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Ninja Assassin (2009)

O “Grande Manual do Marketing Desonesto do Cinema Americano” fala-nos de dois tipos de filmes que não precisam de argumento. Mais ainda, são dois géneros cinematográficos em que o argumento só vem empatar. Um deles é o filme mainstream com uma (ou mais) cenas de sexo explícito. Brown Bunny, Shortbus, Idiotern, Baise Moi, Ken Park, só para citar alguns exemplos. O que nos fica destes filmes? Berlaitada! O outro género cujo assombro é tal que dispensa completamente argumento: Ninjas!

25 anos depois do apogeu no filme de ninjas, eis que se tenta ressuscitar o nobre filme de Ninja, o único tipo de cinema que tem arqueólogos a tempo inteiro à procura do elo perdido, um filme de ninjas tão perfeito que apenas aparece em lendas e histórias de bar. Todos ouvimos falar dele. Um filme de ninjas tão bom que uma simples visualização é suficiente para transformar um rapazola imberbe numa homem maduro em estado de plenitude e êxtase eterno. Uma obra cinematográfica de tal modo mística que pode provocar uma erecção de 5 dias. Este filme, obviamente, não existe. Acreditem, passei os anos 80 em busca dele e não o encontrei.

Ninja Assassin começa com um aspecto irremediavelmente low budget, com um nauseabundo cheiro a cliché e uma bola de chumbo acorrentada a uma perna com os dizeres “Anos 80“. Mas eis que 2 ou 3 minutos dentro do filme a primeira morte acaba de vez com a ligação à série Z dos 80s. Uma cabeça é cortada ao meio, na zona do nariz. Meia língua fica presa do lado do crânio e antes do cadáver sucumbir numa poça de sangue já outro desgraçado está com as pernas cortadas à altura do joelho. Curiosamente este segundo infeliz está preocupado demais a segurar os seus próprios intestinos para reparar que na ausência de pernas. Uma brutal sequência de abertura, rude ultra-violenta como há muito tempo não se via.

No entanto é sol de pouca dura. Os anos 80 estão de volta quando se tenta criar uma historieta para envolver matança ninja. E com esta historieta se arrasta o nosso filme, ficando a sequência inicial como a marca do que poderia ter sido. As cenas de acção ninja seguintes são apenas wire-fu digitech com CGI em excesso. O próprio sangue que jorra como sémen numa noite de Queima das Fitas é digital. A mística ninja desaparece tão rápido como apareceu.

Se puderem ver a sequência inicial, fiquem por aí. Vejam o trailer e percebem o resto. Mas não se deixem abater por este vazio narrativo e excesso de clichés. É mais ou menos como o Avatar, mas com uma dimensão a menos. Valeu a intenção de revitalizar o moribundo ninja. Esperemos apenas que não se transforme numa tendência para filmes de adolescentes. Não deixemos estrear na TVI a novela “O Ninja do Amor” ou a série da SIC “Estagiário Ninja: Espadas da Paixão”.

6 Comments

  1. “Não deixemos estrear na TVI a novela “O Ninja do Amor” ou a série da SIC “Estagiário Ninja: Espadas da Paixão”.”
    Não lhes dês ideias! Se algum passa aqui no estaminé ainda pode achar boa ideia! **da-se!

  2. Uma mini-série de ninjas na TVI… hummm… eles são “meninos” para o fazer desde que seja uma vingança de amor, claro.

  3. Concordo. Demasiado CGI, de resto até podia ter valido a pena. Parece-me que a porcaria dos filmes com o David Bradley são melhores que isto. Valham-nos as bolorentas e reles VHS.

  4. David Bradley e Shô Kosugi. Não te esqueças do Shô Kosugi …

  5. Shô Kosugi, que curiosamente é o mau desta fita. O responsável pelo sucesso dos ninjas dos 80s parece estar empenhado em mais outra ronda 30 anos depois.

  6. Claro, nunca me esqueço dele: o ninja dos ninjas!
    A única coisa porreira deste “Nija assassin” foi poder revê-lo.

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