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Year One (2009)

yearone

Já fui um entusiasmado fã de Jack Black e sempre pensei que o estilo dele fosse uma fonte interminável de gargalhadas e boa disposição. Mas na realidade Jack Black é um dos actores mais unidimensionais do planeta. A unidimensionalidade é uma unidade atómica, significa que não se pode dividir, mas arrisco cometer o erro científico ao dizer que Michael Cera é um actor ainda mais unidimensional que o gordito supracitado. E quando se junta tanta unidimensionalidade (uff!) com um guião bafiento e sem um único ponto de interesse, estamos perante um filme tão engraçado como uma epidemia de lepra num hospital pediátrico.

Year One é um filme de sketchs feito com cenas facilmente reconhecidas da bíblia. Um enorme episódio de Saturday Night Live que se recusa a morrer, desinteressante e árido, a convidar a um fast forward ou um stop. Uma daquelas experiências que pode levar um adolescente a entrar com duas metralhadores, uma caçadeira e um machado numa escola secundária para chacinar duas ou três turmas.

Realizado por Harold Ramis, que em tempos foi um grande nome na comédia americana, conhecido como o Dr. Spengler em “Ghostbusters”. É certo que hoje em dia é um filme que não desperta especial interesse a ninguém, mas na altura foi um blockbuster épico e a sua carreira no circuito dos clubes de vídeo foi ainda mais impressionante. Mas Ramis também não é conhecido pela sua mestria na realização: Bedazzled, Analize This, Multiplicity?

Uma coisa que me irrita imenso nas comédias americanas mainstream ou das independentes que aspiram ao sucesso é que quando fazem uma comédia que mexe com questões religiosas, fazem-no sempre com um medo imenso de irritar puritanos. Os filmes saem tépidos, inertes e idiotas, para não ferir susceptibilidades e impedir que os seus criadores sejam queimados nas fogueiras. É uma patetice pegada, como se tentassem tornar os evangelhos divertidos. Honrosa excepção para Dogma de Kevin Smith.

Se tiverem que optar entre ver este filme e uma depilação do escroto feita por uma esteticista epiléptica idosa com uma lâmina ferrugenta, rapem os tomates. Correm menos riscos…

2 Comments

  1. Houve uma coisa que não percebi… então o filme começa na pré-história, e acaba la para a época dos romanos…
    Mas afinal em que ano se passa o filme?

  2. Sabes como são os americanos… Metem tudo numa misturadora. Começa numa tribo com aspecto de 10000AC, passa para o antigo testamento onde todas as cenas coexistem simultaneamente. Com romano, claro.

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