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The Spirit (2008)

Sexta-Feira chuvosa. Estava eu num bar de alterne na Zouparria a olhar para cinco prostitutas deprimidas. Entre todas partilhavam 12 dentes e 382 era o total das suas idades somadas. Fingi beber a minha água campilho e saí pela janela da casa de banho, sem pagar. Estava a precisar de um bom filme para lavar a alma. Apanhei o início do Spirit num canal Premium do cabo. Passados 30 minutos estava a ponderar se não seria menos doloroso arriscar gonorreia com a Jandira, uma brasileira que se orgulhava de ter feito duas mamadas a Goebbles na altura em que ele ainda era presidente da junta de uma pequena freguesia nos arredores de Frankfurt.

Frank Miller pode ter tido os seus tempos de glória nos saudosos anos 80, mas neste momento anda a viver dos rendimentos e a fazer perder tempo a muito boa gente. O seu nome é valioso mas ninguém sabe bem porquê. Ou talvez se saiba. Sin City? Pois, Sin City é um grande filme com o cunho do mestre Rodriguez que adaptou uma medíocre BD que vive essencialmente da ultra-violência gratuita. A ultra-violência gratuita não é nada de mau, pelo contrário. Mas daí até meia Hollywood andar a lamber os tomates por baixo a este traste ainda vai um salto bastante grande.

Mas The Spirit é perfeitamente desnecessário. É um filme de nomes sonantes, muitos nomes sonantes. O problema é que passados 5 minutos o nosso cérebro começa a vibrar de pânico e a emitir incessantemente a mensagem “É uma armadilha, é uma armadilha…“. Fica lado a lado em termos de qualidade e estética cinematográfica dos “qualquer coisa movies“. Tem o seu quê de peça de teatro de uma turma com necessidades especiais do 9º ano, só que pior. Um feeling constante de vazio narrativo. Como se os templates estéticos de Sin City tivessem que ser rapidamente usados porque estavam prestes a perder a validade.

É bem certo que só vi meia hora, e que meia hora poderá não ser suficiente para ter a ideia geral do filme, mas também vos digo que quem aguentou mais que isto estava algemado à cadeira ou tinha no horizonte um possível menage à trois com as primas boas da namorada caso aguentasse o filme.

Faz parte do processo de manter a sanidade mental admitir certas coisas. E hoje eu vou admitir isto: “Odeio Frank Miller”. Eu sei que na altura de Sin City andava um bocado cego com tanta violência e mamas, mas neste momento puta que o pariu.

8 Comments

  1. “…neste momento puta que o pariu.”
    eheheh
    realmente também nunca fui grande admirador dele

  2. Frank Miller nunca devia ter saído vivo após o grandioso Robocop 3

  3. Fui um admirador das páginas BD de Miller e das contribuições que já deu ao cinema (robocop 2, sin city, foi a referencia para os Batman de Nolan, etc) mas neste caso ele fez um filme e uma adaptação tão terrível e oca que é preciso forcas para se aguentar ver semelhante vergonhoso filme. Deste Spirit apenas se salva a prestação de Eva Mendes, que parece ser dos poucos elementos que levou o filme a serio e tentou fazer alguma coisa com o papel.

    Em tempos fiz um cinedupla onde fazia a review a este filme lá no meu espaço…

  4. Água campilho? Ninguém bebe isso pá!

  5. “Água campilho? Ninguém bebe isso pá!”

    Num bar de alterne na Zouparria??? sendo a única bebida engarrafada que lá há até te surpreendias com a saída que esta tem!

  6. O pormenor da “puta que o pariu” não é, de todo, despiciendo…

  7. Diria mais: é um toque de classe num blogue de classe, caralho!

  8. Também detesto Frank Miller com seus filmes extremamente machistas e suas cores repetitivas e padronizadas.
    confesso que o que me atraiu para assistir The Spirit foi o elenco (convenhamos, ótimo e caro), tentei assistí-lo duas vezes, da promeira aguentei meia hora, da segunda 5 minutos.
    Desisti.

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