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Collateral Damage (2002)

Algo está mal num filme quando nas cenas iniciais temos um Schwarzenegger velho, com peles descaídas e provavelmente um pénis de insuflar devido a uma prostatectomía que correu mal. Curiosamente a sua esposa tem 28 anos, modelo de publicidade e o puto de 6 anos é parecido com o carteiro… Mas é este o ambiente inicial de Collateral Damage e a sua melhor parte, porque depois daqui é queda livre em direcção aos abismos negros e malcheirosos do filme de merda.

Em primeiro lugar deixem-me que vos explique o porquê deste filme. Eu sei que é informação que não consideram prioritária mas estou com tempo para escrever e um bolo no forno que ainda demora. Estava de baixa por assistência à família, o que significa para os mais jovens entre vós “tinha o puto doente e fiquei com ele em casa”. O miúdo adormeceu-me ao colo depois de uma choradeira infernal provocada pela febre. Deixei-o ficar. Mas quando fui procurar um telecomando para ver qualquer coisa na TV, o único que tinha à mão era da ZonBox. Não me podia mexer muito para não o acordar. Fui às minhas gravações e saltitei de filme de merda em filme de merda, daqueles que meto a gravar porque me parece interessante, mas depois nunca mais lhes toco. Mas também não os apago porque tenho a esperança de os poder ver um dia. Infelizmente parei neste, na altura pareceu-me uma boa escolha.

Bem, para todos vós que têm a sorte de nunca ter visto isto, eu resumo rapidamente. Cena inicial, família perfeita. Há uma explosão terrorista e o protagonista fica sem a esposa e o filho. Fica revoltado quando descobre que o terrorista colombiano escapou e o governo americano não planeia fazer nada para o apanhar. O nosso mastodonte germânico apanha um avião e vai lá para o caçar. A um terrorista que é apenas o lider de um exército colombiano que controla as plantações de cocaína, com centenas de milhar de soldados fortemente armados e uma força aérea superior à nossa.

Mas o ridículo não acaba aqui. Podíamos pensar que seria algo do género de “Predator” ou Rambo II. Mas não. O nosso Ex-Terminator nem sequer planeia usar uma arma porque é um filme pacifista. Vai lá exterminar uma guerrilha sanguinária com o poder da palavra e a capacidade de os adormecer de tédio com um discurso moralista acerca dos valores americanos e a família vem primeiro e blá blá blá. Curiosamente ninguém lhe dá duas bofetadas na diagonal ou um tiro na testa quando ele perde 5 minutos de filme a falar do seu país, que até nem é seu e o sotaque não engana.

E lá está a imagem que os americanos têm da América do Sul. Seja México, Brasil, Peru, Argentina ou Suriname. Sempre os mesmos autocarros decadentes apinhados de mercadoria e galinhas vivas, as florestas densas populadas por guerrilheiros de uma qualquer revolução anti-americana, todos os locais falam inglês on demand e os americanos mandam sempre em tudo e em todo o lado.

Bom, resumindo para acabar. Eu lembrava-me do início deste filme, mas não me lembrava do desenrolar. Só depois percebi porquê. É que da primeira vez que o comecei a ver parei passados 10 minutos e não mais lhe meti a vista em cima. Quem disse que idade é maturidade?

3 Comments

  1. Creio que o Arnaldo é austríaco e não alemão…
    Mas continua as boas críticas.

  2. É o Arnaldo e o Rex (cão polícia)… Nunca me lembro se são austríacos ou alemães. Mas acho que germânico abarca aquela zona toda.

  3. depois de ler o texto fiquei pensando. “Já imaginou se o Schwarzenegger fosse eterno?? Jovem para sempre??” Não teria saco pra tanto filme dele não. Sendo assim. A mortalidade é uma benção. e seja bem vinda a velhice

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