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Os melhores de 2012 (mais um top)

Das Besten 2012

Em 1994 tive um reencontro com 9 ou 10 amigos de liceu. Fomos jantar e a noite foi dura. A certa altura estávamos completamente queimados num estado de realidade fortemente alterada. Ninguém estranhava o pinguim que cortava fatias com um florete flamejante multicolor de um bolo que parecia teimar em subir as paredes para encontrar o amor de infância que entretanto se transmutara sob a forma de uma sólida bolha avermelhada que lia um artigo dos Dead Kennedys num exemplar do extinto jornal Se7e. No tecto. Era noite de confidências e um de nós confessou que uma vez uma colega nossa o teria presenteado com um bela sessão de sexo oral e pediu que ele não contasse a ninguém porque era a primeira vez que tinha feito tal coisa, a loucura do momento, envergonhada, etc. Criou-se um estranho ambiente e passados 3 milisegundos percebeu-se que esta história tinha acontecido a todos, à excepção do Sandro, que tinha levado apenas alivio manual. Só parámos de rir compulsivamente quando percebemos que foi tudo na mesmo tarde, numa festa de aniversário.

Tal como a galdéria que tinha como colega de turma, nunca fiz isto, é a minha primeira vez. Não faz propriamente parte do meu perfil cinéfilo, uma vez que apenas uns 25% dos filmes que vejo fazem parte das estreias do ano. Talvez menos. Sou bastante preconceituoso e a maior partes dos filmes que estreiam nas nossas salas provocam-me refluxo ácido e não são raras as vezes em que se fazem acompanhar por diarreias fulminantes.  No entanto aqui estou eu, a elaborar um top anual. Podia ser pior, podia estar a drogar-me ou a ver apanhados na SIC.

Antes de avançar um pequeno disclaimer. Não uso títulos nacionais por centenas de motivos que já aqui abordei em todo ou em parte. Sorry. Melhores de 2012 considero filmes lançados em 2012, filmes estreados em Portugal em 2012, filme que tiveram estreia prevista que acabou por não se materializar e filmes que não tendo estreado em 2012 poderiam ter estreado que não se perdia nada.

Ok Go. Vamos lá ver se não me esqueço de nada.

10. Chronicle

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O género Superhero Movie leva aqui um novo tratamento abordando com algum realismo o que seria se um grupo de jovens recebesse superpoderes. Não morro de amores por found footage, mas o tratamento psicológico dado à responsabilidade de teenagers com poderes dá para esquecer esse pormenor.

09. The Cabin in the Woods

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“Digamos que me senti em casa, não só pelos magníficos banhos de sangue mas também por toda aquela ensemble de personagens que considero praticamente família.” Homenagem à minha adolescência.

08. Four Lions

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Comédia britânica agridoce com tomates negros, não fosse a versão cinematográfica das caricaturas de Maomé. Uma abordagem descontraída de um dos temas mais incendiários dos nossos tempos, o recrutamento e treino das células da Al Qaeda.

07.  Prometheus

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Eu gostei de Prometheus. Foi vítima de uma montagem e uma versão final de guião atabalhoados, mas acredito que o futuro lhe dará razão.

06. Cosmopolis

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Um filme do mestre Cronenberg nunca será um mau filme aos olhos deste enfraquecido escriba. Cosmopolis é um filme muito denso, repleto de simbologias e analogias, crítica forte à situação actual das finanças planetárias e uma frieza distante para o destino da raça humana (e do average Joe) de arrepiar a espinha. Não digo que o vampiro tenha sido um erro de casting, mas demora algum tempo até que nos consigamos abstrair das suas paneleirices no Twilight.

05. The Raid e Dredd 3D

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Tinha que os meter juntos para encaixar aqui 11 filmes no top 10. Dredd é o regresso ao glorioso filme de extrema violência da primeira divisão. Em tempos um género honrado e respeitado, parece ter desaparecido, ofuscado pelo politicamente correcto do “salvem as nossas criancinhas de ver cabeças fulminadas em explosão de sangue e miolos a tiro de canhão”. É pena que não tenha sido sucesso suficiente para se tornar tendência.

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The Raid é um dos melhores filmes de acção dos últimos 10 anos. Ponto Final. Parágrafo.

04. Iron Sky

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Nazis que se escondem no lado escuro da lua onde preparam a invasão ao planeta Terra depois de mais de 60 anos a aperfeiçoar a sua maquinaria? É preciso dizer mais alguma coisa?

03. The Perks of Being a Wallflower

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A nostalgia de viver as dores do crescimento num liceu dos anos 80 com banda sonora a condizer na companhia de amigos alucinados? Quem pode resistir? Emma Watson se calhar está a mais, assim como o final demasiado telefilme, mas tudo o resto fez-me fervilhar as emoções, como um caldeirão hormonal de uma miúda de 15 anos.

02. Moonrise Kingdom

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Desta vez Wes filma uma história de amor entre crianças numa ilha isolada e prestes a ser fustigado pela mãe de todas as tempestades. No seu estilo inconfundível, e munido do obrigatório Bill Murray, fala-nos das alegrias e tristezas do crescimento, do valor de pertencer a um grupo e da importância de um sólido núcleo familiar para a estabilidade emocional de uma criança.

01. Holy Motors

Holy Motors

Um filme que nos retira da chamada “zona de conforto” e que nos deixa entregue aos coiotes durante duas horas, nus e frágeis às mãos do hábil manipulador Leos Carax.

E é isto. É certo que não vi todos os filmes, provavelmente irei ver mais tarde filmes de 2012 que destronarão estes, mas para já é esta pobreza franciscana que aqui dactilografei, com amor e carinho, note-se. Se tiver tempo ainda volto com as menções honrosas e os piores de 2012.

1 Comment

  1. É por isso que continuo a regressar aqui, porque identifico-me com as tuas palavras, Pedro. Belo Top 😉

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