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I, Robot (2004)

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Infelizmente, só a cerca de 35 minutos de filme me apercebi que não estava a ver um clip publicitário… A sequência Converse, JVC, Fedex, Audi, US Robotics e afins entorpeceu-me a mente e quase me senti compelido a tirar o telemovel do bolso para ver as horas. Depois compreendi que era o filme. Então é assim: Futuro e carros voadores e megacidades às luzes. Pessoas vestidas de papel de alumínio e efeitos digitais à base de lens flare. Um polícia “à moda antiga” tem a mania que é engraçado e diz piadas secas para passar o tempo. Um velho suicida-se e o nosso polícia pensa que foi um robot que o matou? Porquê? Graças a um poderoso raciocínio intuitivo, ele fez a estatística de assassinatos cometidos por robots e deduziu que este era obra de um robot. Baseado em… zero casos anteriores! De repente, do nada, um exercito de robots ninja tomam conta do planeta… perdão, tomam conta dos EUA. Tudo bem que são robots cuja função é arrumar a casa, passear o cão, levar o lixo, trabalhar em fábricas ou delegados sindicais, mas o certo é que nem o Son Goku lhe consegue ir ao focinho. Ninjas, digo eu, e esta impressão ninguém me tira.

Quando vi o trailer disto, pensei: “Oh, não!”. A única coisa que me fez ir em frente foi a questão Asimov, também conhecido como o inventor das 3 leis da robótica ou “a máquina de escrever humana”. Apesar de Will Smith encabeçar o elenco, tinha uma ténue esperança de haver questões filosóficas envolvidas. E até tem, mas é um pedacito de discurso de 3 minutos, entoado em tom “fast-rap” para despachar a questão Asimov e ninguém se queixar de rip-off. O estereotipado Will Smith faz uma figura lastimável como actor. É terrível, aborrecido e não convence. Foi promovido de pau de virar tripas a gajo musculado.

A história deste filme já a vimos no Terminator, no Blade Runner, no 2001, Artificial Inteligence, enfim, em todos os filmes que nos apresentam a célebre analogia da revolta dos escravos através de Robots. No futuro, supostamente, a Microsoft mudou de nome para US Robotics (a marca do meu modem), e quer colocar um Robot em cada casa. Uma nova versão do Robot é enviada para o mercado, ao bom estilo de windows XP, com auto update e tudo. Apesar dos robots terem aquelas célebres regras de controlo (procurar google se não sabem do que estou a falar), uma entidade robotica com tendência para a advocacia tenta dar a volta á questão para foder tudo. Perdão… para foder os EUA. No entanto existe um pequeno robot especial, que é a chave da questão. Chamemos-lhe o Moisés dos Robots. A aliança com esse robot kitado (deve ter linux) é a fórmula do sucesso para combater o enxame de robots rápidos como balas, que apesar de se moverem a 500 Km/h e ter a força de 12 elefantes nunca fazem mal a Will Smith, nem tampouco lhe estragam o engomado perfeito da roupinha Armani.

Sonny, o robot, ou “HAL com pernas e moldado a partir de um medalhado olímpico de ginástica chinês”, é um dos embustes do filme. Uma coisa que me indignou foi o interrogatório. Toda a gente sabe que para interrogar um robot basta ligar-lhe uma porta série na nuca e sacar os ficheiros de registo. Depois há a questão das expressões faciais. Claro que um robot que foi programado para moldar a cara com expressões diabólicas teria que fazer em qualquer altura acções diabólicas, não?

O uso de efeitos especiais foi demasiado. Ainda por cima tentou-se atingir um patamar demasiado elevado e a tecnologia disponível não está à altura. Aquela cena da perseguição na auto-estrada está mesmo horrível. E a destruição da casa também. E depois há aquele salto para a água em cima de uma porta, com um gato ao colo, ao estilo de Michael J. Fox em regresso ao futuro.

2 Comments

  1. Peter Gunn

    Se tens escrito criticas boas (e que as há há) esta é uma delas… reflecte exactamente o que de melhor e pior podemos esperar deste filme! O argumento até não é mau de todo, mas depois todo o filme é sufocado pelo excesso de efeitos especiais ainda pouco desenvolvidos para o que se pretendia fazer, parecendo por vezes que estamos a ver segmentos cgi gerados pela PS2 quando o que fazia falta eram os da PS3… e depois temos os “miticos” robos ninja… só vendo mesmo… ou não!

    Um abraço

  2. Jeffrey Epstein Didn't Kill Himself

    Ver blogs com tantos anos passados dá para uma boa relfexão. Como existia razão em critícar um filme de blockbuster pelos seus defeitos, mas como o excesso de negatividade era tão prevalente, mais que agora. Talvez fomos todos um pouco Emos entre 2005 e 2011.

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