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Disturbia (2007)

Disturbia

Após um acontecimento traumático e alguns infelizes incidentes, um jovem rapaz acaba em prisão domiciliária. Depois de lhe ser cortado serviço Xbox, o serviço iTunes do seu iPod, resta-lhe beber Coca-Cola, lavar o cabelo com Palmolive, ver filmes na sua TV Magnavox e aceder à Internet através do seu Macintosh iBook onde usa frequentemente o YouTube para fazer uploads de vídeos feitos com a sua Sony. Começa a espiar a vizinhança (Carl Zeiss) e conhece uma vizinha boa (Durex+KY) e desconfia que um vizinho é um potencial serial killer (Facas Ginsu para carnes e churrascos).

Disturbia tem um hábil argumento que tenta o remake de Rear Window (Janela Indiscreta) de Hitchcock sem ter que pagar os direitos de autor. Usa um guião ligeiramente modificado e analisado por um pack de advogados sanguinários movidos a Botox e tratamentos laser para contornar todas as questões legais daquele pequeno incómodo a que alguns teimam em chamar plágio.

Apesar de todas estas chatices iniciais, o filme nem é um mau filme. Começa bem, constrói tensão e vai manipulando o espectador com altos e baixos, sempre agarrado à cadeira em suspense. Cria ambiente e promete dar-nos algo em troca no final. Promete um final que nos possa fazer sentir que valeu a pena este bocadinho. O problema é que quando chega esse final somos agredidos com o livro dos clichés narrativos e com todos os re-aquecidos truques do filme de suspense contemporâneo. Aliás, só de pensar no final deste filme, vem-me à cabeça uma colagem de vários sequências de filmes de suspense, sendo que, curiosamente, nenhuma dessas sequências é de Disturbia. Só lá falta aquele assassino do Scream a correr com uma faca e a gritar “Arghh!”.

Shia LaBeouf tem vindo a crescer como o teenager psicótico do filme mainstream Hollywoodiano dos últimos tempos. Um bocado typecasted demais para o meu gosto, mas deve aguentar-se mais 3 ou 4 anos no formato blockbuster. Os restantes personagens são o típico exemplo do pré-fabricado. O amigo trapalhão que serve de sidekick, a jeitosona que espalha charme e decote como uma alpaca e é comida sem glória no final, a mamã apagada (Hello, fat Trinity!) que não acredita nas paranóias do filho mimado, o mauzão que é um irmão menos brilhante do Hannibal Lecter e o papá ausente que morre violentamente no início.

É Hitchcock para micro-ondas, de rápida confecção, mas sem sabor. No final do filme senti uma enorme vontade de beber um Red Bull com umas sapatilhas Nike calçadas

2 Comments

  1. Bruno

    O filme é bem porreiro… deu para entreter ao fim da tarde… o final é que destoa e estraga tudo

  2. Arapuk

    lol, adorei a critica, principalmente a parte da publicidade.
    Mas, como hoje estou numa do contra… não gostei deste filme! Fui vê-lo ao cinema quando saiu e arrependi-me de cada cêntimo que gastei no bilhete. O Shia é um histérico, e neste filme está no auge do seu histerismo. Sim, o filme cria bastante suspense, mas chega ao fim e tudo o que parecia bom é vomitado violentamente. Como uma noite cheia de copos de aparente divertimento, e que só no dia seguinte nos vimos a arrepender…

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