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Crónica dos Bons Malandros (1983)

Portugal, 1983. Fartos bigodes, cabelos tratados com Olex e volumosas permanentes invadem a moderna cidade de Lisboa. Os anos 70 em Portugal tiveram lugar nos anos 80, até porque na década de 70 o pessoal andava ocupado com revoluções, manifestações e liberdade recém conquistada. Milhares de pessoas aglomeravam-se nas bilheteiras de cinema para terem lugar numa sessão de “Garganta Funda”. Mais ou menos como arranjar um bilhete para os U2 em 2010. Os Sigue Sigue Sputnik estavam para rebentar a qualquer altura. Portugal delirava com a sua primeira novela, Vila Faia e toda uma nova geração de actores fervilhava de actividade e exposição mediática.

Em 1983 adapta-se ao cinema um livro de Mário Zambujal chamado “Crónica dos Bons Malandros“, que era um best seller da altura. Fernando Lopes é chamado a realizar e um elenco de super estrelas recém famoso é convocado para “mudar o panorama do cinema nacional”. Já na altura se falava disso… Nuno Duarte, João Perry, Lia Gama, Maria do Céu Guerra, Nicolau Breyner, Zita Duarte, António Assunção, entre outros que não estão assinalados em lado nenhum, mas sou capaz de jurar que está lá o Paulo de Carvalho. A ideia seria fazer um filme arrojado, com nudez feminina, calão, palavrões, humor, acção desenfreada, perseguições policiais, explosões (tem uma!) e irreverência. Antes de continuar, quero só avisar que estamos a falar de um filme de 1983 com standards da época.

O filme em si, quanto a mim, é uma amalgama pouco coesa, tantas as ideias que fervilhavam na cabeça do realizador. É um mix de Oceans Eleven com Snatch, mas adaptado à realidade portuguesa em 1983, altura em que se fumava nas aulas de faculdade e na assembleia da repúblico e no tempo em que enormes muros com “Vota Eanes” ou “Vota APU” germinavam diariamente na paisagem urbana. Foi também por esse tempo que se massificou a Coca-Cola em Portugal, algo que se nota no filme, onde beber coca-cola é sinal de modernidade e, claro, de patrocínio.

A história é boa. Tem os seus momentos de humor e também momentos falhados. Nicolau Breyner nunca teve piada e neste filme não é excepção. O colorido não é trazido pela saturação da cor da película, mas pelo exagero nas roupas. O filme é inteiramente dobrado, onde só se ouvem as vozes (sem sincronismo) e um ou dois efeitos sonoros exageradamente altos. Por vezes tem algum Chroma Key típico da época (foleiro) e faz também uso de iconografia Monty Python para narrar certas partes. Tem momentos exageradamente longo, como se o celulóide estivesse em saldo na altura.

A banda sonora de Rui Veloso e Paulo de Carvalho é bem decente. Também abusa em demasiado da quinta sinfonia de Beethoven e a certa altura tem uma música dos Monty Python, que duvido que tenham pago direitos de autor.

Gostei. É portanto um filme naife, delicioso e hilariante, mas se calhar não pelas razões que o realizador planeou. Mas não posso falar disso de modo muito objectivo, até porque quando foi feito eu andava na 4ª classe.

8 Comments

  1. Eh pá tenho isto no disco há séculos e esqueci-me! Tenho que ver esta pérola 😉

  2. Ah pois tens!

  3. e aquele momento de dança sem fim?

  4. Este filme (que já muito mal me recordo dele mas que o vi) e a série Zé Gato… xiii… aquilo é que era… uma época mesmo de ouro. Ou de oiro…

    A canção do genérico do Zé Gato nunca mais me saiu da memória…
    “Quem és tu Zé Gaaaatuu?
    O que é que tu vais fazer?
    …”

  5. O Zé Gato tinha um capotanço de um Renault 5 que custou tanto como o resto da série. Ainda chegou a dar no “Agora Escolha!”.

  6. Já viram esta curta – http://www.youtube.com/watch?v=xPZMmjRceqM
    Está a ter muito sucesso.
    PS:Tem violencia

  7. Bem, essa curta foi uma mistura explosiva de Braindead com Uwe Boll! haha!

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