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Carriers (2009)

Há uns tempos atrás todas as autoridades mundiais da saúde se dirigiram ao planeta acerca de uma nefasta pandemia  que nos iria assolar. As previsões: milhões de mortos, devastação planetária, corte do circuito de distribuição de alimentação, saques em massa e violação de animais de companhia numa escala nunca antes vista. Agora que estamos a passar essa suposta fase de pestilência começamos a perceber a verdadeira escala da epidemia: farmacêuticas já nem sabem onde meter tanto dinheiro que receberam de vacinas, os governos recolhem-se nos seus gabinetes com orelhas de burro na cabeça a falar da meteorologia para mudar conversa,  os médicos que ajudaram ao pânico mundial a passar férias nas caraíbas com pintelhos entre os dentes da festa da noite anterior e as multidões começam a juntar archotes, forquilhas, alcatrão e penas para ir até à sede da Organização Mundial de Saúde. Percebemos finalmente que perante a globalização e a cultura corporativa multinacional somos todos vacas leiteiras.

Mas falemos do filme supracitado e deixemos a minha fúria de lado. A história passa-se depois da suposta epidemia mundial de ruindade não definida e aparente mortalidade variável consoante  a importância do personagem que atinge. Um mundo, portanto, pós-apocalíptico. Um grupo de jovens atravessa o país para se dirigir a um local onde a epidemia não os atinja. O esquema do “último reduto de um mundo infestado por zombies”. Mas a verdade é que o filme além de não ter zombies, apenas se concentra na luta pela sobrevivência dos que ainda não entregaram a alma ao criador. Os seus amores e ódios, os seus medos e horrores, os seus pecados e, essencialmente, a humanidade ou a falta dela, perante um acontecimento extremo.

Quero com isto dizer que não temos violência gratuita, sexo desenfreado, humor negro ou sequer um saudável par de mamas. É um filme que lida com decisões extremas. Mato e sobrevivo ou tenho compaixão e acabo por morrer? Esse tipo de coisas. É certo que não desilude nesse ponto mas carnificina é coisa que fica sempre bem num filme em que a humanidade pereceu num apocalipse e os sobreviventes lutam entre si pelos despojos.

O marketing foi mal dirigido, os incautos cinéfilos em busca de sangue, sustos e tripas são defraudados e as pessoas que poderiam apreciar um estudo psicológico/antropológico afastam-se por temer o enésimo clone do Day of  The Dead. Para este engano muito contribui o casting, adolescentes viçosos tipicamente série B de orçamento composto para maiores de 13.

Tecnicamente é competente, aproveitando os desertos americanos. Uma piscadela de olho ao Mad Max foi também apreciada por este vosso escriba, que bocejou um sorriso momentâneo. Boa fotografia e trabalho de câmara. É pena o argumento ter sido baseado numa boa ideia e acabou por ser horrivelmente escrito, deformado até ao ponto de parecer um aglomerado de pequenos pedaços de parvoíce. Percebe-se o conceito, não se dislumbra um pingo de lógica em uma única cena.

É uma desilusão para todos os tipos de público, à excepção da família mais próxima dos intervenientes, mesmo aqueles pais que ainda hoje choram amargamente a perda das suas crianças para o mundo sodomita e proxeneta de Hollywood.

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