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Extract (2009)

Não há para um homem nada mais aterrador do que uma ameaça à integridade dos seus testículos. É como um piano invisível permanentemente suspenso sobre a cabeça que nos pode aniquilar a masculinidade numa fracção de segundo. Sejam entalados numa porta, mordidos por uma amante furiosa ou por falta de controlo das suas capacidades recém adquiridas dominatrix, um acidente de pesca ou resultado de uma aposta numa corrida de galgos. O certo é que nenhum homem pode dar os seus tomates como garantidos. Extract é provavelmente o único filme que vi em que o assunto de uma perda testicular é tratado com a dignidade que merece. Infelizmente este poderá ser o seu único ponto positivo, o que não é lá grande tópico para lhe enobrecer o currículo.

Mike Judge é o realizador de Extract. Mestre todo poderoso dos céus, da terra e dos planos existenciais intermédios, Mike Judge inventou aqueles que são ainda os meus ídolos no que diz respeito à critica musical: Beavis and Butthead. Também realizou Idiocracy, uma obra que pode muito bem explicar o falhanço que a raça humana irá sofrer brevemente devido à sua gradual estupidificação. O filme poderia ter sido melhor conseguido, mas a autoria da teoria ninguém lha tira.

Em Extract Judge tenta criar uma comédia em cozedura lenta acerca de um empresário que pretende despachar a sua enfadonha esposa para poder ter novamente a adrenalina de um engate com uma jovem provocadora destruidora de lares. Mas de tão lento ser o lume e em tantas direcções alastrar, ficamos na mão com uma quase não-história, o preço que se paga quando a falta de timing atropela o enriquecimento de personagens. Quando os personagens estão ricamente criados, acaba o filme sem ter tempo de entrar numa narrativa absorvente.

Temos também elementos completamente aleatórios, quase surreais, que dão uma cor ao filme, elementos esses que são os únicos responsáveis por remover este filme do caixote fétido das comédias românticas, mais conhecidos como “filmes de gaja”. Um Gene Simmons, baixista e vocalista dos KISS, a interpretar um sui generis advogado com um fetiche especial para os acidentes testiculares e a presença sempre agradável de uma banda de Death Metal melódico. Por outro lado Ben Affleck infesta todos os frames em que aparece como um estirpe mais mortífera de Ébola.

Bom, é a vida. Ganham-se umas, perdem-se outras. O excesso de música country não ajuda. Salva-se, além dos dilemas testiculares e do Death Metal melódico, a presença quase obrigatória nos tempos que correm da sublime Mila Kunis, cujo próprio nome envoca vários tipos de perversão sexual e um sorriso capaz de levantar o martelo a um morto.

5 Comments

  1. Bem…em ‘Nascido a 4 de Julho’ tens uma outra abordagem sobre o mesmo tema…ou quase… E, a mim, parece-me até um exemplo mais cru e mais próximo da realidade.
    E gostei da parte… “mordidos por uma amante furiosa ou por falta de controlo das suas capacidades recém adquiridas [de] dominatrix”… Há mulheres, de facto, muito temíveis… e insaciáveis… ahahahhahh

  2. E não te estás a esquecer das práticas [de] bondage?! Há gostos para tudo…assim como há quem aprecie ser sado… No meu caso, há uma espécie que aprecio pela sua peculiaridade: as viúvas negras… Aquilo, sim, é que é adrenalina… Mas consta que os pobres e pequenos machos descobriram agora uma forma de escaparem antes de serem devorados…literalmente… É ‘adaptação’ das espécies no seu melhor…ou então a ‘lei da sobrevivência’…

  3. Mila Kunis… que musa!
    Não tens por aí nada de mais… cru com ela?

  4. Falta de timing, ainda por cima numa comédia é mortal 🙂

  5. Depois de ler isto fui sacar o filme e vi logo de seguida. Soube-me bem. Concordo com praticamente tudo o que dizes, mas de qualquer forma gostei de ver o filme. E até gostei do Ben Affleck, que faz uma excelente imitaçao de Adam Sandler.

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