<p style="text-align: justify;">Passados quase 30 anos Videodrome continua com o mesmo efeito de murro no estômago que teve na sua estreia e, curiosamente, faz mais sentido nos dias que correm do que na altura em que foi lançado, no pico dos canais experimentalistas e multiplicação exponencial dos canais do cabo. Com a Internet e os sites de video, as tendências, os <em>memes</em>, as tribos virtuais, tudo faz mais sentido, tudo encaixa. E isto, meus amigos, é genialidade, é a marca de um visionário. <em>Death to Videodrome! Long live The New flesh!</em></p>
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		<title>Machete (2010)</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 12:02:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4138" title="machete" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/10/machete_poster2.jpg" alt="" width="425" height="240" /></p>
<p style="text-align: justify;">Chega ao fim mais um ano. Na minha lista de rascunhos procurei algo que estivesse pendurado injustamente. Pesco este Machete que mantive em banho maria por demasiado tempo. Não posso dizer que Machete seja a minha paixoneta cinematográfica do ano porque sou uma pessoa com grande dificuldade em demonstrar entusiasmo ou qualquer estado emocional que requeira algum nível de euforia. Mas que Machete foi um belo filme de 2010, isso não podemos negar. Não será certamente uma mensagem inspiradora que possa criar benevolência e ondas universais de filantropia. Não. É apenas divertimento no seu estado mais puro. Mas atenção, não é divertimento para todos, é para quem o conseguir inserir no seu lugar. E também é o uso mais divertido de um intestino humano desde o Braindead de Peter Jackson em 1992 ou as filmagens de Tomás Taveira em 1989.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3870"></span>Para que se possa compreender Machete deve-se compreender primeiro o conceito de Grindhouse. Acho que já tinha abordado este assunto algumas vezes antes, mas na época de Internet em que toda a gente tem memória de passarinho nunca é demais realçar as coisas que queremos ver bem elucidadas. Ora portanto Grindhouse. Grindhouse é um termo impossível de compreender para um português ou outro qualquer habitante de um país fora dos Estados Unidos. Mas felizmente temos em Portugal a nossa própria versão de Grindhouse. Nos anos 80 e inícios dos anos 90 a indústria de distribuição de cinema era diferente do que é hoje. Havia dois tipos de salas de cinema. A primeira divisão, onde passavam as estreias e os filmes mais mainstream. Depois havia a segunda divisão que englobava as salas mais pequenas com filmes série B ou filmes mainstream com mais de 6 meses, as salas de bairro, o cinema itinerante de aldeia e as míticas salas de praia que ainda hoje persistem nalguns locais do país. Essa segunda divisão é o nosso Grindhouse. Normalmente sessão duplas, filmes que só eram exibidos um dia ou dois, cópias cortadas e mal tratadas, erros de projecção, cinematografias menos mediáticas, violência, terror e a sempre omnipresente pornografia depois da meia noite.</p>
<p style="text-align: justify;">É numa homenagem ao contexto descrito anteriormente que devemos ver Machete. Os elementos são desse tipo de cinema, os deliciosos detalhes copiados fielmente. Não se pode dizer que seja grande surpresa porque quem viu Planet Terror sabe que se há um mestre deste tipo de cinema, esse mestre é Robert Rodriguez. A fotografia, os planos, os clichés, as desnecessidades da violência gratuita, os goofs, os plot holes, o exagero, a preguiça narrativa contornada com acrobacias absurdas, sexo em barda de modo perfeitamente aleatório&#8230; Não falta nada aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o filme acaba e pensamos objectivamente no que acabamos de presenciar é impossível não pensar algo do género &#8220;<em>Como é que se consegue condensar tamanha quantidade de actores famosos, secundários de peso, argumento multithread em pouco mais de 90 minutos?</em>&#8220;. E de tal intensidade, fluxo de informação e passo acelerado que duas ou três visualizações extra não fazem mal a ninguém, com a vantagem de se descobrirem detalhes a cada vez que se (re-)vê. Danny Trejo vê-se assim, de repente, transformado num action hero de referência, num icon sexual do novo milénio e vem provar que quando é preciso matar e copular em larga escala sem perder de vista o objectivo da missão é necessário bem mais que uma carinha laroca.</p>
<p style="text-align: justify;">A galeria de actores é de uma beleza quase surreal. Não apenas na quantidade de nomes sonantes como no tipo de papel atípico que desempenham sob a batuta de Rodriguez (Eu também não gosto da metáfora da batuta, mas não me ocorreu mais nada que, sorry. Estão à vontade para destilar veneno nos comentários). Robert De Niro, irreconhecível político redneck vira-casacas com elevado instinto de sobrevivência. Jessica Alba, pouco mais que um belo rabo, cara laroca e uma boquinha marota, não me parece que tenha sido o casting ideal, mas como se trata de Grindhouse, passa&#8230; Steven Seagal, o mais denso cepo unidimensional no seu primeiro papel de bad guy. Priceless. Eu adorei-o pela primeira vez na vida. Aliás, deve ser o único filme com ele que vi mais de 3 minutos. Michelle Rodriguez como sempre muito bem no papel de bela musa da ultra-violência. Nem com um olho a menos perde piada. Ainda há lugar para Lindsay Lohan a fazer de si própria, Don Johnson também irreconhecível no papel de pulha genérico e toda uma gama de secundários de respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">É também interessante este aspecto de  dualidade absoluta dos personagens. Ou são bons e justos ou demoníacos. Mais ou menos com num episódio de Knight Rider ou McGyver. Não há espaço para tons de cinzento no universo sangrento de massacre. Nas sábias palavras de Yoda &#8220;Do or do not, there is no try!&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluindo que já se faz tarde, devo dizer que não estamos perante uma evolução no cinema moderno. Não estamos perante a nova &#8220;Next Big Thing&#8221; de Hollywood. Clássico instantâneo. Estamos perante um filme que é imensamente divertido e que para ser consumido em toda a sua glória teria que ser visto no cinema da Praia de Monte Gordo a meio do mês de Agosto ou, em alternativa, numa cópia de uma cópia em VHS, com fotocópia da capa a preto e branco (modo econofast). Ou Beta. Beta não era mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom 2011 para todos e que, no mínimo, não vejamos a nossa vida a andar para trás. Amo-vos a todos como irmãos. E não falo daqueles irmãos que o meu pai deixou no ultramar e que nunca conheci, mas sim de irmãos verdadeiros que nos fazem a vida um pouco mais colorida. Não colorido no sentido gay da expressão, mas no sentido de ajuste de saturação de um TV ou um monitor descalibrado.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>The Adventures of Buckaroo Banzai Across the 8th Dimension (1984)</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Dec 2010 22:35:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O género cinematográfico &#8220;alienígena escaganifobético&#8221; não é um exclusivo dos últimos anos. Cada época, cada cinematografia ou onda tendencial tem os seus exemplares. The Adventures of Buckaroo Banzai Across the 8th Dimension é um delírio dos anos 80, uma obra de tão genial bizarria que não podemos evitar fazer constantemente a pergunta &#8220;Como é que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-4127" title="buckaroo6" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/12/buckaroo6.jpg" alt="" width="425" height="425" /></p>
<p style="text-align: justify;">O género cinematográfico &#8220;alienígena escaganifobético&#8221; não é um exclusivo dos últimos anos. Cada época, cada cinematografia ou onda tendencial tem os seus exemplares. The Adventures of Buckaroo Banzai Across the 8th Dimension é um delírio dos anos 80, uma obra de tão genial bizarria que não podemos evitar fazer constantemente a pergunta &#8220;Como é que alguém autorizou tal coisa?&#8221;. Rock star, neurocirurgião, físico quântico, herói da banda desenhada e aventureiro. Apresento-vos Buckaroo Banzai, herói nipo-americano capaz de salvar o planeta Terra das garras dos demoníacos seres da oitava dimensão, todos chamados John.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4053"></span>Basta ver Jeff Goldblum vestido de cowboy de extremo garrido farfalhudo para perceber que não estamos perante um filme normal, mesmo para os canones alucinogénicos dos anos 80. Também não se pode dizer que seja um experimentalismo série Z, para encher prateleiras de clubes de vídeo ou passar em horas obscuras em canais de cabo. Nada disso. Buckaroo Banzai foi uma tentativa gorada de criar um novo tipo super-herói, um estilo mais &#8220;comic sem super-heróis&#8221;, num mix de acção com comédia de exageros, como foi este ano que passou Scott Pilgrim, por exemplo. Mas neste caso com chumaços para os ombros e bolas de espelhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Um ponto de realce neste épico esquecido pelas areias do tempo é a invejável lista de actores. Ora vejamos; Peter Weller (Robocop, oh yeah!), John Lithgow (Supreme Commander), Jeff Goldblum ou ainda o mítico Christopher Lloyd (aka Doc Brown). Todos em inesquecíveis personagens, para o bem ou para o mal. É pena o argumento ser pobrezinho em conceito, porque realmente existe algum potencial num filme contenha a expressão &#8220;across the 8th dimension&#8221; no título.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou fazer uma coisa que não faço há algum tempo, um resumo livre. Ora vejamos&#8230; Buckaroo Banzai testa um novo sistema de navegação que permite, entre outras coisas, atravessar montanhas ou volumes de alta densidade sem haver contacto. O problema é que Banzai entra em contacto com umas criaturas malandrecas a meio de uma experiência. Está dado início ao plano dos agentes adormecidos dos maléficos malandrins da oitava dimensão, curiosamente todos chamados John. E quando o mundo está prestes a ceder à hegemonia alienígena, um extra-terrestre (rastafari) do mesmo planeta alia-se às temíveis hordes de Buckaroo Banzai  pela reconquista da liberdade planetária, numa batalha de proporções épica, onde as mais poderosas super-potências não podem fazer mais que assistir a Buckaroo distribuir bofetada em lombo alienígeno. Além disso temos uma criança de 12 anos a usar um metralhadora sem supervisão de um adulto, uma melancia misteriosa cuja utilidade não é nunca revelada e uma sequência de créditos finais de antologia.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom e se isto não vos convenceu, acho que nada nunca vos poderá convencer&#8230; Talvez esta secção de multimédia ajude. Já agora, se estiverem interessados em ver uma versão em HD sem terem que pagar, basta que tenham Zon. Está a passar incessantemente no canal MOV. Quando digo &#8220;sem terem que pagar&#8221; e &#8220;basta que tenham Zon&#8221; na mesma frase estou a cometer um erro que pode causar a implosão da realidade e a anulação de grande parte da Via Láctea perante o contacto de tanta anti-matéria.</p>
<p>Trailer:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="260" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/0gNJ1z-ulB4?fs=1&amp;hl=pt_PT" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="260" src="http://www.youtube.com/v/0gNJ1z-ulB4?fs=1&amp;hl=pt_PT" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4129" title="buckaroo1" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/12/buckaroo1.jpg" alt="" width="410" height="240" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4130" title="buckaroo3" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/12/buckaroo3.jpg" alt="" width="406" height="312" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4132" title="buckaroo5" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/12/buckaroo5.jpg" alt="" width="425" height="239" /></p>
 <img src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=4053" width="1" height="1" style="display: none;" /><h2  class="related_post_title">Posts Relacionados</h2><ul class="related_post"><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/03/07/ninja-iii-the-domination-1984/" title="Ninja III: The Domination (1984) ">Ninja III: The Domination (1984) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/11/13/porque-hoje-e-dia-do-pai-em-tatooine/" title="Porque hoje é dia do Pai em Tatooine">Porque hoje é dia do Pai em Tatooine</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/07/18/series-de-ficcao-cientifica-dos-anos-80/" title="Séries de Ficção Científica dos anos 80">Séries de Ficção Científica dos anos 80</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/04/05/o-anel-de-noivado/" title="O Anel de Noivado">O Anel de Noivado</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/03/01/2774/" title="4 saudosos elementos cinematográficos esquecidos">4 saudosos elementos cinematográficos esquecidos</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/02/18/anvil-the-story-of-anvil-2008/" title="Anvil! The Story of Anvil (2008) ">Anvil! The Story of Anvil (2008) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/02/07/teen-wolf-1985/" title="Teen Wolf (1985)">Teen Wolf (1985)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/01/04/500-days-of-summer-2009/" title="(500) Days of Summer (2009) ">(500) Days of Summer (2009) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/12/30/predator-1987/" title="Predator (1987)">Predator (1987)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/09/18/the-hitchhikers-guide-to-the-galaxy-2005/" title="The Hitchhiker&#8217;s Guide to the Galaxy (2005) ">The Hitchhiker&#8217;s Guide to the Galaxy (2005) </a></li></ul>]]></content:encoded>
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		<title>Caché (2005)</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Nov 2010 12:01:21 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4032" title="cache" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/11/cache.jpg" alt="" width="425" height="206" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ora aqui está um filme bem distorcido, destilado pela visão peculiar de Michael Haneke, com todos as características perturbadoras que nos tem habituado. Caché começa por se apresentar como um filme acerca de um mistério que poderá envolver drama, vertente policial e o eventual twist da praxe para acabar. No entanto Haneke sabe usar as ideias pré-concebidas e boçais do cinema actual para nos levar, quais crianças atrás do pai natal, até à terrivel verdade, escondida e silenciada para bem do conforto da sociedade ocidental civilizada de corpo dormente e cabeça escondida na areia.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4031"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Caché começa por revelar a fragilidade e superficialidade (de aparente felicidade) de uma relação de um casal que podia ser qualquer casal parisiense. O elemento da ameaça desconhecida é apresentado sob a forma de simples cassetes de video acompanhadas de desenhos bem inspirados (eu comprava um t-shirt com eles). Perante o desconhecido e a ameaça do desenterrar de segredos (sempre escondidos para o cinéfilo), o casal começa a implodir, tentando procurar as causas interiormente, sempre mantendo a fachada de felicidade e prosperidade. No entanto, quando a relação colapsa, a procura vira-se para o exterior, procurando alvos fáceis e débeis, os àrabes, que neste caso é só um, mas que bem podiam ser todos. A desresponsabilização ocidental chega a níveis perturbadores, desconfortáveis e bastante pungentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Na realidade, Haneke sabe-nos manipular magistralmente. Constrói a sua obra através de camadas, sendo que o argumento do filme é apenas uma encapsulação de uma situação social complicada em França. A família francesa acaba por ser a França e o pobre emigrante àrabe acaba por ser toda a comunidade. Em causa está ainda o massacre de 200 argelinos numa manifestação em 1968 (???) e a maneira como a França reagiu fazendo-o desaparecer misteriosamente da sua consciência social.</p>
<p style="text-align: justify;">Se a nossa visão perante o filme for puramente a busca pelo misterioso cameraman acabamos por ter um decepção, no entanto se escavarmos o significado político do filme, é um murro no estômago. Não o é por ser uma situação que ninguém conheça, mas sim por levantar uma questão que toda a gente faz questão em ignorar para bem da continuação no nosso próspero modo de vida. Ainda a destacar a cena final que poderá ser para os mais simplistas uma questão de revelar quem manda as cassetes, enquanto que, em termos políticos, poderá ser uma esperança num mundo melhor ou um mundo pior, consoante a vosso alinhamento no espectro político / social.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>La Horde (2009)</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 12:24:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-4005" title="lahorde" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/11/lahorde.jpg" alt="" width="425" height="225" /></p>
<p style="text-align: justify;">A honestidade é algo de se louvar nos dias que correm. E neste filme devemos honrar essa mesma qualidade, quando aos 7 minutos um dos protagonistas diz &#8220;<em>Estamos aqui hoje para um banho de sangue!</em>&#8221; seguido de uns créditos iniciais minimalistas ao estilo grindhouse. E é isso mesmo que temos, um banho de sangue à francesa. E quem tem seguido o cinema de terror francês nos últimos 5 anos sabe perfeitamente que não é nenhuma pêra doce, porque no que diz respeito a carnificina estes gauleses são loucos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4004"></span>Muito se tem filosofado acerca do subgénero do filme zombie. Ora, o filme zombie assenta em duas bases, a crítica social e  a estrutura narrativa. A crítica aponta sempre uma injustiça que pode ser representada sob a forma de metáfora nos próprios mortos vivos ou nalguma desequilíbrio social que é acentuado pela pandemia de mortos-vivos, neste caso os bairros sociais franceses e toda a polémica que daí adveio nos últimos anos com os queimadores de carros e paulada policial sortida em jovem lombo árabe. A estrutura narrativa pouco muda. No início o mundo é normal e as pessoas levam a sua vida mundana, segue-se uma artimanha narrativa para fazer aparecer a epidemia zombie do nada, um grupo de sobreviventes batalha zombies demasiado atarefado para tentar perceber a causa desta infecção, sobram 2 (ou 3 se houver sidekick) e quando a acalmia regressa à vida destes privilegiados humanos uma acontecimento final (quase de último frame) faz desabar todas as conquistas ou dá uma piscadela de olhos à continuação (ou sequela, como se diz agora).</p>
<p style="text-align: justify;">E La Horde não foge a esta fórmula, nem nenhum bom filme de zombies que se preze. O segredo do sucesso desta produção francesa está na aproximação ao tema, neste caso temos uma super equipa de polícias que aparece num bairro de subúrbio francês para capturar (e chacinar) uma quadrilha responsável pela morte de um colega. A intervenção corre mal e quando tudo parecia perdido para os polícias chegam os zombies obrigando inimigos a colaborar pela sobrevivência. Junte-se um personagem psicótico / excêntrico e temos receita para uma bela película de matança sanguinária.</p>
<p style="text-align: justify;">É um filme de orçamento contido, mas muito bem gerido. As criaturas das trevas estão bem caracterizadas, os cenários pintados a sangue dão um nefasto colorido e a caracterização da carne humana a ser maltratada é de classe superior. Tem falta de tiros na cabeça, é verdade, parece que os nossos protagonistas não sabem as regras básicas para desactivar correctamente um zombie, mas em contrapartida tem das mais belas coreografias de luta corpo a corpo entre vivos e mortos que alguma vez vi, e eu vi o Braindead. Nudez é algo que parece estar ausente, mas a personagem feminina exibe uns belos mamilos duros como aço, capazes de vazar um olho a quem se aproxime demasiado. Pouco mais podemos desejar num filme de zombies.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nota:</strong> Mais uma vez chamo a atenção para o facto de este tipo de filme ser apenas para apreciadores. Não se forcem, não venham dizer que é pouco credível e que é violento demais ou que a violência é gratuita. Nós sabemos e é mesmo por isso que gostamos tanto. <em>Now let&#8217;s look at the traila</em>:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="256" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/X8h17eDZuoA?fs=1&amp;hl=pt_PT" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="256" src="http://www.youtube.com/v/X8h17eDZuoA?fs=1&amp;hl=pt_PT" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Severance (2006)</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 14:50:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3948" title="severance" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/11/severance.jpg" alt="" width="425" height="306" /></p>
<p style="text-align: justify;">Cada vez mais o mundo se leva a sério. Demasiado a sério! É um sinal dos tempos. Ninguém gosta de ser menosprezado, existe uma tendência de dar valor demais coisas que realmente não o têm. Olhem o cinema actual, por exemplo! Mais do que filmes que se levam demasiado a sério (e logo aí perderem toda a piada), temos exércitos de pessoas que os levam a sério só porque o marketing ditou que assim tinha que ser, e depois têm medo de parecer menos inteligentes, eloquentes ou enciclopédicos que os seus compinchas. Mas felizmente que essa tendência não é globalizante. Filmes como Piranha, Machete ou este <em>muy british </em>Severance vêm demonstrar que o cinema divertido, descomprometido e de qualidade não está morto, ao contrário dos seus personagens que aparentam alguma dificuldade em manter a sua integridade física, seja por  perigo de degolação, mutilação, perfuração severa ou traumatismos múltiplos provocados por objecto contundente, condição normalmente conhecido por &#8220;facada no lombo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3947"></span>Os funcionários de uma multinacional do armamento são enviados para um retiro de confraternização nas mais longínquas matas da Hungria. No entanto, um desentendimento com um motorista de autocarro de personalidade fogosa provoca o abandono do staff no meio da mais densa floresta. No escuro, sem carro, sem comunicações, sem maneira de se defenderem, perdidos e assustados com barulhos bizarros. E daqui até ao mais surreal festim de carnificina é um passinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Severence faz sua a política do cinema de série B, que é o &#8220;Porque sim!&#8221; à resposta &#8220;Mas porquê?&#8221;. O buildup é quase instantâneo e as condições humorísticas que o rodeiam fazem perdoar toda a falta de lógica. O que acaba por ter toda a lógica, diga-se. O esquema &#8220;X pessoas entram, apenas o casal (e talvez um sidekick) saem&#8221; aplica-se aqui perfeitamente num divertido filme de série B que apesar de não ser extremamente original, tem mamas. E mamas, como todos sabemos, é um conceito que faz perdoar as mais vis atrocidades, seja o deslize na conta do cartão de crédito, seja a completa destruição de todo o património familiar acumulado ao longo de 5 séculos.</p>
<p style="text-align: justify;">Como pontos positivos temos a melhor utilização de uma armadilha para ursos alguma vez vista em cinema e duas strippers presas numa cova, cuja única possibilidade de fuga reside em usarem peças de roupa para fazer uma corda. E com isto vos aconselho a ver um filme de terror britânico que não torture porn, coisa que já vai sendo raro de se encontrar actualmente. Peguem nas pipocas, desliguem o telemovel, o facebook, o messenger, o twitter e o caralho a sete que vos distrai 10 em 10 segundos das coisas realmente importantes e toca a ver o que realmente interessa: matança!&#8230;</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="256" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/TVwBVm7yVE4?fs=1&amp;hl=pt_PT" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="256" src="http://www.youtube.com/v/TVwBVm7yVE4?fs=1&amp;hl=pt_PT" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Piranha (2010)</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Oct 2010 13:47:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3885" title="piranha3d" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/10/piranha3d.jpg" alt="" width="425" height="206" /></p>
<p style="text-align: justify;">Para terem uma ideia do que vou falar neste post, imaginem a cena inicial de &#8220;Saving Private Ryan&#8221;, mas em vez de nazis a receberem os aliados teríamos piranhas mutantes assassinas sedentas de carne, esfomeadas, capazes de desfazer um ser humano em 23 segundos. Aliás, em vez de soldados aliados imaginem gajas em bikini. Bikini não, de maminhas ao léu e algumas com as reluzentes vaginas a receber directamente luz do sol. Metam umas pitadinhas de sexo, teenagers no cio, Elizabeth Shue (a MILF de serviço) rija como o aço&#8230; Mas a melhor razão para amar este filme é porque o James Cameron desaprovou. O dele (Piranha 2 de 1981) foi bem pior. Tem medo que dê mau nome ao 3D. Meus senhores, se o 3D tiver alguma utilidade, que duvido, é para ver gajas em pelota. Oscar, já!</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3884"></span>Antes de continuar esta amena conversa de sábado à tarde, deixem-se só aqui enfiar um disclaimer à laia de &#8220;<em>Se não gostas de terror, gore, promiscuidade gratuita e conteúdos excessivamente sexualizados com nenhum intuito excepto, talvez, marketing, põe-te na alheta, ainda vais a tempo de ver o TOP + e aqueles programas que são a extensão das revistas cor-de-rosa em que as pessoas fingem ser felizes, não falam das dívidas nem das doenças venéreas que têm e só snifam coca quando desligam as câmaras.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;">E desengane-se também quem achar que Piranha poderá ser o next big thing do cinema fantástico/terror, porque não é. Piranha é apenas uma elevada dose de diversão descontraída e brutais doses de desnecessária violência altamente surreal da escola de Eli  Roth. O estilo é delicioso e para quem não está familiarizado eu esquematizo muito rapidamente: é construída um cenário envolvendo um conjunto de pessoas num ambiente natural. Laços são criados, relações humanas nas suas mais diversas vertentes são talhadas. Uma situação imprevista floresce do nada e as prioridades mudam. Antes que os personagens se possam habituar à nova realidade, o realizador manda o argumento às urtigas e é sangue, tripas, morticínio e violência exagerada até ao final. As pessoas parecem ser feitas de papel reciclado ensopado em ketchup, tal a facilidade com que se desfazem. No fim não há final feliz, apenas um passo de matança acima do normal para um build up que pisca o olho à sequela, que em português se diz &#8220;continuação&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem lésbicas, o que é muito importante. Quem não gosta de lésbicas? Os homens adoram-nas e as mulheres heterosexuais que nunca provaram carpete passam a vida a imaginar como seria e numa situação de &#8220;<em>nunca ninguém irá saber</em>&#8221; + <em>álcool </em>aposto que nenhuma recusava uma prova oral no túnel do amor. Já que estamos num parágrafo de badalhoquice, há a acrescentar a cena mais aleatória e desnecessária alguma vez vista num filme, que é uma piranha a comer um pénis. No sentido literal, obviamente, porque no sentido figurado tenho a certeza que toda a gente já viu piranhas a comer pénis ou já viu mesmo o seu próprio pénis a ser comido por uma piranha. Isto para quem tem pénis, claro!</p>
<p style="text-align: justify;">Eu não o vi em 3D. Também não paguei por ele, confesso. Digamos que ganhei um voucher na net. Provavelmente em 3D terá sido de cortar os pulsos, porque além da irritação dos óculos, a sensação de desembolsar dois euros e tal pela &#8220;<em>Taxa de Tanso porque é em 3D</em>&#8221; é semelhante a uma ida não planeada a um urologista de dedos gordos.</p>
<p style="text-align: justify;">Garanto-vos não o sentido da vida nem uma saída fácil para as vidas miseráveis que vocês levam (que certamente merecem), mas hora e meia de diversão no estado mais puro, aquele tipo de cinema que temos orgulho em adorar só porque aquele atrasado do Público diz ser &#8220;para mentecaptos com problemas em crescer&#8221;, a mesma descrição que o namorado dele faz cada vez que lhe olha para a gaita.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais razões para gostarem deste filme? Ok, o primeiro gajo a morrer é, nada mais nada menos que, Richard Dreyfuss. Esse mesmo. O homem que deu luta feroz ao Tubarão em 1975 nem se aguentou 3 minutos na cena inicial com meia dúzia de piranhas. Mais? Ok, quem é o cientista louco deste filme? Exacto&#8230; Christopher Lloyd, o mesmo que não precisa de estradas para onde vai.</p>
<p style="text-align: justify;">Fica um video ainda mais glorioso em que o elenco de Piranha apela a uma nomeação para o Oscar. Também tem gajas, mas estão vestidas.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="253" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ijamBpVeXlQ?fs=1&amp;hl=pt_PT" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="253" src="http://www.youtube.com/v/ijamBpVeXlQ?fs=1&amp;hl=pt_PT" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
 <img src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=3884" width="1" height="1" style="display: none;" /><h2  class="related_post_title">Posts Relacionados</h2><ul class="related_post"><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/12/31/machete-2010/" title="Machete (2010)">Machete (2010)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/03/07/ninja-iii-the-domination-1984/" title="Ninja III: The Domination (1984) ">Ninja III: The Domination (1984) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/01/09/kickass-1%c2%ba-trailer/" title="KickAss &#8211; Trailer">KickAss &#8211; Trailer</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/12/19/crossed-banda-desenhada/" title="Crossed &#8211; Banda Desenhada">Crossed &#8211; Banda Desenhada</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/12/04/kickass-teaser-trailer/" title="Kickass &#8211; Teaser Trailer">Kickass &#8211; Teaser Trailer</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2009/10/25/teenagers-from-mars-graphic-novel/" title="Teenagers From Mars &#8211; Graphic Novel">Teenagers From Mars &#8211; Graphic Novel</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/05/03/the-crazies-2010/" title="The Crazies (2010) ">The Crazies (2010) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/04/25/eastern-promises-2007/" title="Eastern Promises (2007) ">Eastern Promises (2007) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/04/23/kick-ass-2010/" title="Kick-Ass (2010) ">Kick-Ass (2010) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/04/02/the-spirit-2008/" title="The Spirit (2008)">The Spirit (2008)</a></li></ul>]]></content:encoded>
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		<title>Sympathy for Mr. Vengeance (2002) &#8211; Oporto Chronicles</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Sep 2010 22:35:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Porto, Rua de Cedofeita. 8:47 da manhã. Segunda-feira. Enquanto tento esquecer o sabor a café torrado cheio de borras que acaba de me ser servido numa esplanada surpreendentemente bem frequentada, leio no JN a notícia de uma esposa que matou o marido à machadada e martelada para depois partilhar o leito conjugal com o cadáver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3785" title="mrvengeance" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/09/mrvengeance.jpg" alt="" width="425" height="282" /></p>
<p style="text-align: justify;">Porto, Rua de Cedofeita. 8:47 da manhã. Segunda-feira. Enquanto tento esquecer o sabor a café torrado cheio de borras que acaba de me ser servido numa esplanada surpreendentemente bem frequentada, leio no JN a notícia de uma esposa que matou o marido à machadada e martelada para depois partilhar o leito conjugal com o cadáver durante 3 dias. Ah, as loucuras da juventude! Não pude evitar alguns pensamentos relacionados com a ausencia do efeito da gravidade nos seios de uma catraia que lia um exemplar envelhecido de &#8220;Deus tem Caspa&#8221; de Júlio Henriques na mesa em frente e em como a descrição gráfica e dolorosamente lenta da prazenteira homicida me fez lembrar Sympathy for Mr Vengeance, de Chan-wook Park, essa entidade superior incapaz de produzir mau cinema.</p>
<p><span id="more-3781"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Já por aqui muito se tem falado de Chan-wook Park e da sua indiscutível capacidade de contar narrativas pungentes através de imagens. Além da superiora qualidade da narrativa, Chan-wook Park brinda-nos com uma qualidade gráfica sem paralelo na industria. Qualquer frame do filme poderia ser revelado e o resultado seria sempre uma foto de qualidade suprema.</p>
<p style="text-align: justify;">Sympathy for Mr. Vengeance é o primeiro tomo da trilogia &#8220;Vingança&#8221; deste autor, sucedido por OldBoy e (Sympathy for) Lady Vengeance. A narrativa, como é apanágio do mestre, é complexa. A história muda de dono, rodopia, saltita, volta atrás, intercala, sempre no domínio do bom gosto.</p>
<p style="text-align: justify;">Violento quanto baste, sem que isso significa ofensivo ou desagradável, Park melhor que ninguém consegue conduzir um épico da ultraviolencia com a leveza de um maestro numa obra primaveril de Vivaldi, assim como quem salta sobre nenufares, esfaqueando e degolando. Melhor que o cheiro de napalm pela manhã.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou rever assim que possa, porque o que é bom tem que se venerar. E com esta vos deixo, boa noite e  bons sonhos.</p>
<p style="text-align: justify;">* <strong>Oporto Chronicles -</strong> Estas crónicas estão a ser escritos na cidade do Porto, enquanto me encontro deslocado temporariamente por razões profissionais. Apesar de considerações que possam ser mais ou menos abonatórias para a região, adoro estar entre tripeiros.</p>
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		<title>Rambo III (1988)</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 09:19:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No final dos anos 80 esperava-se ardentemente o tomo 3 da saga Rambo. Era uma ideia que nos dissolvia o cérebro por dentro, não nos deixava raciocinar para além da expectativa da matança anunciada que se aproximava, qual profecia divina. O Escolhido iria mais uma vez salvar os oprimidos naquele que seria, indubitavelmente, o maior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-3560" title="rambo3" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/07/rambo3.jpg" alt="" width="425" height="335" /></p>
<p style="text-align: justify;">No final dos anos 80 esperava-se ardentemente o tomo 3 da saga Rambo. Era uma ideia que nos dissolvia o cérebro por dentro, não nos deixava raciocinar para além da expectativa da matança anunciada que se aproximava, qual profecia divina. O Escolhido iria mais uma vez salvar os oprimidos naquele que seria, indubitavelmente, o maior banho de sangue da História. Eu e o Zé fizemos uma jura de sangue que iríamos ver o filme juntos, mal estreasse. Para nós não havia muita coisa sagrada. Trocava-mos os livros do Patinhas, os discos de vinil (excepto o Master of Puppets e o Number of the Beast) e até as namoradas podiam ser emprestadas se tal fosse necessário. Mas as promessas de sangue eram para cumprir e se envolvessem o Rambo pior ainda. Mas nesse malfadado Verão, consumido por uma desejo incontrolável, fui ver o filme na primeira oportunidade que tive, sozinho, sem o Zé. A sombra da traição ainda hoje me persegue, como um nuvem do Apocalipse que ainda hoje me provoca um ligeiro desconforto a cada vez que vejo o Rambo 3.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3559"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Rambo 3 é de uma narrativa tão simplista como qualquer outro Rambo. O argumento resume-se apenas a criar uma desculpa para a matança. Mas ao contrário dos filmes actuais, os Rambos têm sempre um mensagem política bastante forte. Rambo não mata por matar. Desta vez Rambo aterra no Afeganistão para salvar o seu mentor. Pelo caminho tropeça numa guerra que não é a sua, entre a União Soviética e os Mujahedins afegãos, e faz justiça pelas suas próprias mãos num festim apoteótico de carnificina e destruição. Acaba por ser considerado como local people pela sua bravura em combate em defesa de um povo nobre e corajoso. E desta vez Rambo não ama, só mata!</p>
<p style="text-align: justify;">O que me chamou a atenção da última vez que vi este filme foi a constatação, vinte e tal anos depois, de como as coisas mudaram. Neste momento poder-se-ia fazer o exacto mesmo filme, mas trocar os russos por americanos. Os Mujahedins são neste século a raiz de todo o mal, e os americanos andam por lá também a tentar acabar com eles. Ironia das ironias.Mas se o exército americano visse o V for Vendetta veria o problema com outra clareza, é facil matar os homens, é impossível matar uma causa ou um conceito. [<em>Violinos</em>]</p>
<p style="text-align: justify;">Por toda a blogosfera começam a aparecer as crianças dos anos 80 a defender Rambo, o seu herói de infância. Não foi fácil. Já todos nós,cinéfilos, negamos o seu nome numa ou outra ocasião, em alturas em que eramos menos maduros, alturas em que boa cinematografia era incompatível com Rambo. Alturas em que tentámos projectar a nossa personalidade cinéfila arthouse/ indie/ qualquer coisa que impressione gajas. Mas essa puberdade cinematográfica acaba por passar e temos que admitir quem realmente somos, daquilo que gostámos e gostamos. Afinal um bom filme é aquele que nos dá prazer ver, não é o que aquele atrasado mental do Público que também vai falar à SIC  Notícias diz ser um &#8220;<em>apogeu da modernidade sintética, das banalidades mundanas da supremacia ostensivamente bucólica de uma realidade libertina e, convenhamos, fortemente sexualizada</em>&#8221; (a0 falar do Roccos True Anal Stories 14).</p>
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		<title>Adventureland (2009)</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 16:29:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Se para muitos ela é apenas uma actriz de semblante equídeo com a elegância de uma vaca trucidada três vezes no mesmo dia por comboios diferentes, para outros ela é a musa dos vampiros de Twilight. Feia, escancarada e com o carisma de uma pá de valar, é certo, mas capaz de atrair público com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3453" title="adventureland" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/06/adventureland.jpg" alt="" width="425" height="243" /></p>
<p style="text-align: justify;">Se para muitos ela é apenas uma actriz de semblante equídeo com a elegância de uma vaca trucidada três vezes no mesmo dia por comboios diferentes, para outros ela é a musa dos vampiros de Twilight. Feia, escancarada e com o carisma de uma pá de valar, é certo, mas capaz de atrair público com dificuldade de compreender enredos com complexidade superior aos Irmãos Koala. Esta galdéria drogada fortemente viciada em pílulas do dia seguinte e relaxantes musculares também faz outros filmes que não sejam da saga Twilight. Ironia das ironias, acabamos por ter em Adventureland um filme não muito mau, o típico <em>indie teen </em>existencialista, que não sendo original também não provoca o vómito compulsivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3381"></span>Adventureland é um filme que vive de uma situação bastante visitada pelo cinema americano. Um verão na vida de um teenager, normalmente quando acaba o liceu, em que a estabilidade e previsibilidade da adolescência acaba e os personagens preparam-se para enfrentar o fantástico mundo da independência, das crises existenciais e as paixões mais profundas (leia-se: passar do escarafunchar com o dedo ao molhar o pincel). Normalmente começa-se com uma visão do mundo e no final a perspectiva dos jovens perante a vida muda completamente. Neste caso é um emprego de Verão num parque de diversões que muda para sempre a vida destes putos. Quem viveu os anos 80 com consciência dos seus actos deverá certamente recordar-se de Verano Azul, com uma trama semelhante, mas em versão TV.</p>
<p style="text-align: justify;">Para cada filme cada momento, depende da companhia, da disposição. Depende do dia que passou ou do dia que vai chegar. Mas quando pretendo ver algo leve, normalmente recorro ao independente americano que é sempre agradável e simpático. Não nos muda a orientação política ou sexual, apesar de alguns me darem vontade de me converter aos lesbianismo. Mas temos aqui o exemplo de um filme que se equilibra delicadamente num ponto muito bem definido que é&#8230; bem, é o indie pós-sundance. Aquele que é patrocinado pelos grandes estúdios às escondidas, dos diálogos inverosimilmente elaborados, perfeitos, raciocínio rápido e fulminante. Não é como na vida real, pelo menos no meu caso. Quando passo por alguém digo sempre &#8220;Bom dia&#8221; (seja manhã, tarde ou noite) e quando me encontro com alguém que acabou de perder um ente querido pergunto sempre &#8220;Tudo bem?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Recomendo para ver com a gaja, uma alternativa saudável ao filme de gaja e se for bem metido elas nem sabem que foram ludibriadas a ver um filme com mais um pouco de conteúdo do que a Jennifer Lopez a empinar a peida e a queixar-se da solidão ao seu melhor amigo, que na realidade é o seu principe encantado, coisa que ela só percebe quando ele corre atrás dela no aeroporto no momento em que ela se prepara para abandonar para sempre a sua presença.</p>
 <img src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=3381" width="1" height="1" style="display: none;" /><h2  class="related_post_title">Posts Relacionados</h2><ul class="related_post"><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/04/22/the-imaginarium-of-doctor-parnassus-2009/" title="The Imaginarium of Doctor Parnassus (2009)">The Imaginarium of Doctor Parnassus (2009)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/04/13/the-invention-of-lying-2009/" title="The Invention of Lying (2009) ">The Invention of Lying (2009) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/01/04/500-days-of-summer-2009/" title="(500) Days of Summer (2009) ">(500) Days of Summer (2009) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2011/02/26/porkys-1982/" title="Porky&#8217;s (1982)">Porky&#8217;s (1982)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/07/06/hot-tub-time-machine-2010/" title="Hot Tub Time Machine (2010) ">Hot Tub Time Machine (2010) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/07/02/extract-2009/" title="Extract (2009) ">Extract (2009) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/04/20/jennifers-body-2009/" title="Jennifer&#8217;s Body (2009)">Jennifer&#8217;s Body (2009)</a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/03/10/what-happens-in-vegas-2008/" title="What Happens In Vegas (2008) ">What Happens In Vegas (2008) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/03/07/ninja-iii-the-domination-1984/" title="Ninja III: The Domination (1984) ">Ninja III: The Domination (1984) </a></li><li><a href="http://cinemaxunga.net/blog/2010/03/04/frequently-asked-questions-about-time-travel-2009/" title="Frequently Asked Questions About Time Travel (2009) ">Frequently Asked Questions About Time Travel (2009) </a></li></ul>]]></content:encoded>
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		<title>V for Vendetta (2005)</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 23:40:49 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3430" title="V-For-Vendetta" src="http://cinemaxunga.net/blog/wp-content/uploads/2010/06/V-For-Vendetta.jpg" alt="" width="425" height="283" /></p>
<p style="text-align: justify;">Todos nós temos uma listinha de falhas cinematográficas graves, filmes que ficaram para trás. São perfeitamente normais, o tempo não é um recurso infinito de que possamos desfrutar. V for Vendetta é um filme que vejo com cinco anos de atraso por puro preconceito. Na altura em que estreou não estava ainda refeito do pastelão que foram as sequelas de Matrix e não conhecia ainda a Graphic Novel do adorável lunático Alan Moore. É sempre um prazer ver Natalie Portman toda rapadinha&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3410"></span>V for Vendetta fala-nos de uma Inglaterra distópica, ao estilo retro-futuro de 1984, depois de ter fechado as fronteiras ao mundo devido a uma guerra civil americana que afectou o mundo inteiro de modo menos positivo. O regime totalitarista ditatorial de forte influência nazi controla o povo oprimido que, cinzentão, vive um dia-a-dia de liberdade condicionada. Um homem, V, pretende acabar com tudo isto e substituir o regime pela liberdade do caos ou pela democracia, dependendo se falamos do filme ou da graphic novel.</p>
<p style="text-align: justify;">Ver um filme fora da sua bolha de expectativa aquando da estreia é sempre uma mais valia para que se possa avaliar a sua verdadeira essência, mas apesar de ter sido um filme que se vê com prazer, sente-se durante o tempo todo que não tem a profundidade necessária para repassar o efeito pretendido. É revolucionário, no sentido universal e intemporal, tem o look cinzentão de uma vida sem prazer, tem o herói que é a personificação de uma ideia, de uma causa unificadora. Mas no final definha com demasiada previsibilidade e com um climax fraco em relação ao resto. A primeira parte é muito boa, mas quando começa a chegar às considerações finais, desfalece.</p>
<p style="text-align: justify;">Não me vou meter outra vez na conversa mete-nojo dos comics serem melhores ou piores ou que a adaptação não é fiel, digamos apenas que é diferente. A graphic novel é para públicos mais maduros que não esperam happy endings, histórias de amor ou o esquema narrativo linear do template hollywoodiano. O filme tem que se fazer pagar pelo número de cabeças que pagam para o ver. Sejam maduros e exigentes ou barrascos do tunning com ambições fortes na área dos ailerons.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda assim, é um bom filme. Há ali um potencial revolucionário que desperta paixões. Na altura em que estreou, com o mundo sob a liderança do Bush Junior, havia outro contexto mundial, havia a ameaça constante dos estados polícia e das liberdades finadas. O mundo não mudou, continua a dirigir-se a passos largos para a distopia Orwelliana, mas o porta-voz do planeta agora tem muito melhor aspecto e discursos mais refinados.</p>
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