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Teen Wolf (1985)

A aproveitar a onda de sucesso, Michael J. Fox arrecadou tudo que conseguiu amealhar. Uma trilogia sucesso e um sitcom apreciada a nível planetário que durou 7 anos é mais que suficiente para escrever o nome entre as estrelas de modo permanente. Mas Fox pisou a bola nesta idiotice teenager que pode muito provavelmente ser a pior comédia juvenil que alguma vez viu a luz do dia. Um jovem descobre um dia que é lobisomem, o que é uma chatice na adolescência. Já não basta a insegurança, a erecção permanente, as manchas nos lençóis e o acne, tinha agora também de aparecer este aborrecido licantropismo.

Em primeiro lugar é preciso colocar aqui uma nota de contexto historico-cinéfilo. Tal como hoje existe esta insuportável praga de filmes e séries de vampiros para adolescentes, na altura havia algo semelhante com lobisomens. A diferença é que os vampiros de hoje são para menores de idade com dificuldades de adaptação social, virgens e que provavelmente ainda mantêm a pintelheira de origem, enquanto estes lobisomens dos 80s não tinham as barreiras do politicamente correcto que separam hoje as nossas crianças daquilo a que normalmente se designa como “realidade”. Ok, resumindo, era a moda dos lobisomens. O título português era (é?) O Lobijovem. Não é mau, até se adaptou bem. Pior era o do Brasil: “O Garoto do Futuro”…

Então a premissa era esse simples conceito do “adolescente engatatão e estrela da equipa de basquete é transformado em lobisomem numa altura chave da sua vida”. E a partir daqui eram as habituais tropelias e risadas que a situação em si implica. Vai para dar um beijo à namorada e repara que tem a mão peluda, vai jogar basquete e a cauda rasga-lhe as calças, esse tipo de slapstick multicolor e visualmente balofo dos anos 80. Eu adorei. Adorei tanto que fui alugar ao clube de video e depois copiei e troquei a fita original pela minha. Fiquei com uma cópia oficial enclausurada numa caixa BASF que dizia “2020, Os Gladiadores do Texas”.

É verdade que os anos 80 deixam saudades, principalmente a mim e aos da minha geração. Mas também é verdade que gostamos desses tempos porque foram os únicos que tivemos.  Não tínhamos auto-estradas nem Internet. Para ver uma berlaitada era preciso arranjar uma Gina que não tivesse páginas coladas. A programação da TV era uma coisa atroz, capaz de traumatizar qualquer alma que visse mais de 2 horas seguidas de Júlio Isidro. Viver os anos 80 em Portugal foi uma tarefa dura, em que ainda não se percebia bem se éramos um país ecléctico virado para a Europa ou um regime fechado em que a própria confissão católica poderia implicar uma visita ao xilindró e umas fartas bastonadas no lombo.

1 Comment

  1. Este filme marcou-me. Claro que tenho saudades dos anos 80 e já agora do meus loucos anos 90.

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