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Mutants (2009)

Os franceses iniciaram há uns anos uma nova vertente do cinema de terror hiper-realista de violência extrema, em que se colocam situações de fácil identificação para quem os vê. O último de que aqui falei foi Martyrs (2008). São filmes que fogem aos clichés do típico slasher, zombie, casa assombrada, gore e quando damos por ela já não há espacinho nem para colocar um quadro com tanto sangue. Mas numa linha de contínuo sucesso há-de chegar o dia em que se meta um pé na merda e se crie um produto profundamente desinteressante, com a utilidade de um acordeonista em chamas.

Muitas pessoas que me ouvem falar ficam com a ideia de que filmes de zombies são sempre bons e basta haver a palavra “morto vivo” no guião para garantir a este escriba 90 minutos de delírio cinematográfico. Mas nada poderia estar mais longe da verdade. Todos aqueles que, como eu, seguem o underground do cinema de terror percebem que saem semanalmente toneladas de filmes de zombies (entre outro sub-géneros) a metro, com belas capas de DVD e posters, mas com conteúdos que desconheço completamente porque não os vejo. Nem me arrependo, porque nos meus quase 30 anos de cinéfilo (comecei a contar aos 8 ) aprendi a cheirar sub-produtos à distância. Nos anos 80 eram os filme de ninjas, samurais e pós-apocalípticos, nos anos 90 os art-house pretenciosos e os viciados em twists e nos anos 00 (zero) temos os sucedâneos e os clones de terror. Normalmente são 5 ou 6 pessoas numa casa, molho de tomate e maquilhagem de carnaval.

Aqui neste Mutants temos um casal que foge de um bando de zombies esfomeados. Nos primeiros 10 minutos correm desenfreadamente à frente de uma câmara à qual foi aparentemente removido o estabilizador de imagem, e mesmo quando estamos prestes a vomitar o jantar devido ao enjoo de movimento provocado pela filmagem, eis que o casal sobrevivente entra num hospital deserto. Silêncio… De repente descobre-se que o noivo está infectado pela ruindade zombófila e até ao fim temos a namoradinha a carpir lamúrias de saudade “Ai que o meu amor foi-se para o lado dos nefastos comedores de cérebro“, “matar-te-ei ou deixar-te-ei sobreviver numa jaula ferrugenta até definhares à míngua de tecido encefálico?” ou mesmo “Curioso, após meses de ter abdicado da minha higiene feminina para evitar ser comida por bandos de zombies assassinos ainda não me nasceram pêlos nos sovacos…

Miguel Esteves Cardoso pode estar gordo que nem um maço, mas resumiu num título o que este filme teve dificuldade em dizer nos seus 90 minutos de duração: O Amor é Fodido! E posto isto seguem os avisos da praxe: afastem-se deste, vejam outro. Se for mau, avisem-me a mim que eu passo a outro. E assim dividimos o sofrimento entre todos e não custa nada. Ah, e meninas, se fosse eu a vocês tratava já da depilação definitiva, não vá dar-se o caso de serem das únicas sobreviventes de um Apocalipse Global e depois terem que tomar banho em riachos e lagoas à frente de toda a gente com um “castanheiro negro” pendurado no baixo ventre.

5 Comments

  1. vamos lá ver isto então!

  2. Bem… Só a parte da câmara sem o I.S. ligado já é mais do que razão para eu fugir a 5 pés desta “obra de arte”… Já a trilogia Bourne é a mesma porcaria… mas será pedir muito um plano assim mais ou menos estável de vez em quando? Que geração da treta esta que só faz filmes como se fossem videoclips da MTV!

  3. Não cheguei a metade. Não há paciência…

  4. Na minha concepção, foi interessante a abordagem do relacionamento do casal no filme, apenas não gostei de, por duas ou três situações, ela não ter mandado bala nos zumbis enquanto atacavam alguém – ela ficava olhando apenas – mas fora isso, me agradou, comparando-se às outras produções estúpidas do gênero, que tenho assistido ultimamente.

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