No Natal de 1986 fiz-me sócio de um videoclube barato, daqueles em que se pagava joia e mais de metade das prateleiras ainda era beta e dramas indianos. O catálogo era curto, mas para um miúdo que só conhecia dois canais de TV (e um deles sempre a dar ópera e teatros a preto e branco) a ideia de pôr um filme para trás, rever e voltar a rever era basicamente ficção científica doméstica. Entre os campeões de aluguer havia Os Deuses Devem Estar Loucos, Gente Gira (apanhados ultra-racista na África do Sul que hoje deve estar enterrado no tribunal de Haia) e, na secção terror, um título que piscava o olho: C.H.U.D., um acrónimo com pontinhos e cara de filme proibido. Nessa altura não havia 600 milhões de filmes de terror por semana; víamos tudo e, tal como as crianças de 3 anos, gostávamos de tudo.

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