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Fido (2006)

fimdesemanazombie

Boa tarde. A efeméride idiota que hoje se celebra é o “Fim de Semana Zombie”. Como tal vamos abordar a temática zombie em várias frentes, começando pelo cinema, onde falaremos animadamente do pouco convencional Fido, filme de zombies que é uma crítica à escravatura e à exploração ilegal de emigrantes, além de ser uma engraçada fonte de simbologia sanguinária e carnificina em geral. Depois disso será abordada a temática zombie na banda desenhada e na música com o qualidade a que vos habituei… Nenhuma! E não, não falarei do “Zombie” dos Cranberries porque não sou uma pessoa emocional e não estou a atravessar nenhum ciclo mestrual…

Fido é um interessante filme de 2006 que passou despercebido na maior parte dos meios. A premissa é invulgar para um filme de zombies: depois de uma invasão à escala mundial alguém descobriu como controlar os zombies através de uma maquineta de impulsos eléctricos no cérebro, a idiotice científica do costume. Essa máquina começou a ser comercializada em massa e as pessoas começaram a usar zombies nas tarefas mais aborrecidas do dia a dia. Limpezas, fábricas, construção, bastonários de ordens profissionais, enfim, tudo o que não exigisse necessidade de raciocínio e processamento cerebral. Um destes zombies de casa, o Fido, acaba por desenvolver uma relação com uma criança muito próxima daquilo que se esperaria de um cão, daí o título do filme. Mas o zombie morde uma vizinha e tem que ser abatido, o que é uma chatice para a família que entretanto já se tinha apegado emocionalmente ao morto-vivo e nem mesmo aquele sangue acinzentado que lhe escorre da boca impede a mamã de ter sonhos eróticos com ele. Enfim, fantasias!…

Fido é leve, divertido e sub-urbano numa aproximação linear e superficial, mas se for escavado e compreendido é uma potente crítica social como todo o decente filme de zombie deve ser. Fido é interpretado de maneira muito competente por Billy Connolly. E é um papel que lhe fica bem, uma vez que este senhor quando fala não se percebe nada com aquele sotaque escocês cerrado como uma pintelheira de freira. Uma vez arranjei um espectáculo de standup dele e eu seja cão se percebi uma única frase inteira dos cinco minutos que ouvi até ter atirado o CD pela janela.

É uma pequena pérola esquecida que nos aquece o coração e nos deixa aquela vontade de também ter um morto-vivo na família, mas que não seja aquele tio que adormece sempre nas festas de família e que nos fala de telemóveis topo de gama a 10 euros, mas quando pedimos para nos arranjar um ele tem sempre uma conversa escorregadia que faz com que o assunto desapareça misteriosamente sem que a sua credibilidade enquanto especialista em bons negócios seja colocada em questão.

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1 Comment

  1. P.

    Interessante escolha para uma efeméride destas. O Fido foi daqueles que me aterrou no pc (não saquei, que não saco nada, pura e simplesmente apareceu lá) e de que já tinha ouvido falar. E é estranhamente delicioso. A história não tem nada a ver, mas em termos de ambiente é uma espécie de Little Miss Sunshine, ou Juno, mas no mundo zombie.

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