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Bubba Ho-Tep (2002)

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Elvis Presley, o rei, a lenda, ator, entertainer de sucesso e exímio exterminador de múmias assassinas. Para os ignorantes entre nós, Elvis não morreu em 1977. Para poder descansar de um colapso que quase o levou à loucura, Elvis trocou de lugar com um imitador chamado Sebastian Haff em 1968. A ideia seria voltar um dia mais tarde, mas as coisas foram adiadas recursivamente. Quando o imitador Sebastian Haff morre em 1977, o verdadeiro Elvis fica numa situação complicada e sem poder regressar à ribalta, abraçou a vida de cidadão comum. Agora, em 2002, já entradote e com vastas camadas adiposas, Elvis reparte o quarto de um lar da 3ª idade com um idoso negro que diz ser John F. Kennedy reencarnado. Esta pacatez típica de um centro de dia é, porém, interrompida abruptamente por uma múmia ressuscitada que não olhará a meios para atingir os seus objectivos. Não há tempo a perder, até porque os sacos das sondas de urina têm autonomia muito reduzida.

Ver um filme com Bruce Campbell é sempre um momento de êxtase, mas ver um filme que seja realmente bom com Bruce Campbell será aquilo que o cinéfilo de bom gosto terá mais perto do Nirvana. Depois de Bubba Ho-Tep dificilmente se imagina outro ator a desempenhar aquele Elvis envelhecido, empedernido, nostálgico, gordo, com dificuldades de locomoção e cheio de rancores. Elvis, o inútil. Elvis, a piada ambulante. Campbell consegue representar na perfeição o espírito daquele homem. É como ver um Ash reformado, porque Campbell tem uma imagem de marca a manter.

Não é novidade a inserção de Elvis em temáticas mais relacionadas com o Fantástico e Sci-Fi. No primeiro livro da saga Sangue Fresco, de Charlaine Harris, existe um personagem enigmático chamado Bubba que nunca é referido diretamente como sendo Elvis Presley, mas o certo é que o é. Curiosamente na adaptação para a série de TV True Blood acabou por ficar de fora.

Bubba Ho-Tep é um clássico, daqueles filmes pouco conhecidos mas que jamais poderá ser esquecido por quem o viu. Um misto de “what if” com filme de terror, uma mistura de documentário social duro acerca da solidão de quem é esquecido num lar com o frenético dia a dia daqueles que têm o privilégio de matar múmias como atividade principal. É o chamado “ovni escaganifóbético”, aquele filme que parece nascer por geração espontânea para deslumbrar todos os que têm o prazer de o ver para depois definhar em glória para nunca mais ser visto. Sem continuações, sem spinoffs, sem prequelas. Como um sonho, uma memória de infância, uma flor seca guardada num livro antigo na nossa passagem preferida, como uma ex-namorada bêbeda que nos bate à porta com o cio acompanhada por duas amigas em estado igualmente desastroso.

3 Comments

  1. Um filme em que a premissa é uma múmia a atacar um lar de idosos, sendo o seu único entrave duas versões envelhecidas do Elvis e do JFK(negro!),já é uma aposta ganha(no sentido«what the fuck?!» da coisa).
    É realmente um filme bom com o Bruce Campbell, e seria muito bom vê-lo em mais filmes assim.Pena que não queira entrar na respectiva sequela Bubba Nosferatu…

  2. És grande fã de Bruce Campbell, e se és mesmo fã como eu, então deves saber que para se ver um filme desde grande homem é preciso ser com o DVD original.
    Por acaso, não é para me gabar, mas posso dizer que tenho uma bela colecção de (quase) toda a obra do Sr. Bruce Campbell

  3. Antonio Nahud Júnior

    May 30, 2011 at 8:40 pm

    O seu blog é muito bacana.

    Cumprimentos cinéfilos!

    O Falcão Maltês

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