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Tag: casamento

Die My Love (2025)

Há uns anitos valentes, antes de eu próprio ter começado a povoar o planeta com a minha semente, fui visitar uma amiga acabada de ser mãe. Cheguei ao hospital, invoquei em mim toda a exteriorização de felicidade possível e lá fui com uma prendinha na mão para a criança. Provavelmente um item de plástico chinês que iria intoxicar a criança com a tinta de chumbo, mas eu era novo naquelas situações e ninguém ainda queria saber destes problemas de saúde pública que acometiam recém-nascidos. Lá entrei no quarto da maternidade com o meu sorriso estúpido e exagerado. O cenário que encontrei foi muito além das minhas mais deprimentes expetativas. Uma recém mamã a comer um frango churrasco com muito mau aspecto, talvez mais cozido que assado. Comia só com uma mão, sem talheres. A outra mão usava para segurar a cabeça. Cara miserável e deprimida. A criança chorava desalmadamente, dando uso a uns pulmões novinhos em folha, talvez a 110%. A jovem mãe olhava-o de lado com desprezo. “Sacana, cabrãozito que me sugou as reservas minerais. Que me deixou neste estado terminal, como um invólucro usado atirado ao chão em hipótese de reciclagem”. Imagino eu, pela cara. Foi o choque inicial que tive com a maternidade, que nem sempre a injeção de felicidade diretamente no coração faz efeito. Entretanto passaram-se 6 meses e normalizou. Voltou a ter mais uma criança, tudo ok. Mais importante de tudo, nenhum era parecido comigo. Ufa!

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Ne le dis à personne (2006)

O thriller, enquanto policial obscuro quase a roçar a ténue fronteira com o filme de terror ou paranormal, está a definhar. Uma tendência popularizada por Hitchcock e eleita ocasionalmente por realizadores competentes para exercícios de estilo, saudosismos ou para contar uma história com mais densidade do que é previsível num filme mainstream. E se é certo que na maior parte das vezes o resultado acaba por se vaporizar para o eterno vazio da memória cinematográfica mundial, também é certo que por vezes aparecem obras excepcionais, histórias que nos amarram como octopodes viscosos e só largam depois do climax narrativo.

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