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The Cabin in the Woods (2011)

Cabin In The Woods Anna Hutchison Wolf

A vida de um pai de família, por vezes, tem temporadas de inferno Disney, em que apenas se vê canal Panda, musicais de qualidade duvidosa onde toda a gente veste fatos de pelúcia com animais personificados, cinema infantil a puxar para a lição de moral, minúsculas fadas voadoras com nome de prostituta de jornal, cães, gatos, tartarugas, vacas, lesmas, ornitorrincos ou famílias de pinguins que celebram o dia de acção de graças e toda uma parafernália de entretenimento capaz de levar à loucura o próprio Dalai Lama. Já não há sequer paciência para Clone Troopers nem para a versão 3D do mestre Yoda. São alturas como estas em que sentimos saudades de um bom massacre. Decapitações, trucidações de comboio a grupos de escuteiros, autocarros de freiras septuagenárias atirados em chamas para fossos de crocodilos. Facadas, esventramentos, degolações, violações em massa por grupos de motoqueiros com Sida (e os seus cães). Estes pequenos prazeres que nos ajudam a equilibrar a mente , para que não nos deixemos influenciar por criaturas de peluche que passam a vida a ostentar piqueniques pomposos e casas de características milionárias sem se lhes ver nenhum meio legal de subsistência.

E foi com este prazenteiro pensamento que aproveitei a promoção na versão em Alta Definição Unrated de Cabin in the Woods, sem saber nada de antemão do que me esperava. Já tinha visto uma ou duas imagens genéricas, um ou dois comentários que me levaram a pensar que algo de diferente me poderia esperar. Nada de trailers, artigos ou críticas.

Aquilo que vi era algo que não esperava. Uma agradável surpresa. Cabin in the Woods pode ser dividido em duas partes, a primeira metade que poderia ser horror movie terrivelmente genérico (não fosse a torre de comando que parece querer manipular algo) e a segunda é uma das mais belas homenagens que já vi serem feitas ao género do cinema de Terror, chamem-lhe fantástico, horror, scary ou “filmes de borrar as calças”.

Digamos que me senti em casa, não só pelos magníficos banhos de sangue mas também por toda aquela ensemble de personagens que considero praticamente família. A montagem ajuda, alternando as duas realidades tão difíceis de entrelaçar numa única narrativa com os pontos chaves a serem entregues a tempo e horas. O melhor que tudo é que tem um final absolutamente estanque contra sequelas. O próprio realizador o confirmou em entrevistas, mas nada nos livra de umas valentes prequelas direct-to-video. Lembrem-se sempre do Hellraiser…

Se não são estas palavras que vos vão convencer a ver o filme, devo acrescentar que tem um adorável unicórnio assassino que despacha gente à força de corno pontiagudo como um boina verde num jardim de infância.

Não deve ser visto e interpretado de modo linear, mas também nenhum filme de terror o deve ser. Não queremos andar aqui a inspirar gerações de jovens promissores a seguirem os passos de Saw, Friday the 13th, Halloween ou Silence of the Lambs. Isso é tarefa para os videogames e/ou excesso de masturbação.

3 Comments

  1. eu sinceramente fiquei dividido! é que nao sei se gostei… Por um lado tem aquela coisa de diferente de um qualquer “camp-movie”… Mas depois achei que no final perdeu-se o controlo e seguiu desvairado! Opa, se calhar era mesmo essa intenção, mas esse desenlace não me convenceu!

  2. Eu gostei desse aspecto “Out of Control”. O filme não é tão brainless como parece, a começar pela mudança de comportamento dos protagonistas que são transformados quimicamente em personagens cliché de slasher movies, aquele final em que eles tentam simular o pretendido com a Sigourney Weaver e a miúda zombie mas o sacrifício é recusado (como um indeferimento das segurança social) ou, o meu preferido, o comportamento Office Space dos funcionários da agência que lidam com aquele assunto como se fosse apenas mais um dia de trabalho, à espera de chegar as 5 para irem beber canecos para o bar, sem paixão pelo trabalho, como todos nós…

  3. O conceito do filme é engraçado. Como uma explicação para todos os filmes de terror que existem (pq é q os personagens têm aqueles comportamentos estereotipados de sempre que nos fazem interrogar pq raio é q estão a fazer o que estão a fazer).
    Dito isto se calhar gostava mais se a cena da sala de controlo fosse metida ao barulho mais à frente.

    E depois aquilo de facto descamba.

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