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Smurfs (2011)

The-Smurfs-2011

Há uns meses atrás, aquando da estreia deste filme, foi forte a onda de indignação para com a violação das nossas memórias de infância.  Nada de original ou verdadeiramente importante, mas ainda assim ligeiramente revoltante. Ou talvez não. Todas as nossas memórias já foram tantas vezes violadas nos sentimos confortáveis com isso. Memória de infância que não seja violada não é memória decente, como as caloiras de Letras ali no Jardim da Sereia. Mas neste caso foi uma violação acrescida, uma vez que até o título original foi mudado. Eram os Estrumpfes, passaram a Smurfs. Na altura não concordei mas hoje faço vénia a quem escolheu o título nacional porque, afinal de contas, não se tratam dos mesmos bonecos.

Antes de continuar deixem que me explique. Sim, fui ver este filme ao cinema. Paguei como um ordeiro cidadão que sou, gramei com a taxa de 3D pelo rego acima sem me queixar e não perdi o sorriso amarelo quando me pediram quase 8 euros pelas pipocas e coca-cola. Era uma daquelas situações em que temos que ir, porque a sociedade nos quer assim, porque não somos animais nem aquelas gajas que passam o dia a vender cartões barclaycard no shopping e depois vão para casa sozinhas chorar até às 3 da manhã porque nenhum dos três gajos que andam a frequentar sexualmente aceita abandonar a esposa. Mamei com o filme e calei-me. Tirando as 3 cadeiras que rasguei com uma faca de mato que costumo levar para todo o lado, a mijada que fiz no corredor dos cinemas quando saí a meio e um quadro electrico que sabotei com os cubos de gelo que sobraram da coca-cola (que pedi “sem gelo”), quase que nem se notou que odiei o filme.

Os Smurfs sempre foram irritantes. Não foram propriamente um sucesso nas nossas TVs, foram mais os bonecos, os autocolantes e os cromos dos Bolycaos. Mas ainda assim deixaram marca. Nesta reencarnação em modo “zombie cinematográfico” aparecem num estilo live action com animação 3D, uma técnica de animação que me dá uma nefasta volta à tripa. Roger Rabitt foi o único bom dessa gama.

A narrativa é merdosa, senão vejam: os Smurfs são atacados pelo seu arqui-inimigo e fogem. Entram num portal quântico que estava mesmo ali à mão e vão dar directamente ao Central Park de Nova Iorque. Vão parar a casa de um jovem casal onde lhes ensinam de modo involuntário o sentido de família (o gajo não queria filhos, ela engravidou ainda assim, vaca!) mesmo a tempo de voltarem a apanhar outro portal quântico que por incrível coincidência voltou a aparecer, quem diria. Isto depois de dezasseis artimanhas narrativas desleais acaba para, esperemos nós, nunca mais voltar.

Eu poderia dizer que o filme é uma horrenda tentativa falhada na arte do entretenimento, mas o certo é que aquilo era o que se esperava e aquilo é o que as pessoas gostam. Quem não gosta não come, eu eu comi e não gostei porque sou parvo. E porque a vida tem destas coisas, temos que ceder.

Vi a versão dobrada em português o que significa que a única coisa potencialmente entusiasmante deste filme acabou por me passar ao lado, a fantástica voz da hermosa Sofia Vergara. Porque de resto vinha muito tapada, não quiseram distrair a atenção da Estrunfina e dos seus trejeitos de puta.

10 Comments

  1. Destronaste o meu patamar Miss Piggy. Pensava que só ela tinha “trejeitos de puta”

    Quantas virgens desfloraste no Jardim da Sereia?

    ahhhhhhhhhhhhhhh… Estrumpfes – nunca os curti

  2. Esta ia ser mais uma das muitas criticas que sabes que leio mas nem patavina de deixar um comentário. Nem merdoso com hálito de ramadola e… espera lá, tive um momento de lucidez e até me questiono se no (des)acordo ortográfico, “hálito” se escreve “álito” -não interessa o bedum é o mesmo.
    Escrevo porque apesar de não ter visto o filme, gostava imenso dos Estrunfes em pequeno e sem dúvida que também não fiquei agradado com o upgrade visual que fotos e trailers promocionais me iam despromovendo esta adaptação. Que se lixe, só para dizer que as seguidas risadas súbitas fizeram-me ter de limpar o lcd do iMac. Só pela condescendência humorística… valeu a pena ler. Não era é para me levar a comentar nada por aqui mas… opá o gelo do malte está a derreter carago… glp… gulp… aahh… fuck it que já nem sei o que escrevi ou dizia antes deste ponto final . (PONTO)

  3. Lol ainda bem que li isto, concordo completamente e ainda conseguiste-me animar os ânimos lol!

    cumprimentos,
    cinemaschallenge.blogspot.com

  4. Cá está, o verdadeiro serviço público: fomos avisados a não desperdiçar precioso dinheiro em tempos de crise + e o bónus de ler uma das épicas críticas do Sr. Xunga! Isto é que é começar bem o dia (ou não….) Dos Estrumpfes não me recordo um carolo, sei que vi mas… whatever! Por isso, esse fenómeno de “violar a nossa infância” é coisa que não me assiste, a não ser que esses FDP algum dia se lembrem de mexer no Ulisses 31 em versão para putos “modernos”…ai sim vão ver a FÚRIA!!!!!!!!!!! O resto, podem violar á vontade…

  5. Com “O resto, podem violar á vontade…” refiro-me a séries e filmes da infância. Violar outras coisas é feio. Deixem as senhoras e os galinácios em paz.

  6. Peyo volta, estás perdoado!

  7. Uma cidade com espécimes azuis dos sexo masculino e uma loira para rodar aquela gente toda… e rotulavam isso de série infantil… bons velhos tempos!

  8. O que me ri com esta crítica. Já não ia ver o filme de qualquer modo. Nunca achei piada às pequenas bestas azuis. Por isso, a minha memória de infância não ia ser violada. O que é violação à brutá é mesmo o preço das pipocas e da cola e o 3D!

  9. Já não invisto €€ em bilhete de cinema, até porque gosto demasiado de sossego para conseguir aguentar metade do filme com o ruído de dezenas de bocas a mastigar ruidosamente, por isso vi este SMURFS agora qd estreou no telecine (versão original). Gostei. (Não me massacres, lê primeiro as “razões”).

    Esperava não gostar, visto que devia ser infantilizado mas de todos os horrores do género que já vi, acabei por achar aquele o mais tolerável. O que esperar de um filme e de uma temática destas?

    A minha cena favorita foi o gato a rir. Vais dizer que não achaste piada a isso? E olha que eu tb achava que não ia achar, mas assim que o bixano dá a gargalhada eu fico a sorrir :)) É melhor que a versão de gato das botas do António Banderas no Shreck. Esse valia-se dos seus olhos ternurentos.

    Razões: Gostei do Neil Patrick Harris. Fez-me até engolir sem desconforto todo aquele melaço típico das histórias da Walt Disney
    Não estava demasiado infantizado ou previsível
    Não estranhei a CGI
    Não tenho quase nenhuma recordação dos estrumfes na TV, só dos bonecos de PVC que guardo até hoje em parte incerta.

    Dentro do género, não é, de todo, o pior filme.

  10. PS: A interpretação da personagem feminina no filme, a dona da agência de publicidade, está fantástica. Não achas?

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