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Pacific Rim (2013)

pacificrim

No início deste verão prometi a mim mesmo ficar longe dos blockbusters para bem da minha sanidade mental e daqueles que me rodeiam. Não se tratava de uma regra intransigente, antes um “prime directive” com grande probabilidade de ser quebrada. Decidi mais tarde outra coisa mais flexível, ver os filmes mas não falar deles. Basicamente para não importunar ninguém com opiniões geralmente pouco populares. Ontem estava a afiar a corrente do meu Husqvarna 240 e-series TrioBrake (com motor X-Torq) e pensei “Ora foda-se, tenho que levar todos os dias com presunções alheias sem direito a contraditório e não posso opinar em relação a meia dúzia de filmecos cujo principal intuito é secar as mesadas de teenagers que lutam ferverosamente por perder a virgindade pelas nossas lindas praias de areia branca a perder de vista? “ E eis-me aqui, no momento crucial que conclui esta complexa linha de raciocínio.

Vamos começar a dilacerar o Verão cinematográfico com Pacific Rim. O evento que acabou por desembocar comigo numa sala vazia com o chão gorduroso em teimar agarrar-se aos meus ténis informais de pessoa de meia idade que teima em fazer-se passar por jovem foi uma daquelas noites em que nos vimos sozinhos. Crianças a passar uns dias com os avós, esposa ausente a fazer coisas realmente importantes que não contemplem aturar o cônjuge, e eu a criar raízes no sofá, teimando em ignorar uma lista de afazeres mais extensa que os papiros do mar morto. Perante o peso descomunal das tarefas residenciais que parecem sufocar omnipresentemente os raros momentos de sossego que nos iludimos a acreditar que existem, “caguei” (como dizem os jovens) e “bazei” (como dizem os que pensam que ainda são jovens). Pacific Rim.

O filme não engana, é uma dolorosa transposição directa do trailer para uma versão de duas horas, a longa metragem propriamente dita. Monstros atacam a nossa planeta vindos do fundo do mar, aparentemente de uma dimensão paralela maléfica, e a opção mais simples, óbvia e lógica é criar robots gigantes pilotados por dois pilotos unidos por uma consciência comum que se consegue ligando-lhes o cérebro com um cabos a um router neuronal, e andar à bofetada com os monstros, abandonando todo um historial de ciência ao serviço da guerra desenvolvido nos últimos 500o anos pela crença  de que assentar uns pinhões e uns sopapos na cornadura de monstro transdimensionais e murros superpotentes com a ajuda de elbow rockets resolve melhor o problema. Confusos? Não estejam, se a linearidade pudessem ser representada sob a forma de um filme, esse filme teria que ser Pacific Rim.

Ora, não fosse o nome “Guillermo del Toro” e eu nunca me teria metido em semelhante alhada. É certo que o homem tem que ganhar o dinheiro que lhe confere o estilo de vida dispendioso e ostensivo  de um protagonista do Star System Hollywoodiano, no entanto vai ferir de morte uma preciosa reputação que lhe custou imensos anos a construir. E se os miúdos vão ver um filme de monstros à bofetada com robots gigantes seja qual for o realizador que o faz, os fãs de Toro ponderam seriamente voltar a ver um filme de um tipo que fez um filme de monstros à bofetada com robots gigantes, venha ele artilhado de homenagens subtis aos velhos tempos das matinées com monster movies japoneses ou não.

Para um filme com elevada prioridade ao estilo depreciando a riqueza narrativa, estica-se imenso no tempo provocando aquele formigueiro corporal que nos faz olhar para o relógio e questionar a importância da cena que estamos a ver naquele momento.  Foi nesta altura em que me perguntei porque raio não estava a gostar do filme e o meu cérebro respondeu “Porque já tens mais que 12 anos, caralho! Vai-te embora, faz-te um homem.”. Ah sim, é verdade, retorqui para mim mesmo internamente abanando a cabeça ligeiramente em aprovação e desejando ter ficado em casa a dormir.

5 Comments

  1. Mesk

    Tem demasiadas semelhanças com a série Evangelion, o que até podia ser bom…

  2. Antonio Sousa

    Subscrevo tudo aquilo que escreves. O filme é mau…

    Chegaste a ver o Elysium?

  3. João

    eu nem achei mau.Gostei mais que os Transformers.

  4. Antonio Sousa

    Sim mas tirando o primeiro que até é mais ou menos… os restantes são lixo… :S

    Eu tambem gostei mais de Pacific Rim do que os Transformers… mas não deixa de ser mau… As personagens dos cientistas são do mais irritante que vi este ano… Porque e que nos blockbuster o pessoal tem que berrar histericamente ou falar mt rapido para tentar ter alguma piada ou mostrar algum sinal de inteligencia…

    Epá uma excelente ideia era fazer-se uma review ao Atlantic Rim. ihihihi feito com menos dinheiro… mas igualmente mau 😛

  5. Joao Bastos

    Confesso: paguei para ir ver este pedaço de cocó ao cinema…
    Confesso: ao fim de meia hora saí da sala, com medo de ficar com o QI de uma alforreca.
    Onde é que eu tinha a cabeça???? Até o merdoso do Transformers é menos péssimo…

    Confesso: isto nem para divertir serve… Que venha o Emmerich com o seu Godzilla que está perdoado, que pelo menos esse dá para rir!

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