Malta, fiz as pazes com o Christopher Nolan. Às vezes é assim, de um momento para o outro. Aparece um inimigo comum e somos aliados. Vocês sabem do que falo, a Netflix quer acabar com o pouco que nos resta do cinema. Mandei-lhe uma mensagem nas redes sociais. “Nolan, precisamos de falar. Desculpa lá, eu às vezes excedo-me. O mundo piorou tanto desde que apareceste que, mesmo tu a manteres-te igual, o mundo fez de ti uma coisa positiva, Diz-me quando puderes passar pelo Barracão dos Ossos para almoçar. Pago eu. Só menu, sem sobremesa nem vinho.” E ele responde logo: “Obrigado pelo contacto. Daremos feedback assim que possível. És amado. Ass: Chris”. E eu fartei-me de rir. Mesmo à Nolan, estar lá sentado à espera da minha mensagem para responder logo com uma private joke, isto é o que ele me diz sempre que lhe mando uma mensagem. Ainda lhe disse “Moinante, não te esqueças de passar pela calçada do gato, porque se forem dar a volta ao hospital privado, atrasas-te 20 minutos.” E ele, sempre malandro, responde: “Obrigado pelo contacto. Daremos feedback assim que possível. És amado. Ass: Chris”. Que fartote, este Nolão. Sempre a dizer que é um desligado analógico dos efeitos práticos e depois está sempre no telemóvel às mensagens.
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Fez agora 3 anos que escrevi um texto entitulado “Porque deixei de ver filmes de super-heróis“ em que expliquei a razão que me levaria, à altura, abandonar o género blockbuster de heróis de borracha negra e licra nadega adentro. A razão principal, para que não tem paciência para chafurdar na minha psicanálise, era o facto indiscutível de que eu não me enquadrar no público alvo. “Não és tu, sou eu!”. Acontece que o destino haveria de se encarregar de me chutar os tomates poucos dias depois, quando o meu filho me pediu para ver os Avengers. Mais que isso, queria que lhe explicasse toda a história que está para trás, uma vez que uma criança de 5 anos não tem tempo para backstories. Quando o miúdo recuperou a consciência das duas bofetadas que lhe administrei em fúria não justificada e perfeitamente gratuita, lá comecei calmamente a explicar-lhe o pouco que sabia. Postura confiante, voz firme e o cérebro sob efeito de um blister inteiro de calmantes. Bem sei, não se faz e será a minha sina passar a fase vegetal da minha terceira idade num lar a cheirar a urina e solidão.
2012 foi um ano normal, como todos os outros, carregado de cinema horrível nas nossas salas. Apesar da oblonga lista que tinha aqui à mão, consegui reduzir o “crème de la crème” da mais hedionda ignomínia ao nosso bom gosto cinematográfico a 5 fétidos itens. Sem mais delongas nem insinuações sexuais (sob a forma de impropério gratuito ou história de contornos softcore) deixo-vos 5 filmes capazes de fazer murchar a mais viçosa flor.

Passados uns anos desde que Avatar nos envenenou os cérebros com as promessas de um maravilhoso mundo novo que afinal era velho e que afinal era mais uma artimanha desonesta para nos sacar os tão preciosos euros que parecem agora mais essenciais do que nunca, eis que qualquer produção cinematográfica que se queira levar a sério opta agora por se distanciar desta fantochada que é o 3D. Convenhamos, não existe nenhuma vantagem em ver um filme em 3D. Em retrospectiva, quando nos tentamos lembrar dos filmes que vimos em 3D, as memórias aparecem em 2D, o que é um claro sinal que o nosso cérebro é mais inteligente que nós. E antes que esta tecnologia se desintegre nos fossos do esquecimento e dê lugar uma nova época em que a trepidação das cadeiras nos faça cócegas nos testículos (e equivalentes) para adicionar drama ao re-re-re-re-re-re-reboot do Spiderman, vamos lá dilacerar este cadáver.

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