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The Incredible Shrinking Man (1957)

Uma das minhas mais remotas memórias de serões televisivos é deste magnífico filme de Jack Arnold, mais concretamente da cena em que um homem minúsculo combate ferozmente uma aranha peluda. Lembro-me de o ter visto no “Segundo Canal” e ainda não sabia ler, tinha que ser o meu pai a explicar-me o que diziam as legendas. Ora feitas as contas, foi ainda nos anos 70… Eram noites frias de inverno sem aquecimento central e televisão a preto e branco sem controlo remoto. Era um tempo anterior ao tempo em que a simples ideia de aparar pêlos púbicos parecia um conceito de ficção científica.

Para aqueles que não estão familiarizados com o conceito de “Televisão a Preto e Branco” apenas posso dizer que nunca serão capazes de compreender a verdadeira magnificência da evolução tecnológica do entretenimento nos últimos 30 anos. Se hoje em dia a ideia de ter um TV com aspecto de galinheiro em miniatura, com apenas dois canais que raramente funcionavam sem interferências, uma antena que precisava de alinhamentos constantes e problemas técnicos apenas solucionáveis com um maço de tanoeiro* pode parecer algo de perfeitamente espartano que não se deseja nem a um cão sarnento, no final dos anos 70 era magia catódica a 60Hz. O segundo canal costumava passar algumas pérolas do cinema de terror dos anos 30, 40, 50 e 60 que eu devorava com encanto sem sequer perceber o que as pessoas estavam a dizer. Mas geralmente eram filmes fáceis de compreender, estilo monotom, agarrados a um conceito como carraça em pescoço de Pastor Alemão e capaz de o mugir repetidamente durante 90 minutos até à secura total.

The Incredible Shrinking Man é tipicamente sci-fi dos anos 50. Um homem exposto uma nuvem radioactiva começa a encolher até se transformar numa forma quase microscópica. O filme retrata as suas peripécias retiradas de situações relacionadas com a sua estatura e a sua revolta para com o resto do mundo. Apesar de linear, simples e previsível como era comum no sci-fi destas épocas, os minutos finais acabam por surpreender pela analise filosófica em relação ao lugar da humanidade no universo e em relação à insignificância de todos nós enquanto unidades de carbono de prazo de validade bastante reduzido.

Revi-o esta semana e surpreendeu-me perceber que é um filme que ainda se vê com prazer e que nos embala confortavelmente naquela tão terrível odisseia pessoal que quando damos por ela está a acabar e só não ficamos impávidos a olhar para os créditos finais porque nesta altura ainda não existiam créditos finais, era o tradicional THE END em modo expresso, uma algazarra de dois segundos em que todos os membros da orquestra pareciam tocar todas as notas em simultâneo e Get The Fuck Out!

Do mesmo realizador de The Incredible Shrinking Man temos ainda pérolas como Tarantula (1955), Monster on the Campus (1958), Creature from the Black Lagoon (esse mesmo) e inúmeras séries como o mítico Buck Rogers in the 25th Century, Gilligan’s Island, The Brady Bunch, The Bionic Woman, Wonder Woman ou o frenético Love Boat. Um senhor, portanto! A assinalar ainda que existe programado um remake deste filme para 2012, Deus nos proteja…

* Senhor que fabrica e/ou dá manutenção a pipos, barris e dornas de madeira.

5 Comments

  1. Epá, isto é muito bom, um clássico. É um dos primeiros filmes de ficção-científica com um argumento a sério. E a tradução para português é bestial: O Sentenciado.

  2. Isto passou onde? No TCM? Ou na internet?

  3. Os anos 50 foram prolíficos neste tipo de filmes, e de facto há muitos que vêm-se muito bem ainda hoje, nalguns casos muito melhor que remakes recentes que beneficiam de técnicas de efeitos especiais, elas próprias ainda no campo da ficção científica da altura.

  4. A luta com a tarântula parece uma clara referência ao Senhor dos Anéis.

  5. Sentenciado? No fuckin’ way!!!… @Eduardo, isto passou na Internet. Aconselho a versão ISO do DVD original.

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