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O 3D está moribundo, esperemos que morra depressa.

Passados uns anos desde que Avatar nos envenenou os cérebros com as promessas de um maravilhoso mundo novo que afinal era velho e que afinal era mais uma artimanha desonesta para nos sacar os tão preciosos euros que parecem agora mais essenciais do que nunca, eis que qualquer produção cinematográfica que se queira levar a sério opta agora por se distanciar desta fantochada que é o 3D. Convenhamos, não existe nenhuma vantagem em ver um filme em 3D. Em retrospectiva, quando nos tentamos lembrar dos filmes que vimos em 3D, as memórias aparecem em 2D, o que é um claro sinal que o nosso cérebro é mais inteligente que nós. E antes que esta tecnologia se desintegre nos fossos do esquecimento e dê lugar uma nova época em que a trepidação das cadeiras nos faça cócegas nos testículos (e equivalentes) para adicionar drama ao re-re-re-re-re-re-reboot do Spiderman, vamos lá dilacerar este cadáver.

O alerta veio do último tomo do Dark Knight de Nolan. Aparentemente o Sr. Nolan, de ego auto-inflado com o exército geek que lhe estimula a próstata diariamente na Internet, disse que não queria fazer o filme em 3D. Disse que não tem nada contra o 3D, mas que é uma bela merda, é! Isto citando o realizador de modo livre. Os estúdios para os lados de Hollywood tremeram e James Cameron urinou-se ligeiramente de ansiedade. Se esta merda pega, pensou, estamos todos feitos ao bife. Imaginem que as pessoas se apercebem que estão a ser comidas por patos? E se elas percebem que além de as poder cegar, o 3D distrai de tal modo que o argumento tem que ser sempre simplificado ao ponto da estupidificação total e absoluta? 

É mais que óbvio que o 3D não traz novidades nem mais valias à visualização de uma obra cinematográfica numa sala. Todos o sabem. E não é difícil perceber porque existe tanto 3D por aí. Se forem ver as tabelas de box office (que abomino, confesso), percebem que os filmes mais lucrativos nem sempre são os mais vistos. Os mais lucrativos são aqueles que nos enrabam com um taxa de 50%, ou mais, sobre o preço de um bilhete de cinema “para que seja nosso privilégio uma superior experiência de imersão cinematográfica”. E como quem paga consente, ficamos todos contentes a olhar uns para os outros com aquele riso de parvo de quem gosta de parecer uma pessoa socialmente bem integrada sem grandes tendências contestatárias, porque ainda nos tiram o emprego ou o spread baixíssimo que temos de uma altura em que o crédito era barato.

Mesmo as pessoas que defendem o 3D com a própria vida, quando confrontados com a pergunta “Deixaria as suas crianças ver filmes em 3D?” vacilam e devolvem outra pergunta distrativa à laia de corta raciocínio para que não se perceba directamente que a resposta óbvia será sempre “Claro que não, foda-se! Os meus ricos filhinhos…”.

Para finalizar deixo alguns coisas que tenho referido anteriormente e que nunca me canso de sublinhar, porque mesmo as 3 pessoas que as leram já terão esquecido. Os óculos são desconfortáveis e para pessoas que usam óculos (como eu) ainda mais. Os filmes são escuros e certos movimentos de câmara não funcionam em 3D. Dói muito mais ver um filme horrível a pagar 9,80 euros do que a pagar 6.60 euros. A percentagem de homens que acha boa ideia fazer felacios a colegas de trabalho depois de ir ao cinema tem aumentado brutalmente desde que apareceram os filmes 3D desta nova geração. Não que eu tenha nada contra isso, mas por causa deste fenómeno já não se pode entrar numa casa de banho pública nacional sem encontrar autênticas listas telefónicas em azulejo, em que todos os números estão acompanhado da frase “Quero chupar pissa. Liga-me 91xxxxxxx”. Quem diz “pissa” diz outras variantes regionais como o pila, piça, caralho, cacete, pau, pinto, ponteiro, porra, drejo, bregalho, vergalho, piroca, pichota, banana, pirola, pissalho, piçalho, cenão, bitola, sardão,mangalho, besugo, sabordalhão.

Editado em 20-08-2012 11:17: Incluído o termo “sardão” nos sinónimos regionais de “pissa”.

Editado em 23-08-2012 00:11: Incluído o termo “mangalho” nos sinónimos regionais de “pissa”.

7 Comments

  1. Caro,

    Gostei bastante deste artigo.
    Esqueceu-se foi do sardão.

    Cumprimentos,
    Ed

  2. Caro Ed, tem razão. Para combater essa enorme injustiça a lista foi alterada sendo o seu tão prezado termo regional adicionado. Que o vigor nunca lhe falte.

    Este seu dedicado escriba

    Pedro

  3. E eu sempre pensei que “pissa” se escrevia “piça”…. o que prova que frequento pouco casas de banho públicas, ou que faltei a essa aula de Português…
    E sim, burn, 3D, burn!
    Só aprovo o 3D no cinema quando for projecção holográfica foto-realística sem necessidade de acessórios, até lá, fuck the system!

  4. LOLOL, fantástico. O 3D é realmente uma praga.

  5. Acho que esta ideia é comum a qualquer pessoa que tenha dois dedos de testa. É uma artimanha que faz tanta falta ao cinema como as plantações de eucaliptos no Alentejo.
    Queria também mostrar uma mini-indignação pelo não uso do valioso sinónimo «mangalho».


    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://destilo-odio.tumblr.com/

  6. Pedro, mais uma vez a justiça foi reposta. Realmente uma lista de sinónimos de calão de pénis sem o regionalismo “mangalho” é tão útil como uma prostituta coxa num pinhal em chamas.

  7. Boa Pedro, não sei como deixei passar o mangalho.

    Cumprimentos,
    Ed

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